Amor Proibido nas Sombras
Absolutamente! Prepare-se para mergulhar de cabeça em "Amor Proibido nas Sombras", onde a paixão ferve e os segredos se desdobram como jiboias em noite de caça. Rodrigo Azevedo, aqui!
por Rodrigo Azevedo
Absolutamente! Prepare-se para mergulhar de cabeça em "Amor Proibido nas Sombras", onde a paixão ferve e os segredos se desdobram como jiboias em noite de caça. Rodrigo Azevedo, aqui!
Capítulo 11 — O Despertar da Loba
A chuva caía impiedosa sobre São Paulo, batendo contra as janelas da cobertura de Rafael como um lamento. Cada gota parecia ecoar o turbilhão que se instalara em sua alma. Ele estava sentado em sua poltrona de couro, o copo de uísque esquecido na mão, a luz fraca do abajur lançando sombras dançantes em seu rosto. A imagem de Sofia, nua sob a luz da lua, o assombrava. Não era apenas a beleza estonteante que o prendia, mas a vulnerabilidade que ela ousou expor, a faísca de confiança em seus olhos quando ela se entregou a ele. Era perigoso. Mais perigoso do que qualquer acordo de negócios ou confronto com rivais.
Sofia, por outro lado, estava em seu pequeno apartamento no centro, a mesma chuva a lavar o asfalto lá fora, mas incapaz de limpar a marca deixada por Rafael. O beijo. O toque. A entrega. Ela se sentia como um pássaro recém-liberto de uma gaiola, tonto com a liberdade, mas assustado com a vastidão do céu. A promessa de segurança que ele representava era tentadora, um oásis em seu deserto de incertezas. Mas ele era Rafael Vasconcelos, o homem que comandava o submundo, o homem que todos temiam. E ela era Sofia Alencar, a filha do homem que ele, de certa forma, havia destruído.
O telefone tocou, estridente, quebrando o silêncio carregado de pensamentos. Era Marcelo, o braço direito de Rafael, com a voz tensa. "Chefe, temos um problema. Um dos nossos informantes viu o Davi com um homem que não reconhecemos, perto do antigo galpão na Zona Leste. O homem parecia estar entregando algo para o Davi."
Rafael sentiu um arrepio de raiva percorrer sua espinha. Davi. Aquele verme sempre tentava se esgueirar pelas beiradas, buscando oportunidades onde não devia. "Que tipo de homem? Alguma descrição?"
"Alto, forte, com uma cicatriz no rosto, perto do olho esquerdo. E ele estava com uma maleta. Parecia couro, velha."
Uma cicatriz. A descrição batia com os boatos sobre um homem conhecido como "O Sombra", um mercenário que trabalhava para quem pagasse melhor, sem lealdade a ninguém. Rafael apertou o copo com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Davi estava se arriscando, tentando uma jogada pessoal, possivelmente vendendo informações ou algo mais valioso para o inimigo. "Eles foram para onde?"
"Desapareceram na multidão. Mas o informante disse que ouviu Davi falar algo sobre 'a entrega ser finalizada'. Chefe, o Davi não é confiável, sabemos disso."
"Eu sei. Quero Davi encontrado. Vivo, se possível. E quero saber o que ele estava negociando. Leve o pessoal. Use a cautela. Se ele tentar fugir, traga-o a qualquer custo." Rafael desligou, o olhar fixo no nada. A traição, mesmo a mais mesquinha, era um veneno lento.
No dia seguinte, Sofia decidiu que não podia mais se esconder. A sensação de estar sendo observada a atormentava. Ela precisava de respostas. Ela pegou o carro e dirigiu até o escritório de seu pai, o lugar que um dia foi seu santuário. A porta estava trancada, mas ela tinha a chave que seu pai lhe dera anos atrás, um gesto de confiança que agora parecia quase irônico.
Ao entrar, o cheiro de poeira e mofo a envolveu. A mobília estava coberta por lençóis brancos, fantasmas de um passado que parecia tão distante. Ela andou pela sala principal, seus olhos percorrendo os objetos que um dia foram familiares. Havia uma caixa antiga no canto, que ela nunca vira antes. Curiosa, ela a abriu. Dentro, encontrou pilhas de documentos antigos, cartas e uma pequena agenda de capa de couro desbotada.
Ela folheou a agenda, encontrando datas e nomes que não lhe diziam nada. Mas em uma página específica, marcada com um pequeno coração desenhado a lápis, havia uma anotação: "Encontro com V. – Hotel Aurora, 10 da noite. Assunto: o acordo final." A data era de três dias antes da morte de seu pai. "V." Quem era "V."? Seria alguma sigla?
