O Encanto do Bilionário Solitário

Capítulo 2 — O Convite Inesperado e a Fuga da Realidade

por Larissa Gomes

Capítulo 2 — O Convite Inesperado e a Fuga da Realidade

A noite caiu sobre São Paulo como um véu de veludo escuro, salpicado de milhares de estrelas artificiais. No topo da cidade, a cobertura de Elias Vance era um santuário de luxo e silêncio. As luzes da metrópole cintilavam lá embaixo, uma tela em constante movimento que ele observava com uma familiaridade quase entediada. A reunião beneficente, para a qual ele se dirigiu após seu encontro inesperado no parque, fora um mar de rostos polidos e conversas vazias. Elias navegou por ela com a habilidade de um diplomata experiente, trocando sorrisos falsos e frases prontas, sentindo-se cada vez mais distante de tudo aquilo.

Ele havia cumprido sua obrigação. Fez uma doação substancial, apertou mãos importantes e sorriu para as câmeras. Mas sua mente estava em outro lugar. A imagem de Luna, seus olhos verdes e sua paixão pela arte, pairava em sua consciência, um contraste vívido com a superficialidade do evento. Ele até mesmo se pegou observando a multidão, procurando por um vislumbre dela, uma esperança tola e irracional.

De volta à sua cobertura, o silêncio parecia mais profundo do que o habitual. Ele descartou o paletó caro com um gesto automático e caminhou até a janela. O bilionário solitário, o homem que possuía o mundo, sentia-se estranhamente oco. Aquele encontro com Luna havia perturbado seu equilíbrio, despertado algo que ele havia enterrado há muito tempo. Ele pegou o cartão de visita que guardara no bolso, o mesmo cartão que entregara a Luna. A textura do papel, o relevo do seu nome, pareciam diferentes agora.

De repente, o telefone em sua mesa tocou. Era Sofia.

"Elias, meu irmão querido!", a voz vibrante de Sofia ecoou pelo apartamento. "Você sobreviveu à noite de caridade?"

Elias sorriu, um sorriso genuíno desta vez. "Com a sua ajuda, sim. E você, como foi sua noite de gala?"

"Ah, sabe como é, a mesma coisa. Gente importante, comida cara e discursos inflamados. Mas eu vi você, Elias, parecia que estava em outro planeta. Algo te incomodou?" Sofia era sua irmã, e apesar de suas vidas serem tão diferentes, ela tinha uma percepção aguda sobre ele.

"Talvez eu tenha visto algo que me chamou a atenção", Elias respondeu, sem entrar em detalhes. Ele não estava pronto para falar sobre Luna.

"Interessante... Bem, estou te ligando por outro motivo. Lembra daquela casa de praia que papai nos deixou em Ilhabela? Aquela que está vazia há anos?"

Elias franziu a testa. "Sim. Por quê?"

"Pois bem, eu tive uma ideia. Estou precisando fugir um pouco dessa loucura toda. Queria passar umas semanas lá, respirar um ar diferente, me reconectar comigo mesma. E pensei que seria ótimo se você viesse comigo. Seria um bom momento para vocês dois relaxarem, sabe? Fugir um pouco dessa sua torre de marfim."

A ideia de Elias em Ilhabela, longe dos negócios e da rotina, parecia irreal. Ele nunca havia pensado em passar férias. A ideia de um lugar tranquilo, de mar e sol, soou tentadora, quase como uma miragem em seu deserto de trabalho.

"Ilhabela? Sofia, você sabe que eu não tiro férias."

"Exatamente por isso! É uma emergência, meu querido irmão. Uma emergência de bem-estar. Pense nisso, Elias. A casa está linda, o mar é cristalino, e podemos finalmente ter um tempo de verdade juntos, sem interrupções. Sem reuniões, sem planilhas, sem preocupações. Apenas nós e o oceano. E quem sabe, talvez você encontre algo que te faça sorrir de verdade, não apenas aquele sorrisinho de negociação." A última frase foi dita com um tom brincalhão, mas carregava uma verdade incômoda.

Elias ficou em silêncio, ponderando. A ideia de estar longe da cidade, longe de tudo que o prendia a essa vida solitária, era irresistível. E a menção de "encontrar algo que o fizesse sorrir de verdade" o atingiu em cheio. A imagem de Luna voltou à sua mente. Seria possível que ele a encontrasse novamente em Ilhabela? A ideia era absurda, mas o coração, aquele órgão que ele tentava manter adormecido, parecia pulsar com uma esperança tênue.

"Deixe-me pensar, Sofia", ele disse, sua voz mais suave.

"Pense, Elias. Mas pense rápido. Quero ir na próxima semana. A casa está esperando por nós. Imagine só: você, eu, o mar, o sol... talvez até um pouco de arte, quem sabe?" Ela acrescentou a última parte com uma sugestão implícita. Elias sabia que Sofia, com sua sensibilidade artística, provavelmente já teria planos para trazer inspiração para o refúgio.

Após desligar, Elias sentiu uma agitação incomum. A proposta de Sofia era um convite para sair de sua zona de conforto, para se permitir a vulnerabilidade de um ambiente menos controlado. Ele se aproximou de sua mesa e pegou seu tablet. Com alguns cliques, ele acessou os arquivos da Vance Tech relacionados à casa de Ilhabela. Era uma propriedade antiga, herdada de seu pai, que ele raramente visitava.

Ele olhou para as fotos. A casa, uma construção colonial charmosa, estava cercada por uma vegetação exuberante, com vista para o mar azul-turquesa. Era um refúgio, um lugar para se desconectar. E Elias sentiu a necessidade desesperada de se desconectar. Aquele encontro com Luna havia sido um vislumbre de uma realidade diferente, uma que ele não sabia que desejava.

