Amor Proibido nas Sombras

Capítulo 2 — O Voo para o Desconhecido

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 2 — O Voo para o Desconhecido

O cheiro de couro e metal do jato particular da Bastos Corp era familiar, mas hoje trazia consigo um aroma de despedida amarga. Sofia encarava a janela, a paisagem de São Paulo se tornando uma tapeçaria abstrata enquanto o avião ganhava altitude. Cada nuvem que deixava para trás parecia levar consigo um pedaço de sua antiga vida, um resquício de sua inocência. O convite sombrio de seu pai, a exigência de Giovanni Rossi, ecoava em sua mente como uma sentença. Ela sabia que não tinha escolha. A ameaça implícita de seu pai, o poder que emanava de Giovanni Rossi, eram correntes pesadas que a arrastavam para um destino que ela não desejava.

Ao seu lado, uma mala de design impecável repousava, contendo as poucas coisas que ela considerou essenciais para essa viagem forçada. Um vestido elegante para a apresentação oficial, alguns livros para tentar encontrar refúgio em histórias alheias, e um pequeno diário onde ela esperava, em vão, poder despejar seus medos.

Uma aeromoça, com um sorriso profissionalmente polido, aproximou-se. "Senhorita Bastos, o Sr. Rossi enviou uma cesta de frutas exóticas. Ele espera que goste."

Sofia agradeceu com um aceno de cabeça, o estômago apertando. Giovanni Rossi. O nome já provocava um arrepio. Ela sabia tudo sobre ele, o que as notícias e os boatos diziam: um homem de negócios implacável, um líder da máfia italiana com tentáculos que se estendiam por todo o globo. Um homem temido, respeitado e, acima de tudo, perigoso. E agora, ela seria entregue a ele.

Enquanto o avião cortava o céu, Sofia tentava organizar seus pensamentos. Seu pai a tinha deixado sem opções. Uma recusa direta significaria não apenas o colapso da Bastos Corp, mas também um perigo real para sua própria vida. Arthur Bastos, em sua ambição desmedida, havia a colocado em uma posição insustentável, usando-a como escudo para seus próprios acordos escusos. A raiva borbulhava dentro dela, mas era temperada por um medo profundo e paralisante.

Horas depois, a paisagem verdejante e montanhosa da Itália se desenrolou sob o avião. Não era a Roma dos cartões postais que ela conhecia, mas uma região mais afastada, onde os vilarejos pareciam aninhados como segredos entre as colinas. O aeroporto privado era pequeno e discreto, com poucos funcionários visíveis.

Um carro preto e lustroso, um Maserati clássico, a aguardava na pista. Ao seu lado, um homem corpulento, com um terno escuro e um olhar impenetrável, abriu a porta para ela. "Senhorita Bastos. Bem-vinda. Sou Marco, o motorista."

A voz de Marco era rouca, sem emoção. Sofia assentiu, sentindo-se como um pacote valioso a ser entregue. A viagem até a propriedade de Rossi foi longa e sinuosa, as estradas estreitas e ladeadas por ciprestes altos. A paisagem era de uma beleza austera, mas para Sofia, cada curva parecia levar a um destino mais sombrio.

Finalmente, chegaram a um imponente portão de ferro forjado, encimado pelo brasão dos Rossi. A mansão que se erguia no topo da colina era uma visão de opulência antiga, com muros de pedra que pareciam ter visto séculos de história. Jardins bem cuidados, estátuas clássicas e uma fonte central completavam o cenário de uma beleza quase ameaçadora.

Marco a conduziu por um corredor suntuoso, os pisos de mármore frio sob seus sapatos. Os retratos de ancestrais de semblante severo a observavam de suas molduras douradas, como se julgassem sua presença. A cada passo, Sofia sentia o peso da história e do poder que emanavam daquele lugar.

E então, ela o viu.

