O Preço da Lealdade e da Paixão

O Preço da Lealdade e da Paixão

por Larissa Gomes

O Preço da Lealdade e da Paixão

Capítulo 6 — O Encontro Inesperado no Jardim de Cristal

O sol da tarde banhava o Rio de Janeiro em tons de ouro e rubi, um espetáculo que, por mais deslumbrante que fosse, mal conseguia aquecer o coração de Isabella. A brisa marítima, usualmente revigorante, parecia carregar consigo o peso de suas preocupações. O evento beneficente no Jardim de Cristal, um dos locais mais suntuosos da cidade, era o palco perfeito para a elite carioca exibir suas filantropias e, para Isabella, um campo minado de lembranças e inseguranças. Ela apertou a alça da bolsa de grife, um presente de sua mãe que agora parecia um fardo, um símbolo de um estilo de vida que ela lutava para manter.

Ao seu lado, a vibrante Sofia, com seu vestido esmeralda que parecia dançar com cada movimento, tentava animá-la. “Isabella, você precisa sorrir! Seus olhos estão mais escuros que a noite em São Paulo. O que está te afligindo tanto? O Daniel, de novo?”

Isabella suspirou, os olhos fixos na entrada imponente do salão de eventos. “Não é só o Daniel, Sofia. É tudo. A pressão no trabalho, a incerteza sobre o futuro da empresa do meu pai… e sim, o Daniel.” A menção do nome dele trazia um nó à garganta. Daniel Almeida, o homem que era ao mesmo tempo seu porto seguro e sua tempestade. O empresário de sucesso, o homem de negócios implacável, mas com um lado terno que só ela conhecia – ou acreditava conhecer.

“O Daniel te ligou? Ele sabe que você está aqui?”, perguntou Sofia, a voz tingida de curiosidade.

“Ele sabe. E ele sabe que este evento é importante para o meu pai. Ele disse que viria.” Isabella mordeu o lábio inferior. A presença dele sempre era um turbilhão de emoções. Uma mistura de desejo, medo e uma lealdade que ela não conseguia, ou não queria, desvendar completamente.

Entrar no Jardim de Cristal foi como adentrar um conto de fadas moderno. Lustres de cristal cintilavam, refletindo a luz em milhares de prismas. Garçons circulavam com bandejas repletas de canapés delicados e champanhe borbulhante. Rostos conhecidos se cumprimentavam em efusivos abraços, sorrisos polidos escondendo intrigas e ambições. Isabella tentava se manter um passo atrás de Sofia, absorvendo a atmosfera opulenta, sentindo-se como uma intrusa em seu próprio mundo.

Foi quando ela o viu.

Daniel.

Ele estava do outro lado do salão, conversando com um grupo de empresários influentes, o terno escuro impecável, o porte confiante que sempre a deixava sem fôlego. Seus olhos, de um azul profundo que contrastava com a pele bronzeada, varreram o ambiente e, por um instante fugaz, encontraram os dela. Um choque elétrico percorreu Isabella. A conversa ao seu redor silenciou, o barulho da multidão se transformou em um zumbido distante. Ele sorriu, um sorriso sutil, mas que parecia direcionado apenas a ela. Um sorriso de quem conhecia todos os seus segredos, todas as suas vulnerabilidades.

Sofia percebeu a mudança em Isabella. “Isabella? Você está bem? Está pálida.”

“Estou bem”, Isabella murmurou, os olhos ainda fixos em Daniel. Ele se despediu do grupo e começou a caminhar em sua direção. Cada passo dele era calculado, deliberado. O coração de Isabella começou a bater descompassado, um tambor frenético contra suas costelas.

Daniel parou diante delas, seu olhar alternando entre Sofia e Isabella, mas com uma intensidade particular para esta última. “Isabella. Você veio. Sabia que não me decepcionaria.” Sua voz era grave, um ronronar que ressoava em cada fibra do ser dela.

Sofia, com sua habitual desenvoltura, estendeu a mão. “Daniel. Sempre um prazer te ver. Isabella estava justamente falando sobre a sua ausência.”

Ele apertou a mão de Sofia com firmeza, mas seus olhos não deixaram Isabella. “Nunca me ausentaria de um evento onde a Isabella estivesse presente.” A declaração, casual em sua entrega, tinha o peso de uma promessa para Isabella.

Daniel então se virou para Isabella, seu olhar percorrendo-a dos pés à cabeça, um escrutínio gentil, mas que a fez sentir-se nua. “Você está deslumbrante, Isabella. Esse vestido… realça a beleza que você tenta esconder.”

