Amor Proibido nas Sombras

Capítulo 3 — Sombras e Suspeitas

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 3 — Sombras e Suspeitas

Os dias seguintes na mansão Rossi foram um borrão de formalidades e observação silenciosa. Sofia era tratada com uma polidez impecável, quase opressiva. Garçons impecáveis serviam refeições suntuosas, e um guarda-costas discreto, mas onipresente, a seguia para todos os lados. A mansão era um labirinto de corredores repletos de arte e história, cada cômodo mais opulento que o anterior. Mas para Sofia, era uma prisão.

Giovanni Rossi aparecia esporadicamente, geralmente ao entardecer. Seus encontros eram breves, mas carregados de uma tensão palpável. Ele a observava com uma curiosidade calculista, como se tentasse decifrar seus pensamentos mais profundos. Seus olhos, antes apenas intimidadores, agora pareciam carregar um fascínio sombrio, uma atração perigosa pela resistência que ela demonstrava.

"Você está adaptando-se bem, Sofia?" ele perguntou em uma tarde, enquanto tomavam café em um jardim isolado, repleto de roseiras vermelhas e estátuas antigas.

Sofia tomou um gole de seu café, os olhos fixos nas pétalas carmesim. "Adaptar-se a uma gaiola não é o mesmo que estar bem, Sr. Rossi."

Ele sorriu, um brilho divertido em seus olhos escuros. "Gaiola? Eu a chamaria de santuário. Um lugar onde você está protegida das tempestades do mundo. E de certas pessoas." A menção a seu pai foi sutil, mas Sofia sentiu o peso da advertência.

"Agradeço a proteção, mas prefiro enfrentar minhas próprias tempestades."

Giovanni Rossi aproximou-se, seu perfume amadeirado misturando-se ao aroma das rosas. "Ninguém pode enfrentar as tempestades sozinhas, Sofia. Algumas tempestades são grandes demais. E algumas precisam ser travadas com aliados." Ele pausou, seus olhos fixos nos dela. "E você e eu, gostando ou não, agora somos aliados."

Sofia desviou o olhar, sentindo um arrepio na espinha. A palavra "aliados" soava oca, carregada de um significado que ela não ousava admitir. A proximidade dele era sufocante, a intensidade de seu olhar uma provocação constante. Ela sentia uma dualidade perturbadora: medo e uma atração inegável pelo perigo que ele representava.

Em uma noite chuvosa, enquanto estava em seu quarto, tentando se perder em um livro, Sofia ouviu um barulho sutil no corredor. Não era o som familiar dos passos de seu guarda-costas. Era mais furtivo, mais deliberado. Ela congelou, o coração acelerado.

Levantou-se com cuidado, aproximando-se da porta e espiando pelo olho mágico. A luz fraca do corredor revelou uma figura encapuzada, movendo-se com agilidade surpreendente. A pessoa parecia estar vasculhando os quartos, um ladrão em meio à opulência.

Antes que Sofia pudesse reagir, a figura se virou em sua direção. Em um movimento rápido, ela agarrou um pequeno vaso de cerâmica da mesinha lateral e o arremessou contra a porta. O estrondo ecoou pelo silêncio da noite.

Imediatamente, o guarda-costas de Sofia apareceu, empunhando uma arma. A figura encapuzada, assustada, fugiu escada abaixo, desaparecendo nas sombras da mansão.

"Senhorita Bastos! Você está bem?" o guarda-costas perguntou, sua voz tensa.

"Sim," Sofia respondeu, ainda tremendo. "O que foi isso?"

"Não sei, senhorita. Mas algo não está certo."

Na manhã seguinte, a mansão estava agitada. Giovanni Rossi convocou uma reunião de emergência com seus homens de confiança. Sofia, por ser a "hóspede" de honra, foi convidada a participar. Ela sentou-se em uma longa mesa de madeira polida, observando os homens sentados ao redor, seus rostos marcados por uma vida de perigos e lealdade cega.

Giovanni Rossi explicou o incidente com uma calma fria que era mais assustadora do que qualquer explosão de raiva. "Alguém tentou invadir esta propriedade ontem à noite. Um ato de audácia que não passará impune." Seus olhos percorreram os rostos de seus homens, buscando qualquer sinal de dúvida ou hesitação. "Quero que descubram quem foi. E quero que a pessoa responsável seja trazida até mim. Viva ou morta."

