Um CEO, Um Legado, Um Amor Secreto

Capítulo 17 — A Fúria do Amor e a Sombra da Traição

por Larissa Gomes

Capítulo 17 — A Fúria do Amor e a Sombra da Traição

O aroma de rosas em plena floração não conseguia mascarar o cheiro acre do medo que pairava no ar. Helena caminhava pelos jardins da mansão, os passos incertos, o coração um tambor descompassado em seu peito. As palavras de seu pai ressoavam em sua mente como sentenças de morte, cada sílaba um prego a mais em seu caixão de esperanças. A armadilha se fechava, e ela sentia o calor da mão que a empurrava para dentro dela.

Ela parou diante de um banco de pedra, o olhar perdido em meio às pétalas exuberantes. Rafael. A simples menção do nome dele trazia uma onda de calor em seu sangue, um anseio profundo que a fazia querer desaparecer, correr para seus braços e esquecer do mundo. Mas o mundo era implacável, e o legado de sua família, um monstro faminto que exigia sacrifícios.

Ela pegou o celular, os dedos tremendo. A tela iluminou o rosto de Rafael em uma foto recente, um sorriso genuíno que a fez suspirar. Queria ligar para ele, contar tudo, ouvir sua voz, sentir o conforto que só ele lhe proporcionava. Mas o que ela diria? Que o seu pai estava prestes a forçá-la a se casar com outro homem? Que o amor deles era um luxo que ela não podia ter?

No fundo de sua alma, uma rebelião silenciosa começava a borbulhar. Helena não era apenas a herdeira dos Almeida, uma peça em um jogo de poder. Ela era uma mulher, com seus próprios desejos, seus próprios medos, e um coração que batia forte por um homem que não era o que o mundo esperava para ela.

De repente, um movimento na borda do jardim chamou sua atenção. Era Sofia, caminhando com uma elegância calculada, um sorriso artificialmente doce em seus lábios. A visão dela sempre evocava em Helena uma mistura de repulsa e apreensão.

“Helena, minha querida”, disse Sofia, a voz suave como veludo, mas com um fio de aço por baixo. “Que bom te encontrar. Estava apenas dando uma volta. O ar aqui é tão… revigorante.”

Helena se levantou, o corpo tenso. “Sofia. O que você quer?”

Sofia riu, uma risadinha fina e sem humor. “Ora, nada em particular. Apenas queria conversar com você. Sua mãe teria orgulho de ver como você está se tornando uma mulher forte e decidida.”

A menção de sua mãe, falecida há anos, atingiu Helena como um golpe. Era a maneira de Sofia de tentar manipulá-la, de usar a saudade para abrir caminho.

“Minha mãe me ensinou a ser honesta, Sofia”, disse Helena, a voz firme, apesar do nó na garganta.

“E a honestidade é uma virtude, sem dúvida”, Sofia concordou, aproximando-se. Seus olhos escuros e penetrantes a estudavam com uma intensidade que a fazia sentir-se exposta. “Mas a vida nos ensina que a realidade é um pouco mais complexa do que a honestidade pura e simples. Especialmente quando o futuro de um legado está em jogo.”

Helena sentiu um calafrio. Sofia sabia. Sabia do confronto com o pai, sabia da pressão. Como?

“Você está falando sobre o casamento com André?”, Helena perguntou, tentando manter a compostura.

Sofia sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. “É inevitável, não é? Seu pai está certo. É o melhor para todos. E André… bem, ele está ansioso para ter você ao lado dele.”

A mentira atingiu Helena com força. André? Ansioso? Ela sabia que André era submisso à Sofia, que ele era um fantoche em suas mãos.

“André é você, Sofia. Ele não é nada sem você”, Helena disparou, a raiva contida explodindo.

Sofia não se abalou. Pelo contrário, seu sorriso se alargou. “Talvez. Mas juntos, meu querido, formamos uma força imparável. E você, Helena, seria um obstáculo muito desagradável em nosso caminho.”

O tom de ameaça era claro, implícito nas entrelinhas. Helena sentiu a garganta fechar.

“Você não pode fazer isso”, sussurrou Helena. “Não pode me forçar.”

“Forçar?”, Sofia riu novamente. “Eu não preciso forçar nada, minha querida. Seu pai está fazendo o trabalho sujo. E eu estou aqui apenas para garantir que você faça a escolha certa. A escolha que lhe trará segurança e estabilidade. Ou… uma alternativa muito desagradável.”

Sofia se aproximou ainda mais, a voz baixa e sibilante. “Ouvi dizer que você tem um… amigo. Um homem que não pertence ao nosso mundo. Rafael, não é? Um homem simples. Um homem que, infelizmente, pode ser facilmente… descredibilizado. Uma acusação falsa, talvez? Uma pequena investigação sobre o passado dele? Ou quem sabe, um acidente inesperado?”