Giovanni Rossi estava em uma varanda espaçosa, olhando para o vale. Ele era diferente das imagens que ela vira. Mais alto, com uma presença que preenchia o ambiente. Seus cabelos escuros estavam penteados para trás, revelando um rosto marcado pela vida, com traços fortes e um queixo proeminente. Seus olhos, de um castanho tão escuro que pareciam quase negros, fixaram-se nela no momento em que ela entrou na varanda. Havia uma intensidade neles que a fez hesitar, uma combinação de inteligência afiada e um perigo latente.

"Sofia," ele disse, sua voz profunda e com um sotaque italiano marcante. Não era uma pergunta, mas uma constatação. Ele se aproximou, um sorriso sutil brincando em seus lábios. Um sorriso que não alcançava seus olhos. "Bem-vinda à minha casa. Ou, como prefiro pensar, ao nosso futuro."

Sofia sentiu um nó na garganta. Ele era ainda mais intimidante pessoalmente. Ela tentou reunir sua compostura, a herdeira da Bastos Corp falando. "Sr. Rossi. Agradeço o convite."

Giovanni Rossi riu, um som baixo e rouco. "Convite? Minha querida Sofia, você sabe que isto não foi um convite. Foi uma necessidade. E você, como uma Bastos, cumpre suas obrigações." Ele a circulou lentamente, seus olhos a examinando como se ela fosse uma mercadoria valiosa. Era um olhar que a desnudava, que a fazia sentir-se exposta e vulnerável. "Seu pai é um homem sábio. Ele entende o valor de uma aliança verdadeira."

"Meu pai age por seus próprios interesses," Sofia respondeu, sua voz firme, apesar do tremor interno. "Eu estou aqui porque não tive outra escolha."

O sorriso de Rossi se alargou, um lampejo de crueldade em seus olhos. "A escolha, Sofia, é sempre uma ilusão. Especialmente quando se trata de poder. Mas não se preocupe. Você estará segura aqui. E, quem sabe, talvez você até encontre algo de… interessante em sua nova vida." Ele estendeu a mão, seus dedos longos e fortes tocando o queixo dela, levantando seu rosto para encará-lo. "Seu olhar tem fogo, Sofia Bastos. Eu gosto disso."

Sofia recuou instintivamente, o toque dele enviando ondas de repulsa e um estranho fascínio pelo corpo. "Eu não sou um prêmio, Sr. Rossi. Eu sou uma pessoa."

"E eu sou um homem que obtém o que deseja," ele respondeu, seus olhos fixos nos dela. "E neste momento, eu desejo você. Seu pai sabe disso. E você sabe disso." Ele deu um passo para trás, um gesto de cortesia forçada. "Marco a levará ao seu quarto. Descanse. Teremos muito tempo para conversar. E para… nos conhecermos melhor."

Enquanto Marco a guiava para o interior da mansão, Sofia sentia o peso de seus olhares sobre as costas. Ela estava presa. Presa em uma jaula dourada, nas mãos de um homem que representava tudo o que ela temia. A beleza da Itália agora parecia uma armadilha, a opulência da mansão, um cenário para seu sofrimento.

O quarto era luxuoso, com uma cama king-size envolta em lençóis de seda, uma vista deslumbrante para o vale e um banheiro que parecia um spa. Mas para Sofia, era apenas uma cela mais confortável. Ela se sentou na beirada da cama, a sensação de desespero a inundando. Tentar fugir seria suicídio. Lutar contra Rossi seria inútil. O que restava? Apenas esperar. Esperar que alguma brecha surgisse, alguma oportunidade de redenção.

Ela olhou para a janela, para o céu que começava a escurecer. As estrelas pontilhavam o firmamento, indiferentes à sua sina. Eram as mesmas estrelas que brilhavam sobre São Paulo, sobre sua casa, sobre a vida que ela deixara para trás. Uma vida que, ela sabia agora, nunca mais seria a mesma. A sombra de Giovanni Rossi pairava sobre ela, um prenúncio de um romance proibido, forjado em acordos obscuros e destinos entrelaçados. A noite na Itália era fria, mas o calor do perigo iminente a consumia.

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