Amor Proibido nas Sombras

Capítulo 7 — O Peso das Alianças

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 7 — O Peso das Alianças

A brisa noturna de Veneza, outrora um convite à melancolia, agora trazia consigo um ar de apreensão. Sofia observava a cidade pelas janelas do seu quarto, mas a beleza dos canais iluminados e dos palácios antigos parecia distante, desprovida de qualquer encanto. A presença de Marco, o associado de Lorenzo, ainda pairava no ar como uma nuvem sombria.

O jantar de negócios havia sido uma experiência desconcertante. Marco, com seus olhos penetrantes e a cicatriz que lhe desfigurava o lado esquerdo do rosto, era a personificação da brutalidade que Lorenzo insistia em manter oculta sob camadas de elegância e sofisticação. As conversas em italiano, pontuadas por risadas ásperas e gestos calculados, eram um lembrete constante do mundo a que ela fora arrastada.

Lorenzo, por sua vez, agia com uma desenvoltura impressionante. Era um mestre em seu jogo, capaz de transitar entre a sedução e a ameaça com uma naturalidade assustadora. Ele apresentara Sofia como sua convidada especial, sua “protegida”, e a cada instante em que seus olhares se cruzavam, ela sentia a intensidade da posse que ele exercia sobre ela. Era uma dança perigosa, onde cada movimento era calculado para reafirmar o poder.

Agora, sozinha em seu quarto, Sofia tentava processar tudo o que havia acontecido. A promessa de proteção de Lorenzo era, na verdade, um pacto de submissão. Ele a mantinha por perto não por genuíno afeto, mas como um símbolo de seu poder, uma demonstração de que ele podia ter o que quisesse.

O telefone tocou, estridente, quebrando o silêncio. Sofia hesitou antes de atender. Era Lorenzo.

“Sofia?” Sua voz, embora suave, carregava um tom de autoridade inconfundível. “Você está bem?”

“Estou… bem,” ela respondeu, a voz firme, mas um pouco tensa.

“Marco foi embora. As coisas foram… produtivas. Como sempre.” Havia um tom de satisfação em sua voz. “Ele ficou impressionado com você, Sofia. E isso é bom. Para nós dois.”

Sofia apertou o telefone com mais força. “Para nós dois, Lorenzo? Ou apenas para você?”

Um silêncio se seguiu, um silêncio carregado de significados não ditos. Lorenzo era um homem de poucas palavras, mas suas palavras, quando proferidas, tinham o peso de uma sentença.

“Você precisa entender, Sofia. O mundo em que eu me movo é um mundo de alianças. De favores. E de dívidas. Você faz parte disso agora. E sua presença… é uma vantagem.”

“Uma vantagem? Como uma peça de xadrez, você quer dizer?” A frustração em sua voz era palpável.

“Não é assim que eu a vejo,” ele disse, a voz mais baixa, quase um murmúrio. “Eu a vejo como… um futuro. Um futuro que eu estou disposto a proteger.”

Sofia fechou os olhos, sentindo o peso de suas palavras. A promessa de um futuro com Lorenzo era tão sedutora quanto aterrorizante. Ele era um homem de contrastes, capaz de uma crueldade implacável e, ainda assim, de uma ternura surpreendente. Ela se sentia presa entre o medo e uma atração inegável.

“Eu não peço nada disso, Lorenzo,” ela disse, a voz embargada. “Eu só quero a minha vida de volta. A vida que vocês tiraram de mim.”

“A vida que lhe tiraram não existe mais, Sofia,” ele disse, a frieza voltando a sua voz. “Essa é a dura verdade. Agora, você tem duas opções: ou você se adapta, ou você afunda. E eu não a deixarei afundar.”

Ele fez uma pausa. “Amanhã, teremos mais compromissos. Quero que você se prepare. Precisamos mostrar uma imagem unida. Forte.”

Sofia assentiu, mesmo sabendo que ele não podia vê-la. “Farei o meu melhor, Lorenzo.”

“Eu sei que fará.” E com isso, a ligação foi encerrada.

Sofia se sentou na beira da cama, sentindo-se exausta. A cada dia que passava, a distância entre a Sofia que ela era e a mulher que Lorenzo a obrigava a ser se tornava maior. A esperança de escapar parecia cada vez mais remota, e a influência dele sobre ela, mais profunda.

Os dias seguintes foram um turbilhão de eventos planejados por Lorenzo. Passeios de gôndola ao pôr do sol, jantares com pessoas que pareciam saídas de um filme de máfia, e longas horas em reuniões discretas onde Sofia era apresentada como um troféu valioso. Ela aprendia a sorrir quando deveria, a concordar quando era esperado, a manter um silêncio estratégico quando necessário. Era uma atuação constante, um disfarce que começava a se moldar à sua própria pele.

Em uma tarde ensolarada, enquanto passeavam por uma praça movimentada, Sofia viu algo que a fez parar abruptamente. Um homem, vestindo um chapéu e óculos escuros, observava-a de longe. Havia algo familiar em sua postura, em seu olhar. Seu coração disparou.

“Sofia? O que houve?” Lorenzo perguntou, percebendo sua hesitação.

Ela se virou, tentando disfarçar seu nervosismo. “Nada. Apenas me senti… tonta por um momento.”

Ela olhou de volta para onde o homem estava, mas ele já havia desaparecido na multidão. Seria ele? Seria uma armadilha? A paranoia se instalava. Ela sabia que não podia confiar em ninguém, nem mesmo em seus próprios instintos.

Naquela noite, enquanto Lorenzo a acompanhava de volta ao hotel, ele a segurou pela mão. O toque dele, outrora algo que a repelia, agora começava a se tornar estranhamente reconfortante. Era um paradoxo doloroso: o homem que a aprisionava era também o único que lhe oferecia alguma forma de segurança.

“Você está diferente, Sofia,” ele disse, observando-a com atenção. “Mais… resiliente.”

“Aprende-se rápido quando se tem poucas opções, Lorenzo.”

Ele a puxou para mais perto. “Não se trata apenas de opções. Trata-se de força. E você tem muita força, mesmo que ainda não a veja.”

Seus olhos se encontraram. Havia uma cumplicidade perigosa ali, uma compreensão mútua que transcendia o ódio e o desejo. Ele viu nela uma alma perdida, e ela viu nele um monstro que, de alguma forma, a entendia.

“Eu não quero ser forte desse jeito, Lorenzo,” ela sussurrou, a voz embargada pela emoção.

Ele a beijou, um beijo que começou gentil e rapidamente se tornou intenso, possessivo. Era um beijo de promessa e de ameaça, de desejo e de controle. Sofia se rendeu, permitindo que a tempestade de emoções a consumisse. Naquele abraço, ela se sentiu mais perdida do que nunca, presa entre a escuridão e uma luz tênue que emanava do próprio abismo.

O peso das alianças de Lorenzo era pesado, e Sofia sentia que estava sendo esmagada sob ele. Mas, ao mesmo tempo, uma faísca de desafio começava a se acender em seu interior. Ela não seria apenas uma peça decorativa. Ela descobriria um jeito de sobreviver, de encontrar seu próprio caminho, mesmo que isso significasse navegar pelas sombras mais profundas. A teia de Veneza estava se fechando, mas Sofia estava começando a aprender a lutar.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%