Enquanto isso, Rafael, sentindo a ameaça de Davi crescer, decidiu que precisava ter mais certeza sobre o que estava acontecendo. Ele sabia que Sofia tinha acesso a informações que ele não tinha, especialmente sobre os negócios de seu pai. Ele a procurou em seu apartamento, mas ela não estava lá. Frustrado, ele ligou para Marcelo. "Sofia não está em casa. Você sabe onde ela pode ter ido?"
"Chefe, o informante que vigiava o prédio dela disse que ela saiu mais cedo hoje, com um destino incerto. Mas ele a viu passar perto do antigo escritório do senhor Alencar."
Um lampejo de entendimento surgiu nos olhos de Rafael. O escritório. Era um lugar que Sofia relutava em revisitar. Ele seguiu para lá, um pressentimento ruim crescendo em seu peito. Ao chegar, viu o carro dela estacionado na rua. Ele entrou, a respiração suspensa. Ele a encontrou na sala principal, sentada no chão, rodeada de papéis, com os olhos fixos em uma agenda.
"Sofia?" Sua voz era um sussurro.
Ela se virou, assustada, e deixou cair a agenda. Os olhos dela encontraram os dele, um misto de medo e determinação. "Rafael. Eu... eu estava procurando por respostas."
Ele se aproximou, ajoelhando-se ao lado dela. "Que respostas você está procurando, Sofia?"
Ela pegou a agenda, as mãos tremendo levemente. "Esta agenda. Do meu pai. Tem uma anotação aqui. 'Encontro com V. – Hotel Aurora, 10 da noite. Assunto: o acordo final.' Três dias antes dele morrer."
Rafael pegou a agenda, seus olhos percorrendo a anotação. "V." Ele pensou em todos os nomes em seu mundo. E então, um nome veio à tona, um nome que ele não ousava mencionar abertamente, mas que pairava como uma sombra sobre todos eles: Valerio. Valerio Mancini. Um dos mais antigos e poderosos chefes da máfia em Nápoles, com conexões profundas em São Paulo. Era ele quem controlava a rota de contrabando de drogas de luxo e armas que passava pela cidade.
"Você acha que 'V' é Valerio Mancini?", Sofia perguntou, sua voz embargada.
Rafael assentiu, a testa franzida. "É uma forte possibilidade. Ele é o único com poder e influência para fazer um 'acordo final' que poderia custar a vida do seu pai." Ele olhou para ela, seus olhos transmitindo uma intensidade que a fez prender a respiração. "Isso significa que a morte do seu pai não foi um acidente, Sofia. Foi um acerto de contas."
A realidade a atingiu como um soco no estômago. Seu pai, assassinado. Por Valerio Mancini. E Rafael sabia disso. Ele sabia mais do que ele deixava transparecer. A confiança que ela depositara nele, a atração que sentia, tudo agora estava manchado pela dúvida. Ela se levantou, afastando-se dele.
"E você sabia disso, Rafael? Você sabia que meu pai estava envolvido em algo tão perigoso? Você sabia que ele estava prestes a fazer um acordo com Valerio Mancini?"
Rafael se levantou também, seu olhar fixo no dela, uma mistura de dor e resignação. "Eu suspeitava, Sofia. Seu pai era um homem ambicioso, ele queria expandir seus negócios, mas ele subestimou os riscos. E Valerio Mancini não brinca em serviço."
"Você me disse que ele morreu em um acidente de carro!", a voz de Sofia subiu, carregada de mágoa. "Você mentiu para mim!"
"Eu precisava te proteger, Sofia. Naquele momento, a verdade seria um fardo pesado demais. E, para ser honesto, eu ainda estava descobrindo as peças do quebra-cabeça. Mas agora..." Ele hesitou, o conflito em seus olhos. "Agora eu sei que precisamos agir. Valerio Mancini é um inimigo que não podemos ignorar. E você, Sofia, não está mais sozinha nessa."
Ele deu um passo à frente, sua mão estendendo-se em direção a ela, mas parando no ar. A proximidade deles era eletrizante, mas a barreira de desconfiança era palpável. Sofia olhou para a mão dele, depois para o rosto dele, a guerra em seus olhos. Ela sentia a atração inegável, a promessa de proteção, mas a sombra da verdade e da traição pairava entre eles. Ela podia sentir a loba dentro dela despertar, feroz e protetora, mas também hesitante. Confiar em Rafael era um risco, um risco que poderia custar tudo. Mas não confiar nele... era um risco ainda maior.