Paixão de Luto e Sangue

Capítulo 13 — O Jantar de Gala e a Captura da Presa

por Eduardo Silva

Capítulo 13 — O Jantar de Gala e a Captura da Presa

A mansão dos Rossi era um espetáculo de opulência e poder, um monumento à riqueza ilícita que Giovanni havia acumulado. Lustres de cristal derramavam luz sobre salões decorados com obras de arte caríssimas, e o burburinho de conversas sofisticadas ecoava pelos corredores. Sofia, parada em frente ao imenso espelho do closet de Giovanni, sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O vestido de seda azul-marinho, escorregadio e elegante, parecia uma segunda pele, uma armadura que ela vestia para uma batalha disfarçada de celebração. Ao seu lado, Isabella, impecável em um terninho preto, ajustava os brincos de diamante de Sofia.

“Lembre-se, Sofia”, disse Isabella, sua voz calma e firme, mas com um toque de urgência. “Você é a estrela da noite. Giovanni quer exibir você. Deixe que ele acredite que te reconquistou. Sorria, dance, finja que está deslumbrada. Mas, acima de tudo, mantenha os olhos abertos. Os arquivos que precisamos estão no escritório dele, mas a senha… a senha é o desafio.”

Sofia assentiu, respirando fundo. O perfume caro que emanava do quarto de Giovanni se misturava ao cheiro sutil de seu próprio perfume, uma fragrância floral que ela esperava que o fizesse associá-la à inocência, não à ameaça. “E o sinal?”, perguntou ela.

“O colar”, respondeu Isabella, mostrando um pequeno pingente disfarçado. “Quando você tiver acesso aos arquivos e estiver pronta para a extração, pressione o pingente. Uma vez. Se não houver resposta em cinco minutos, pressione duas vezes. Marco e a equipe estarão nos esperando. Mas tente não chegar a esse ponto. O sucesso depende de você não ser detectada antes da hora.”

Marco, do lado de fora, observava a chegada dos convidados, a tensão em seu corpo quase palpável. Ele estava em um carro discreto, a algumas quadras da mansão, com Toninho e mais dois homens. A equipe de extração estava posicionada em pontos estratégicos, prontos para agir ao primeiro sinal. Ele sentia-se impotente, deixado de fora da ação principal, mas sabia que era o papel dele agora: o de proteger a saída.

A porta da mansão se abriu, e Giovanni surgiu, um sorriso largo e confiante estampado no rosto. Ele era a personificação do poder e da arrogância, seus olhos escuros percorrendo a multidão até encontrarem Sofia. Um brilho de triunfo passou por eles.

“Sofia, querida! Que surpresa maravilhosa”, disse ele, aproximando-se dela com passos calculados. Sua voz era melódica, mas carregada de uma perigosa possessividade. Ele estendeu a mão, tocando o ombro dela com uma familiaridade que fez Sofia se encolher por dentro. “Eu não imaginava que aceitaria meu convite. Fico lisonjeado.”

“Giovanni”, respondeu Sofia, forçando um sorriso suave. “Você é insistente. E, devo admitir, a sua insistência tem seu charme.” A mentira saiu com naturalidade, um eco do treinamento de Isabella.

Giovanni riu, um som rouco e satisfeito. Ele a puxou para perto, seus olhos fixos nos dela. “Charme? Eu tenho muito mais do que charme, minha cara. Tenho poder. E você, Sofia, em breve será minha.”

A conversa fluiu, a maioria dos convidados cientes da relação tensa entre Giovanni e Sofia. A presença dela ali, ao lado dele, era um escândalo sussurrado, mas para Giovanni, era uma demonstração de controle. Sofia se moveu pelo salão como uma dançarina, respondendo a perguntas, sorrindo para olhares curiosos, enquanto sua mente trabalhava freneticamente. Ela observava os seguranças, a movimentação dos empregados, o caminho para o escritório de Giovanni, que ela sabia onde ficava, pois Marco a havia levado lá em uma de suas visitas anteriores.

Isabella, discretamente, se misturava aos convidados, mantendo um olho em Sofia e um ouvido atento. Ela era a sombra que protegia a estrela, a estrategista que garantia que o plano corresse sem falhas.

