Amor em Tempos de Ouro e Silicone

Capítulo 9 — A Trama do Passado no Labirinto da Cidade

por Fernanda Ribeiro

Capítulo 9 — A Trama do Passado no Labirinto da Cidade

As ruas de paralelepípedos do centro histórico, com seus prédios coloniais e o aroma de café fresco pairando no ar, serviam de cenário para a investigação de Helena. O passado que ela pensava ter deixado para trás ameaçava retornar, e dessa vez, com o perigo mais real do que nunca. Uma carta anônima, entregue discretamente em seu apartamento, trazia uma acusação perturbadora: a de que a morte de seu pai não fora um acidente, mas sim um assassinato premeditado, e que um nome conhecido na elite empresarial estaria envolvido. A carta, escrita em letra cursiva elegante, mencionava um encontro secreto, um acordo financeiro nebuloso e uma promessa de silêncio.

Gabriel, ciente da angústia de Helena, a acompanhava em cada passo dessa jornada sombria. Ele sabia que não poderia protegê-la de tudo, mas faria o possível para ser seu porto seguro. A cada visita a antigos contatos de seu pai, a cada pergunta incisiva feita a pessoas que relutavam em falar, a teia do passado se tornava mais complexa e perigosa.

"Você tem certeza que quer continuar com isso, Helena?", Gabriel perguntou, enquanto observavam um homem encarquilhado, com o olhar evasivo, fechar a porta de sua modesta loja de antiguidades. "O que quer que essa carta diga, talvez seja melhor deixar o passado em paz."

Helena suspirou, os olhos marejados pela frustração. "Eu não posso, Gabriel. Meu pai... ele não merecia morrer assim. Ele era um homem bom. Se alguém tirou a vida dele, eu preciso saber quem. E eu preciso garantir que essa pessoa pague por isso." A determinação em sua voz era palpável, uma força que Gabriel admirava profundamente.

"Eu sei que você é forte, meu amor. Mas essa gente... eles não brincam em serviço", ele advertiu, tocando seu rosto com ternura. "Eu estou aqui por você. Sempre."

Sua investigação os levou a um antigo escritório de advocacia, onde o pai de Helena havia trabalhado por um breve período antes de sua morte. O advogado, um senhor de cabelos brancos e um semblante sério, inicialmente se mostrou relutante em compartilhar qualquer informação. No entanto, a insistência de Helena e a presença imponente de Gabriel pareciam desarmá-lo.

"Seu pai era um homem íntegro", disse o advogado, finalmente cedendo. "Ele se envolveu em um caso que o incomodava profundamente. Um caso envolvendo uma grande incorporadora que estava tentando desapropriar terrenos de famílias humildes para um projeto de luxo. Ele acreditava que havia irregularidades, que os acordos não eram justos."

Helena sentiu um calafrio. A descrição batia com o que ela imaginava. "Essa incorporadora... era a Magnus Construções?", ela perguntou, a voz embargada.

O advogado assentiu lentamente, o olhar fixo em um ponto distante. "Sim. E seu pai estava perto de descobrir algo que poderia comprometer a todos. Ele me procurou pouco antes de... bem, pouco antes do acidente." Ele fez uma pausa, engolindo em seco. "Ele parecia assustado. Falou sobre receber ameaças veladas. Ele me pediu para guardar alguns documentos importantes, caso algo lhe acontecesse."

Gabriel colocou um braço protetor ao redor de Helena. "E onde estão esses documentos agora?"

"Eu os tenho. Guardados em um local seguro", respondeu o advogado. "Mas não tenho certeza se devo entregá-los. As pessoas envolvidas são poderosas."

"Eles eram poderosos quando tiraram a vida do meu pai", Helena disse, a voz carregada de raiva contida. "Eles não podem continuar agindo impunemente. Por favor, senhor. Me ajude a fazer justiça."

O advogado olhou para Helena, para a intensidade em seus olhos, e depois para Gabriel, cuja expressão transmitia força e determinação. Ele respirou fundo. "Eu farei o que puder."

