Amor Proibido nas Sombras

Capítulo 12 — O Fio da Navalha

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 12 — O Fio da Navalha

O silêncio na sala do escritório de seu pai era denso, quebrado apenas pelo som da chuva que agora parecia mais um sussurro melancólico do que um lamento. Sofia olhava para Rafael, o reflexo da verdade cruel cintilando nos olhos dele, e sentia seu mundo tremer em seus alicerces. A mentira, por mais bem intencionada que fosse, havia criado uma fenda entre eles, uma ferida que sangrava com a desconfiança.

"Você mentiu para mim, Rafael", a voz de Sofia, antes firme, agora soava trêmula, carregada de uma dor que ela mal conseguia conter. Cada palavra era uma punhalada em seu próprio coração, pois uma parte dela, a parte que se permitira sonhar com a proteção dele, se sentia traída.

Rafael a encarou, seus olhos escuros, profundos como a noite sem estrelas, fixos nos dela. Ele não desviava o olhar, e essa honestidade crua, mesmo com a mentira passada, era algo que ela não podia ignorar. "Eu precisava te proteger, Sofia. A verdade seria um fardo pesado demais para você carregar naquele momento. E eu ainda estava descobrindo as peças do quebra-cabeça. Mas agora...", ele fez uma pausa, sua voz um pouco mais grave, "agora eu sei que Valerio Mancini está por trás disso. E você não está mais sozinha nessa."

Ele deu um passo à frente, a mão estendida, um convite silencioso para que ela se aproximasse. A proximidade deles era um campo minado de emoções. O cheiro dele, uma mistura inebriante de couro, uísque e algo mais selvagem, a envolvia, tentando seduzir seus sentidos, mas a razão lutava ferozmente contra o instinto. Ela podia sentir o calor irradiando dele, a promessa de força e segurança, mas a sombra do passado, do pai assassinado e da traição, pairava como um véu espesso entre eles.

"Proteger?", Sofia repetiu, um riso amargo escapando de seus lábios. "Você a chamou de proteção? Deixar-me acreditar que meu pai morreu em um acidente idiota, enquanto você, que talvez soubesse a verdade, observava em silêncio?" Ela cruzou os braços, o corpo tenso, a postura defensiva. A loba dentro dela estava alerta, desconfiada.

"Não foi silêncio, Sofia. Foi uma estratégia. Para que eu pudesse investigar, para que eu pudesse descobrir quem realmente estava por trás da morte dele, e por quê. E para que eu pudesse te manter fora do perigo. Valerio Mancini é um homem implacável. Se ele soubesse que você estava buscando a verdade, sua vida estaria em perigo iminente." A voz de Rafael era firme, mas havia uma ponta de urgência nela que Sofia percebeu.

Ele pegou a agenda que ela havia deixado cair no chão, seus dedos longos e fortes folheando as páginas antigas até a anotação marcada. "O acordo final com Valerio. Seu pai era um homem que gostava de jogar alto, Sofia. Ele estava tentando negociar algo grande, algo que Valerio não estava disposto a ceder facilmente. E aparentemente, essa negociação terminou em tragédia."

Sofia olhou para ele, a mente correndo em mil direções. Valerio Mancini. O nome ressoava com um poder sombrio, um nome que seu pai evitava mencionar, mas que ela sabia que representava um perigo imenso no mundo em que ele navegava. "O que ele queria com Valerio? O que seu pai estava disposto a fazer?"

"Isso é o que precisamos descobrir", respondeu Rafael, seus olhos fixos nos dela, uma intensidade que a fez prender a respiração. "Ele queria expandir seus negócios, alcançar um novo patamar. Mas a ambição às vezes cega até os mais astutos. E Valerio Mancini não é alguém com quem se brinca." Ele se aproximou mais, o espaço entre eles diminuindo, tornando-se quase insuportável. "Ele é perigoso, Sofia. Muito perigoso."

O aroma dele a envolveu, e por um instante, Sofia permitiu que a proteção que ele prometia a envolvesse. Ela sentiu um desejo profundo de se inclinar, de se entregar à força dele, de deixar que ele a guiasse através dessa tempestade de incertezas. Mas a imagem do pai, a dor da perda, a acusação de mentira, tudo isso a mantinha firme. Ela precisava de mais do que promessas. Precisava de verdade.

