Um Amor no Asfalto Quente

Capítulo 12 — O Sussurro nas Ruas e o Coração Acelerado

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 12 — O Sussurro nas Ruas e o Coração Acelerado

As ruas de São Paulo pulsavam com uma vida própria, um organismo complexo de luzes neon, buzinas impacientes e o burburinho ininterrupto de vozes. No coração desse caos controlado, Dante Santoro movia-se com a agilidade de um predador em seu território. Seus olhos, de um azul gélido que contrastava com a intensidade de sua alma, observavam cada movimento, cada sombra, cada rosto que cruzava seu caminho. A notícia do ataque aos Rossi já se espalhava como fogo em palha seca, um boato que o deixava com um sorriso sombrio nos lábios. Ele sabia que Marco Rossi estava furioso. E isso, para Dante, era como um afrodisíaco.

Em seu escritório, um santuário moderno com vista panorâmica para a selva de concreto, Dante recebia as informações de seus informantes. A cada relatório, seu poder parecia crescer, cada peça do quebra-cabeça se encaixava em seu plano. Ele sabia que a família Rossi não reagiria de forma unificada. Haveria discordâncias, fraquezas a serem exploradas. E ele estava pronto para explorá-las.

"Eles estão reunidos, chefe," informou Rocco, seu braço direito, um homem de poucas palavras e lealdade inabalável. "O velho Rossi, Bianchi, Ferrari, De Luca. Todos na mansão. Deve ser sobre nós."

Dante riu, um som grave e rouco que ecoou pelo escritório. "Eles se acham os reis. Mas o rei está prestes a cair, e o novo soberano ainda não foi coroado." Ele se levantou e caminhou até a janela, observando a cidade iluminada abaixo. "Eles pensam que podem me deter com ameaças? Com a força bruta? Eles subestimam a inteligência. Subestimam a minha fome."

"Eles acham que o ataque ao carregamento foi apenas uma afronta," continuou Rocco. "Mas sabem que há mais por trás. Sabem que estamos expandindo. Que estamos tomando o que era deles por direito."

"Por direito? O único direito que existe é o da força, Rocco. E a minha força agora é maior que a deles. Eles construíram seu império sobre sangue e medo. Eu vou desmantelá-lo com a mesma moeda, mas com um toque de arte." Dante se virou para Rocco, seus olhos brilhando com uma intensidade perigosa. "Eles estão com medo. E o medo é o meu maior aliado."

Enquanto isso, em um café discreto em um bairro mais boêmio da cidade, Isabella aguardava. O aroma de café forte pairava no ar, misturando-se ao cheiro de livros antigos e à melancolia dos artistas que frequentavam o local. Ela estava nervosa, o coração batendo descompassado no peito. A decisão de se apresentar como a isca fora tomada em um impulso de coragem, misturado com um desejo quase suicida de ver Dante novamente. Sabia que era perigoso, que era uma armadilha, mas algo nela a impelia a seguir em frente.

Ela vestia um vestido simples, mas elegante, que acentuava sua figura esguia. Os cabelos negros, soltos, emolduravam seu rosto pálido. Seus olhos, outrora brilhantes e cheios de vida, agora carregavam uma sombra de preocupação. Ela sabia que este encontro era um jogo de vida ou morte, um jogo que ela mesma havia iniciado.

Um homem de terno escuro e olhar atento sentou-se à mesa ao lado, discreto, mas observador. Era um dos homens de confiança de seu pai, encarregado de sua segurança, mesmo que ela não soubesse exatamente quem ele era.

"Tudo bem?" a voz grave do homem perguntou, sem rodeios.

Isabella assentiu, tentando esconder o tremor em suas mãos. "Eu acho que sim. Eu… eu não sei o que esperar."

"Seu pai sabe dos riscos," o homem disse. "Ele confia em você. Mas lembre-se, senhorita. A lealdade é um caminho de mão dupla. E os Santoro não são conhecidos por sua benevolência."

"Eu sei," Isabella sussurrou, seus olhos fixos na entrada do café, esperando a figura que assombrava seus pensamentos.

Finalmente, ele apareceu. Dante Santoro entrou no café com a mesma aura de perigo que a incendiava e a aterrorizava. Seus olhos azuis encontraram os dela, e um sorriso lento e predatório se formou em seus lábios. Ele parecia o próprio diabo em pessoa, e Isabella sentiu um misto de fascínio e pavor. Ele se aproximou da mesa, ignorando o olhar atento do homem ao lado dela.

"Isabella," ele disse, a voz grave e cheia de promessas. "Que surpresa agradável." Ele se sentou à sua frente, seus olhos percorrendo-a de cima a baixo. "Ou talvez não tão surpresa. O convite chegou até mim."

O coração de Isabella disparou. Ela sabia que ele sabia. Sabia que ele estava ciente da armadilha, mas escolheu cair nela. Por quê? O que ele esperava ganhar com isso?

"Você sabe por que eu o chamei, Dante," Isabella disse, tentando manter a voz firme. "Meu pai está furioso. E você sabe o que isso significa."

Dante inclinou a cabeça, um gesto de curiosidade. "E o que isso significa, Isabella? Que o velho Rossi vai enviar seus cães de guarda para me morder? Eu não tenho medo de um velho cansado e sua matilha."

"Não se trata de medo," Isabella disse, sentindo um acesso de raiva. "Trata-se de respeito. De ordem. Você cruzou uma linha."

"Linhas são feitas para serem cruzadas, Isabella," Dante respondeu, seus olhos fixos nos dela. "Principalmente quando elas te impedem de alcançar o que você merece. E eu mereço mais do que este jogo sujo que vocês jogam há décadas."

Ele se aproximou da mesa, sua mão repousando sobre a dela. Isabella sentiu um choque percorrer seu corpo. O calor de sua pele, a força de seus dedos, tudo a puxava para ele, apesar do perigo iminente.

"Você sabe que ele vai tentar te matar, não sabe?" Isabella sussurrou, suas palavras quase inaudíveis.

Dante riu, um som baixo e perigoso. "E você acha que eu me importo? Eu vim para ver você, Isabella. Para ver se o fogo que senti quando te vi pela primeira vez ainda está aí. Para ver se você ainda é a mesma mulher que me fez questionar tudo."

Ele apertou sua mão, seus olhos azuis penetrando os dela. "Eu vim porque você me chamou. Eu vim porque você representa algo que meu mundo não tem. Algo que me fascina."

Isabella sentiu um turbilhão de emoções. Medo, desejo, confusão. Ela sabia que estava em uma posição perigosa, à mercê de um homem que era tão encantador quanto mortal. Mas, pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu algo diferente. Uma faísca de esperança, um vislumbre de um futuro que não era ditado pelas regras cruéis de seu pai.

"O que você quer, Dante?" Isabella perguntou, a voz embargada.

Dante sorriu, um sorriso que era ao mesmo tempo sedutor e ameaçador. "Eu quero você, Isabella. Eu quero o que você representa. Eu quero que você seja minha. E quando eu tiver você, terei o poder de destruir Marco Rossi de dentro para fora."

As palavras dele a atingiram como um soco. Ela sabia que ele estava falando sério. Ele não queria apenas negócios. Ele queria guerra. E ele a queria como prêmio. A armadilha estava armada, mas agora parecia que os papéis haviam se invertido. Ela, a isca, estava sendo seduzida pelo predador. E o coração acelerado em seu peito, em vez de um sinal de alerta, parecia um convite para se perder no abismo.

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