O sangue de Helena gelou. O medo a envolveu como uma mortalha fria. A fúria do amor que sentia por Rafael se misturava com o terror que a sombra da traição projetava. Sofia era capaz de tudo.

“Você é um monstro”, Helena disse, a voz embargada pela emoção.

“Eu sou uma sobrevivente, Helena”, Sofia corrigiu, o olhar frio como gelo. “E estou protegendo o que é meu. O seu amor por esse homem é uma fraqueza. Uma fraqueza que eu não posso permitir que destrua o nosso futuro. Então, minha querida, faça a escolha certa. Case-se com André. Esqueça Rafael. Ou então… o seu amado pode ter um final muito triste.”

Sofia deu um passo para trás, um último sorriso condescendente. “Pense bem, Helena. O peso de um legado é muito maior do que o peso de um amor passageiro.”

Com isso, Sofia se virou e se afastou, deixando Helena sozinha em meio às rosas, o perfume doce agora um prenúncio de desgraça. As lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto, uma enxurrada de dor e desespero. A sombra da traição pairava sobre ela, ameaçando apagar a luz que Rafael havia acendido em sua vida.

***

Rafael estava em seu pequeno apartamento, o cheiro de café fresco e a bagunça organizada de um homem que vivia para o trabalho e para o amor. Ele olhava para uma foto de Helena emoldurada na estante, um sorriso nostálgico em seus lábios. A última vez que a viu, a preocupação em seus olhos era palpável. Ele sabia que algo estava errado, que a pressão sobre ela estava aumentando.

Ele pegou seu celular, o dedo pairando sobre o nome de Helena. Queria ligar, queria ouvir sua voz, queria saber que ela estava bem. Mas hesitou. Não queria pressioná-la, não queria que sua presença em sua vida se tornasse um problema ainda maior.

De repente, uma batida forte na porta o assustou. Quem seria a essa hora? Ele abriu a porta com cautela.

Dois homens corpulentos, vestidos com ternos escuros, estavam parados em seu corredor. Seus rostos eram impassíveis, os olhos frios.

“Rafael Martins?”, perguntou um deles, a voz grave e sem emoção.

“Sim”, respondeu Rafael, o coração começando a acelerar.

“Temos algumas perguntas para você”, disse o outro homem, entrando no apartamento sem ser convidado. “Sobre a empresa Almeida. E sobre seus… contatos com a senhorita Helena Almeida.”

Rafael sentiu um nó na garganta. Isso não era bom. Ele olhou para os homens, a energia sombria que emanava deles.

“Eu não sei do que vocês estão falando”, ele disse, tentando soar calmo.

“Ah, você sabe”, disse o primeiro homem, seu olhar percorrendo o apartamento, fixando-se na foto de Helena. “Sabemos sobre o seu relacionamento com a senhorita Almeida. E sabemos que você é um obstáculo para os planos dela. E para os planos de outras pessoas.”

Rafael sentiu a raiva borbulhar em seu peito. “Eu não sou um obstáculo para ninguém. E Helena não é de ninguém, ela é uma mulher livre.”

“Liberdade é uma palavra que pode ser facilmente tirada de você, senhor Martins”, disse o segundo homem, aproximando-se. “E a sua reputação… uma investigação simples pode revelar coisas desagradáveis. Dívidas antigas? Pequenos delitos do passado? Um homem como você, que vive à margem da sociedade, certamente tem algo a esconder.”

Rafael sentiu o suor frio escorrer por sua testa. Eles estavam tentando incriminá-lo, sujá-lo. A sombra da traição que Sofia havia prometido a Helena agora se materializava diante de seus olhos.

“Eu não fiz nada de errado”, Rafael declarou, a voz firme.

“Talvez não. Mas podemos fazer parecer que sim”, o primeiro homem disse, um sorriso cruel brincando em seus lábios. “Basta um pequeno empurrão. Uma acusação bem colocada. E sua vida vira de cabeça para baixo. E a senhorita Helena… bem, ela terá que tomar uma decisão difícil.”

Os homens se aproximaram de Rafael, cercando-o. Ele sentiu o peso da intimidação, o perigo iminente.

“Eu amo Helena”, Rafael disse, a voz cheia de emoção. “E vou protegê-la, custe o que custar. Se vocês tentarem algo contra mim, ou contra ela, vocês vão se arrepender.”

O segundo homem riu. “O amor é uma arma poderosa, senhor Martins. Mas a ambição é ainda mais. E nós temos muita ambição.”

Com um último olhar de advertência, os homens se viraram e saíram, deixando Rafael sozinho em seu apartamento, o silêncio amplificando o som de sua própria respiração ofegante. A fúria do amor que sentia por Helena se misturava agora com uma determinação feroz. Ele não permitiria que a sombra da traição de Sofia destruísse o que ele tinha com Helena. Ele lutaria por ela, por esse amor secreto, custe o que custar. A batalha estava apenas começando.

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