"Eu preciso saber tudo, Rafael. Tudo o que você sabe sobre Valerio Mancini. Tudo o que você suspeita sobre a morte do meu pai. Se você quer que eu confie em você, se você quer que eu acredite que não estou sozinha, você precisa me contar a verdade nua e crua. Sem eufemismos, sem proteções. Eu não sou mais a garota ingênua que você conheceu."

Rafael suspirou, um som pesado de resignação e reconhecimento. Ele sabia que ela tinha razão. A confiança, uma vez quebrada, só pode ser reconstruída com total transparência. Ele caminhou até a janela, olhando para a chuva que continuava a cair sobre a cidade, as luzes distantes piscando como estrelas caídas.

"Valerio Mancini", ele começou, sua voz baixa e rouca, como se estivesse proferindo um sacrilégio, "é um fantasma que assombra este país há décadas. Ele controla rotas de contrabando, lavagem de dinheiro, extorsão. Ele é um mestre da manipulação, com tentáculos que se estendem por todos os cantos. Ele nunca suja as próprias mãos diretamente, mas seus inimigos... desaparecem. Para sempre."

Ele se virou para ela, seus olhos escuros queimando com uma intensidade sombria. "Seu pai, ele tentou fazer um acordo com Valerio para ter acesso a uma nova rota de contrabando de diamantes. Diamantes brutos de alta qualidade, que seriam revendidos em São Paulo com margens de lucro altíssimas. Mas Valerio não gosta de dividir seu império. Ele vê qualquer um que tente entrar em seu território como uma ameaça."

Sofia sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Diamantes. Seu pai sempre fora fascinado por eles, pela beleza e pelo valor. Mas ela nunca imaginou que isso o levaria tão longe.

"Valerio tem uma política: se alguém o desafia, ele elimina a ameaça e assume o que quer que essa pessoa tenha tentado ganhar. Acredito que seu pai tenha tentado negociar o controle de parte dessa rota de diamantes, e Valerio decidiu que seria mais fácil simplesmente tirá-lo do caminho e pegar tudo para si. O acidente de carro foi encenado. Um carro quebrado na estrada, uma colisão previsível. Uma forma limpa de se livrar de um problema."

As palavras de Rafael a atingiram como pedras. O choque inicial deu lugar a uma fúria fria e controlada. Seu pai, assassinado por um homem que ela nunca vira, mas cuja crueldade sentia em cada fibra de seu ser. "E você sabia disso o tempo todo?", ela perguntou, a voz carregada de uma acusação que Rafael não pôde negar.

Ele hesitou por um momento, o conflito em seus olhos. "Eu suspeitava. As informações não batiam, os relatos do acidente não faziam sentido. E eu sabia que seu pai estava se aproximando de Valerio. Mas eu não tinha provas concretas. E eu precisava ser cuidadoso. Valerio tem olhos e ouvidos em todos os lugares." Ele deu outro passo à frente, sua mão agora pairando perto do braço dela, um convite não dito para que ela se aproximasse. "Sofia, eu não te contei tudo porque não queria te expor a esse perigo. Mas você é forte. Mais forte do que imagina. E agora que você sabe, não podemos recuar."

Sofia olhou para a mão dele, e depois para os olhos dele. Havia uma sinceridade ali, uma vulnerabilidade que o homem que comandava o submundo raramente mostrava. Ela sentiu a necessidade de confiar nele, de se agarrar a essa promessa de proteção em meio ao caos que se desenrolava. Ela estendeu a mão, seus dedos roçando os dele.

"Então, o que fazemos agora, Rafael?", ela perguntou, sua voz um sussurro, mas carregada de uma nova determinação. A loba havia despertado completamente, e ela não era mais a presa. Ela era uma guerreira.

Rafael apertou a mão dela suavemente, um elo se formando entre eles, frágil, mas poderoso. "Agora, Sofia", disse ele, seu olhar escuro transmitindo uma promessa de vingança e justiça, "nós vamos caçar. E vamos garantir que Valerio Mancini pague por tudo o que ele fez."

Naquela noite, a chuva finalmente parou. Mas as tempestades dentro de Sofia e Rafael estavam apenas começando. Eles estavam conectados por um fio de navalha, um fio de amor proibido, desejo e uma sede de justiça que os levaria às profundezas mais sombrias do submundo paulistano.

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