Por volta da meia-noite, Giovanni, com um gesto possessivo, guiou Sofia até o seu escritório privado. “Precisamos de um momento a sós, longe dessa multidão barulhenta”, disse ele, fechando a porta com um clique suave.

O escritório era luxuoso, dominado por uma imensa mesa de mogno e prateleiras repletas de livros antigos. Havia um cofre moderno embutido na parede, e um computador de última geração sobre a mesa. Sofia sentiu o coração acelerar. Era ali.

Giovanni sentou-se em sua cadeira, puxando Sofia para o seu colo. Ela tentou manter a compostura, sentindo o cheiro de charuto caro e álcool caro emanando dele. “Você está linda esta noite, Sofia”, ele murmurou, beijando seu pescoço. “E eu sei que você me quer tanto quanto eu te quero.”

“Giovanni, nós precisamos conversar sobre algo sério”, disse Sofia, afastando-se dele com delicadeza, mas com firmeza. Ela se aproximou da mesa, seus olhos fixos no computador. “Eu… eu estou confusa. Sobre nós. Sobre o seu mundo.”

Giovanni a observou com um sorriso cínico. “O meu mundo é o mundo do poder, Sofia. E você se encaixaria perfeitamente nele. Mas para isso, você precisa confiar em mim. Precisa me dar o que eu quero.”

“E o que você quer, Giovanni?”, perguntou Sofia, sua voz ganhando um tom mais sério. “Você quer controlar tudo, não é? A cidade, as pessoas… até mesmo as vidas alheias.”

Ele riu. “É a natureza do jogo, querida. E eu sou um mestre nesse jogo.”

Sofia se virou para ele, seus olhos encontrando os dele com uma intensidade que o fez parar por um instante. “Eu não quero jogar o seu jogo, Giovanni. Eu quero entender quem você realmente é. E para isso, eu preciso ver as suas cartas.”

Ela se aproximou do computador. Giovanni a observou, intrigado, mas sem desconfiança. Ele acreditava que ela estava emocionalmente vulnerável, presa em sua própria confusão.

“O que você está fazendo?”, perguntou ele, relaxando em sua cadeira.

“Estou apenas curiosa”, respondeu Sofia, seus dedos deslizando sobre o teclado. Ela sabia a senha. Marco havia lhe contado, em um momento de desespero, na esperança de que um dia ela pudesse usá-la. ‘AmorEterno1982’.

A tela se iluminou, revelando pastas repletas de nomes, números, transações financeiras obscuras. Era tudo. As provas que eles precisavam. Sofia sentiu um arrepio de triunfo e terror ao mesmo tempo. Ela conectou o pequeno pendrive que Isabella havia preparado. A transferência de dados começou, silenciosa e implacável.

Giovanni se levantou, um leve sorriso nos lábios. “Curiosidade pode ser perigosa, Sofia.”

Naquele exato momento, o pendrive emitiu um pequeno bipe, indicando que a transferência estava completa. Sofia sentiu um alívio imenso, mas sabia que o perigo ainda não havia passado. Ela apertou o pingente do colar uma vez.

Na rua, longe dali, o celular de Marco vibrou. Uma mensagem de Isabella. “Sinal recebido. Extração em andamento.”

Giovanni se aproximou de Sofia, um olhar de desconfiança começando a surgir em seus olhos. Ele viu o pendrive conectado ao computador. “O que você fez?”, perguntou ele, a voz mudando de melodia para um rosnado.

Sofia se afastou dele, seu corpo tenso. “Eu não sou mais a joia que você achava que era, Giovanni. Eu sou a tempestade.”

Ele avançou em direção a ela, a raiva estampada em seu rosto. Mas, antes que pudesse alcançá-la, a porta do escritório foi arrombada com violência. Marco, Toninho e os outros dois homens invadiram o cômodo, armas em punho.

“Mãos para cima, Rossi!”, gritou Marco, apontando a arma para Giovanni.

O rosto de Giovanni se contorceu em fúria e incredulidade. Ele sabia que havia sido traído. Ele olhou para Sofia, seus olhos queimando com ódio.

“Você… você vai pagar por isso, Sofia!”, ele sibilou.

Mas Sofia apenas o encarou, sua expressão calma, mas implacável. A presa havia se tornado a caçadora, e o jantar de gala terminara com a captura do predador. A dança das sombras havia chegado ao seu clímax.

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