Um Amor no Asfalto Quente

Um Amor no Asfalto Quente

por Rodrigo Azevedo

Um Amor no Asfalto Quente

Autor: Rodrigo Azevedo

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Capítulo 11 — O Pacto de Sangue e o Sussurro da Vingança

O ar na mansão dos Rossi pesava mais que o ouro incrustado em suas paredes. O cheiro de charuto caro misturava-se ao aroma doce e enjoativo das rosas que a governanta insistia em manter nos vasos, um contraste macabro com a tensão palpável que emanava de cada canto. Marco Rossi, o patriarca, sentou-se à cabeceira da imponente mesa de mogno, seus olhos escuros, antes carregados de uma astúcia jovial, agora ardiam com uma fúria fria e calculista. Ao seu lado, Isabella, a filha que ele tentara moldar à sua imagem, parecia um espectro pálido, os lábios finos e cerrados, um misto de medo e determinação pintado em seu semblante.

Do outro lado da mesa, sentados em poltronas de couro negro, estavam os chefes das outras famílias que compunham o conselho. Homens de rostos marcado pelo tempo e pelas batalhas travadas nas ruas de São Paulo, suas vestes impecáveis não conseguiam disfarçar a selvageria latente em seus olhares. Havia a sombra de Vincenzo "Il Serpente" Bianchi, a frieza calculista de Giovanni "Il Maestro" Ferrari, e a força bruta de Antonio "Il Martello" De Luca. Todos esperavam, em um silêncio incômodo, a palavra de Marco.

"Ele cruzou a linha," a voz de Marco ressoou, cada sílaba carregada de veneno. "O pequeno Dante. Acha que pode roubar o que é nosso? Que pode desafiar a ordem estabelecida? Ele cometeu um erro fatal."

Um murmúrio percorreu a sala. Dante Santoro era o nome que todos conheciam, o jovem lobo que ascendeu rápido demais, alimentado por uma ambição insaciável e um carisma perigoso. Ele havia ousado desafiar a hegemonia dos Rossi, atacando um dos seus carregamentos mais valiosos, e, pior ainda, deixando um rastro de sangue que não podia ser ignorado.

"Marco, a situação é delicada," começou Bianchi, a voz aveludada, mas com um tom subjacente de ameaça. "Dante tem seus apoiadores. Um ataque direto pode desencadear uma guerra aberta. Algo que, francamente, não precisamos agora."

"Guerra aberta?" A risada de Marco era seca, desprovida de humor. "Vincenzo, você se esquece de quem eu sou. Eu não corro de guerra. Eu a crio. E eu a venço." Ele bateu a mão sobre a mesa, o som ecoando como um tiro. "Dante precisa ser esmagado. Não apenas punido, mas apagado. A mensagem tem que ser clara. Ninguém mexe com os Rossi."

Isabella apertou as mãos no colo, a pele pálida sob a luz fria do lustre. Ela sabia o que aquilo significava. Marco não falava em termos de negócios quando se tratava de honra e respeito. Ele falava em termos de sangue. O sangue de Dante Santoro. O mesmo Dante que ela encontrou em seus sonhos, o mesmo que a fez sentir algo que há muito tempo acreditava ter morrido dentro dela.

"Mas como?" perguntou Ferrari, os dedos finos tamborilando sobre a madeira polida. "Ele é astuto. Seus homens são leais. Uma emboscada direta pode resultar em perdas para todos nós."

"Eu não quero que seja uma emboscada," Marco disse, seus olhos fixos em Isabella. "Eu quero que seja pessoal. Eu quero que ele sinta a dor. Eu quero que ele saiba que a punição não vem apenas de mim, mas de todos nós."

O silêncio voltou a reinar, pesado, carregado de entendimentos tácitos. Isabella sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela sabia que a decisão estava tomada. A vingança de Marco seria brutal. E o preço, como sempre, seria pago em vidas.

"Eu tenho uma ideia," Isabella falou, a voz surpreendentemente firme, embora um tremor percorresse suas cordas vocais. Todos os olhares se voltaram para ela. Marco a encarou com uma mistura de surpresa e desconfiança.

"Continue, minha filha," disse ele, com uma ponta de curiosidade.

"Dante é orgulhoso," Isabella começou, escolhendo cada palavra com cuidado. "Ele acredita que está acima de todos nós. Ele se sente invencível. Se quisermos pegá-lo, precisamos usar isso contra ele. Não um ataque direto, mas uma armadilha que o faça baixar a guarda. Algo que o force a sair da sua zona de conforto, a vir até nós."

Bianchi sorriu, um sorriso fino que não atingiu seus olhos. "E o que poderia fazer o nosso estimado Dante sair da sua fortaleza?"

"Um convite," Isabella respondeu, sentindo o peso de seus olhos sobre ela. "Um convite para um acordo. Ele pensa que pode negociar conosco, que pode ditar os termos. Vamos oferecer a ele exatamente isso. Um encontro, em território neutro, onde ele se sinta seguro o suficiente para vir sozinho, ou com poucos homens."

Antonio De Luca, um homem de poucas palavras, mas de um instinto animal aguçado, franziu a testa. "Um encontro? E se ele não cair na armadilha?"

"Ele vai cair," Isabella garantiu, com uma certeza que ela própria não sabia de onde vinha. "Ele quer provar seu poder. Ele quer ser reconhecido. Um convite para discutir o futuro, para impor suas condições, é algo que ele não poderá recusar."

Marco a observava atentamente, seus olhos escrutinando cada detalhe de sua expressão. Ele via a determinação, a inteligência que ele mesmo lhe incutira. Mas também via algo mais, algo que o perturbava. Uma fragilidade escondida, uma dor que ele não conseguia decifrar.

"E quem será o anfitrião deste encontro?" Marco perguntou, a voz baixa, quase um sussurro.

Isabella engoliu em seco. Ela sabia que a resposta seria ela. Era o seu papel, o papel da filha do líder, de atrair o alvo. Era o seu fardo.

"Eu," ela respondeu, sua voz um fio. "Eu o convoco. Eu o atraio."

Um silêncio pesado caiu sobre a sala. Marco fechou os olhos por um instante, como se ponderasse a ousadia de sua filha. Quando os abriu novamente, havia um brilho perigoso neles.

"Muito bem," ele disse, sua voz agora carregada de uma autoridade inquestionável. "Se é assim que você quer, Isabella. Você o trará até nós. Mas tenha em mente, filha. Não há perdão para os que traem. E não há misericórdia para os que desafiam. Se você falhar... o preço será ainda maior."

Isabella assentiu, um nó na garganta. Ela sabia que estava entrando em um jogo perigoso, um jogo onde sua própria vida poderia ser a moeda de troca. Mas a imagem de Dante, o calor do seu toque, o perigo que emanava dele, tudo isso a impulsionava. Ela sentia uma conexão que desafiava a lógica, um chamado que ela não podia ignorar, mesmo que isso a levasse para o abismo. A vingança seria servida, mas em que prato e com qual tempero, ela ainda não sabia.

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