Os documentos eram uma mina de ouro. Registros de transações financeiras fraudulentas, e-mails incriminadores, e até mesmo um dossiê detalhado sobre os métodos de intimidação utilizados pela Magnus Construções. O nome que mais aparecia em todos os documentos era o de Arthur Viana, o CEO da Magnus, um homem conhecido por sua crueldade nos negócios e por sua influência política.

"Arthur Viana", Helena murmurou, o nome soando como um veneno em sua língua. Ela se lembrava dele vagamente de eventos sociais que frequentava com seu pai, um homem de sorriso fácil, mas com um olhar frio e calculista.

"Esse homem é perigoso", Gabriel advertiu, estudando os papéis. "Ele tem conexões em todos os lugares. Se você o acusar diretamente, ele pode te destruir."

"Eu não estou com medo, Gabriel", Helena respondeu, o olhar fixo nos documentos. "Eu não posso mais viver com esse medo. Meu pai me ensinou a lutar pelo que é certo. E é isso que eu vou fazer."

A próxima etapa era encontrar provas concretas, algo que pudesse ligar Arthur Viana diretamente à morte do pai de Helena. A carta anônima mencionava um encontro secreto em um antigo armazém abandonado na zona portuária, um local conhecido por ser um ponto de encontro para negócios obscuros. Helena, com a ajuda de Gabriel e de um detetive particular contratado por ele, planejou uma operação discreta para investigar o local.

A noite estava fria e escura quando Helena e Gabriel se aproximaram do armazém. A estrutura decrépita parecia um monstro adormecido, exalando um cheiro de mofo e de maresia. Sob a cobertura da escuridão, eles observavam a entrada, esperando qualquer movimento.

De repente, uma luz fraca surgiu no interior do armazém. Uma figura alta e esguia emergiu, seguida por mais duas. Era Arthur Viana. Helena sentiu seu coração disparar. Era ele. O homem que, possivelmente, havia roubado seu pai de sua vida.

"Precisamos de provas, Helena", Gabriel sussurrou, sua mão apertando a dela. "Algo que os incrimine diretamente."

Com a ajuda de equipamentos de escuta e câmeras disfarçadas, eles conseguiram captar uma conversa alarmante. Arthur Viana estava negociando com um homem, discutindo sobre "o problema resolvido" e "o silêncio pago". Ele mencionava o pai de Helena pelo nome, confirmando que ele sabia que o "acidente" não fora acidental.

"Ele se meteu onde não devia", Viana disse, a voz fria e desprovida de qualquer emoção. "Eu não tive escolha. Aquele velho teimoso estava arruinando tudo. Eu tive que garantir que ele ficasse quieto. Para sempre."

Helena sentiu o chão sumir sob seus pés. As palavras de Viana eram a confirmação de seus piores medos. Seu pai fora assassinado. Ela se virou para Gabriel, lágrimas escorrendo por seu rosto, mas seus olhos brilhavam com uma fúria justa.

"Eu vou acabar com ele, Gabriel", ela sussurrou, a voz carregada de promessa.

Gabriel a abraçou com força, sentindo a dor dela. "Nós vamos acabar com ele, Helena. Juntos."

Com as gravações em mãos, eles as entregaram à polícia. A investigação foi rápida, impulsionada pela força das evidências e pela pressão pública que Gabriel, com sua influência, ajudou a gerar. Arthur Viana foi preso, desmascarado como o homem implacável e cruel que era.

O desfecho da história de seu pai trouxe um misto de alívio e dor para Helena. Alívio por ter feito justiça, por ter honrado a memória dele. Dor pela perda irreparável. Gabriel a segurou em seus braços, oferecendo o conforto que apenas o amor verdadeiro pode proporcionar.

"Ele estaria orgulhoso de você, Helena", Gabriel disse, beijando seus cabelos. "Muito orgulhoso."

Helena se aconchegou contra ele, sentindo a força de seu abraço. O labirinto do passado, com suas sombras e seus perigos, finalmente havia se aberto para a luz da verdade. E naquela luz, eles encontraram não apenas a justiça, mas também a certeza de que o amor que os unia era capaz de superar qualquer obstáculo, de desvendar qualquer trama, de trazer paz mesmo aos corações mais feridos. A cidade, antes palco de um drama sombrio, agora parecia respirar um ar mais puro, prenúncio de um futuro mais luminoso para Helena e Gabriel.

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