Ele pegou o telefone e discou o número de sua assistente. "Clotilde, quero que você organize minha agenda para as próximas três semanas. Preciso de cancelamentos, adiamentos. Quero estar indisponível. E providencie uma viagem para Ilhabela. Para mim e para a senhorita Sofia. Para a nossa casa lá. O mais rápido possível."

Clotilde, como sempre, não fez perguntas. "Imediatamente, Senhor Vance."

Na manhã seguinte, Elias estava em seu helicóptero particular, sobrevoando a Baixada Santista. O mar cintilava abaixo, um espelho azul-turquesa que refletia o céu sem nuvens. Sofia estava sentada ao seu lado, radiante.

"Não acredito que você cedeu, Elias! Que maravilha!", ela exclamou, abraçando-o.

"Não se acostume", Elias brincou, sentindo um leve alívio. "Preciso apenas de um tempo para pensar."

Ao pousarem na pista particular da propriedade, a brisa marinha, carregada com o aroma salgado do oceano e o perfume das flores tropicais, os envolveu. A casa era ainda mais charmosa do que nas fotos. As paredes brancas, a varanda convidativa, as janelas amplas que deixavam a luz do sol entrar. Era um mundo à parte, longe do burburinho da cidade.

Os primeiros dias foram de adaptação. Elias explorou a propriedade, caminhando pela praia, sentindo a areia entre os dedos dos pés, observando as ondas quebrando na costa. Ele sentiu a tensão se dissipar gradualmente. Sofia, por outro lado, já estava em seu elemento. Ela havia trazido consigo telas, tintas e um cavalete. Passava horas pintando na varanda, com o mar como sua inspiração.

"Você devia tentar pintar, Elias", ela disse um dia, observando-o contemplar o horizonte. "Liberar um pouco dessa alma presa."

Elias riu. "Minha alma não está presa, Sofia. Está apenas... organizada."

"Organizada demais. Talvez você precise de um pouco de caos criativo."

Um dia, enquanto caminhava por uma trilha na mata que levava a uma praia mais isolada, Elias ouviu o som de um pincel deslizando sobre a tela. Seu coração disparou. Seria possível? Ele se aproximou com cautela, a curiosidade aguçando seus sentidos. E lá estava ela. Luna.

Ela estava sentada em uma pedra, pintando o mar com a mesma intensidade que vira no parque. Seus cabelos estavam presos em um coque desajeitado, e ela usava um vestido leve de verão. A luz do sol filtrava pelas folhas das árvores, criando um jogo de sombras em seu rosto. Ela não o viu. Elias ficou ali, observando-a, sentindo uma onda de emoções contraditórias. Ele não esperava encontrá-la ali. Era uma coincidência tão improvável que parecia obra do destino.

Ele deu um passo à frente, a grama seca sob seus pés ecoando. Luna levantou a cabeça, seus olhos verdes encontrando os dele. Havia surpresa em seu olhar, mas também um brilho de reconhecimento e, talvez, de alegria.

"Elias?", ela disse, sua voz um sussurro surpreso.

Elias sentiu seu coração acelerar. "Luna. Que... que coincidência."

"Eu diria que é mais do que coincidência", ela sorriu, um sorriso tímido e encantador. "O que você está fazendo aqui?"

"Minha irmã me convenceu a vir passar umas semanas. Fugir um pouco da cidade. E você?"

"Eu venho aqui com frequência. É um lugar que me inspira muito. E eu trabalho em uma galeria de arte aqui perto."

Uma galeria de arte. Elias imaginou Luna cercada por obras de arte, sua paixão pela beleza florescendo em um ambiente propício. Ele sentiu um desejo intenso de conhecê-la melhor, de desvendar os mistérios que ela guardava.

"Galeria de arte? Interessante", ele disse. "Eu sou um grande apreciador de arte, sabia?"

Luna riu. "A julgar pela sua aura de homem de negócios, não imaginei."

"Engana-se. Há mais em mim do que você pensa." Elias sentiu uma pontada de desafio em suas próprias palavras.

Eles conversaram por um longo tempo ali, à beira-mar. Luna falou sobre seu amor pela arte, sobre sua busca por inspiração, sobre sua vida em Ilhabela. Elias, surpreendentemente, se abriu um pouco. Falou sobre a pressão de seu trabalho, sobre a solidão que sentia, sobre o vazio que a riqueza não preenchia. Pela primeira vez, ele se sentiu compreendido, não apenas como o bilionário Elias Vance, mas como um homem.

"É bom saber que nem todo mundo te vê apenas como um monstro de dinheiro", Luna disse, com um sorriso gentil.

"Eu não sou um monstro", Elias respondeu, com um leve tom de mágoa.

"Eu sei. Eu vi em seus olhos, lá no parque. Havia algo mais."

O sol começou a se pôr, pintando o céu com tons alaranjados e rosados. A cena era de uma beleza estonteante, e Elias sentiu uma paz que há muito não experimentava. A presença de Luna era como um bálsamo para sua alma.

"Eu preciso ir", Luna disse, relutantemente. "Tenho que voltar para a galeria."

"Eu também preciso ir. Minha irmã deve estar me procurando." Elias hesitou, um novo impulso tomando conta dele. "Luna, você gostaria de... jantar comigo esta noite? Em um lugar mais tranquilo, talvez?"

Luna o olhou, seus olhos verdes brilhando com expectativa. "Eu adoraria, Elias."

Um sorriso genuíno iluminou o rosto de Elias. Ele sentiu que algo estava mudando, que essa fuga da realidade estava se transformando em algo muito mais profundo. A solidão que o assombrava parecia diminuir a cada momento que passava com Luna. Ele havia fugido da cidade, mas talvez, apenas talvez, tivesse encontrado algo que o prendesse a este novo lugar, a esta nova sensação.

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