As bochechas de Isabella coraram. Ela se sentia exposta, vulnerável sob o olhar dele. “Obrigada, Daniel. Você também não está mal.”

Ele riu, um som baixo e rouco. “Eu sou o mesmo de sempre. Você, por outro lado, parece carregar o peso do mundo em seus ombros.” Ele deu um passo mais perto, a proximidade dele intensificando o perfume amadeirado que emanava dele. “Precisa de ajuda com isso?”

A oferta era ambígua. Ajuda com o evento? Com a empresa? Com os pesos que ela carregava? Isabella sentiu um arrepio. “Não, obrigada. Estou dando conta.”

“Tem certeza?”, ele sussurrou, a voz baixa o suficiente para que apenas ela pudesse ouvir. “Porque eu sei que você não está. E eu sei que você não precisa passar por tudo isso sozinha.”

As palavras dele eram um bálsamo e um veneno. Uma lembrança da intimidade que compartilharam, da cumplicidade que existia entre eles, mas também uma ameaça à fortaleza que ela tentava construir ao redor de seu coração.

De repente, uma figura conhecida se aproximou. Marcos, um antigo colega de faculdade e agora um rival nos negócios, parou ao lado de Daniel, um sorriso arrogante no rosto. “Ora, ora, se não é o grande Daniel Almeida. E Isabella. Que surpresa te ver com ele. Pensei que tivessem deixado as disputas empresariais para trás.”

O clima mudou instantaneamente. A tensão entre Daniel e Marcos era palpável. Isabella sentiu um aperto no peito. Marcos sempre foi um antagonista, um lembrete constante da rivalidade que envolvia a empresa de seu pai e a de Daniel.

Daniel virou-se para Marcos, o olhar frio e calculista. “Marcos. Sempre bom te ver espalhando suas desinformações. Isabella e eu temos um relacionamento… complicado. Algo que você, com sua ética questionável, jamais entenderia.”

Marcos riu. “Complicado é pouco. Ouvi dizer que ela anda pressionando o pai para vender a empresa para você. Um belo golpe de mestre, não é? Usar a filha para conseguir o que quer.”

O sangue de Isabella ferveu. “Você não sabe do que está falando, Marcos! E não ouse falar assim do meu pai ou de mim!”

Daniel colocou a mão suavemente nas costas de Isabella, um gesto possessivo que a surpreendeu. “Marcos, sugiro que você encontre outra conversa para se intrometer. Esta não te diz respeito.”

“Oh, mas diz sim, Daniel. Tudo que envolve a família Vasconcelos me diz respeito. E eu sei que vocês, os Almeida, não jogam limpo.” Marcos se inclinou, o olhar fixo em Isabella. “Cuidado, Isabella. Nem todos que oferecem ajuda têm as melhores intenções.”

Antes que Isabella pudesse responder, Daniel a puxou para perto. “Não dê ouvidos a ele, Isabella. Ele é apenas um invejoso.” Seus olhos azuis encontraram os dela, uma promessa silenciosa de proteção. “Eu cuidarei de você.”

O momento, carregado de tensão e de um desejo proibido, foi interrompido pelo som de uma voz familiar chamando o nome de Isabella. Era seu pai, o Sr. Vasconcelos, que se aproximava com um sorriso cansado.

“Isabella! Que bom que você veio. Daniel, um prazer te ver por aqui.” O Sr. Vasconcelos apertou a mão de Daniel, um aperto firme, mas com uma leve hesitação que não passou despercebida por Isabella.

Daniel respondeu com a cordialidade polida que o definia em público. “Senhor Vasconcelos. É sempre uma honra. Isabella estava me contando sobre as novidades da empresa.”

O Sr. Vasconcelos lançou um olhar para Isabella, um misto de orgulho e preocupação. “Sim, Isabella tem sido uma grande ajuda. Uma força da natureza, como sempre.” Ele então se virou para Daniel. “Espero que você esteja aproveitando a noite. Este evento é muito importante para nós.”

“Com certeza. E estarei sempre à disposição para ajudar no que for preciso, senhor. Especialmente se a Isabella estiver envolvida.” A última frase pairou no ar, um duplo sentido que fez Isabella sentir um nó na garganta. A lealdade, a paixão, a rivalidade… tudo se misturava em um coquetel perigoso, e Isabella sabia que estava prestes a beber dele até a última gota. Ela olhou para Daniel, e nos olhos dele, viu o reflexo de seus próprios desejos e medos. O Preço da Lealdade e da Paixão estava apenas começando a ser cobrado.

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