O olhar dele, então, pousou em Sofia. "E você, Sofia. Essa invasão pode ter sido um aviso. Um aviso para você. Alguém não quer que esta aliança se concretize."

Sofia sentiu um frio na barriga. Ela sabia que seu pai, em sua teimosia, poderia ter inimigos que não se agradavam da fusão. Mas ela também sabia que havia uma rede complexa de lealdades e traições dentro do próprio mundo de Giovanni Rossi.

Durante os dias seguintes, uma atmosfera de desconfiança pairou sobre a mansão. Os homens de Rossi investigavam discretamente, mas com uma eficiência implacável. Sofia observava tudo, tentando captar alguma pista, algum vislumbre da verdade. Ela começou a notar olhares furtivos, conversas sussurradas que cessavam quando ela se aproximava.

Um dia, enquanto explorava a biblioteca da mansão, um lugar onde ela buscava refúgio, Sofia encontrou um livro antigo sobre a história da família Rossi. Folheando suas páginas, ela se deparou com um retrato de um jovem homem, com traços familiares, mas com uma expressão mais rebelde e sombria. O nome abaixo da foto era "Antonio Rossi". Uma nota a lápis, quase apagada, dizia: "O filho perdido. O que nunca foi aceito."

Sofia sentiu um arrepio. Um filho perdido? Poderia haver uma disputa interna na família Rossi? Uma sombra no passado que agora ameaçava o presente?

Naquela noite, Giovanni Rossi a convidou para um passeio pelos jardins. A lua cheia banhava a paisagem em uma luz prateada, criando um clima quase romântico. Mas para Sofia, a tensão era palpável.

"Você anda pensativa, Sofia," ele disse, sua voz suave, mas com um tom de questionamento. "O que a incomoda além de sua 'gaiola'?"

Sofia hesitou. Ela sabia que não deveria confiar nele, mas algo em sua postura, uma certa vulnerabilidade velada sob a fachada de poder, a fez querer saber mais. "Ouvi rumores sobre… um filho seu. Alguém que não foi aceito."

Giovanni Rossi parou, seus olhos escuros fixos no horizonte. Um silêncio pesado se instalou entre eles. "Antonio. Meu irmão mais novo. Um espírito rebelde. Ele nunca se conformou com as tradições da família. Ele sempre quis um caminho diferente. Um caminho mais… independente."

"Independente? Ou fora da lei?" Sofia perguntou, ousando.

Um sorriso amargo curvou os lábios de Rossi. "Ambos, talvez. Ele sempre esteve em conflito comigo, com a família. Ele não achava que nossas atividades eram justificáveis. Ele queria provar que podia ter sucesso por conta própria. Mas o mundo em que vivemos não perdoa quem tenta sair dele."

"E ele desapareceu?"

"Ele se afastou. Fugiu. Há muitos anos. E agora, talvez, ele esteja voltando. Talvez ele ache que este é o momento certo para… reivindicar o que ele acha que lhe pertence." A menção à invasão soou clara em suas palavras.

Sofia sentiu um arrepio. A história de Antonio Rossi parecia um eco distorcido da sua própria rebelião contra o pai. Mas a diferença era que Antonio parecia ter escolhido o caminho do confronto direto, enquanto ela ainda buscava uma saída.

"Você acha que foi ele quem invadiu a mansão?" Sofia perguntou, sua voz baixa.

Giovanni Rossi a olhou, seus olhos profundos e indecifráveis. "Ele pode ter seus motivos. Ele pode querer nos enfraquecer. Ou pode ser uma distração. Alguém quer que eu acredite que é ele."

A verdade, Sofia percebeu, estava envolta em camadas de engano e segredos. A mansão Rossi, com sua beleza e opulência, era um palco para jogos de poder perigosos. E ela, Sofia Bastos, estava no centro de tudo, uma peça valiosa, mas também uma incognita. O romance proibido com Giovanni Rossi, que começava a se desenhar nas sombras, era apenas uma parte de uma trama muito maior, tecida com sangue, ambição e um passado que se recusava a ser esquecido. E ela temia que, ao se aproximar de Giovanni, ela também estivesse se aproximando do perigo que ele representava.

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