Um Amor no Asfalto Quente
Capítulo 13 — A Rede se Fecha e o Risco do Coração
por Rodrigo Azevedo
Capítulo 13 — A Rede se Fecha e o Risco do Coração
O sol da manhã lançava longas sombras sobre a cidade, mas na mansão Rossi, a escuridão parecia ter se instalado permanentemente. Marco Rossi, com os olhos injetados e a mandíbula cerrada, observava a tela de um monitor, as imagens granuladas mostrando Isabella e Dante Santoro em um café discreto. Ao seu lado, Vincenzo Bianchi, com um sorriso frio, analisava cada movimento.
"Eles estão se encontrando," Bianchi disse, a voz baixa e satisfeita. "A isca mordeu o anzol."
Marco grunhiu, sem tirar os olhos da tela. "Ela parece… afetada. Você não acha, Vincenzo?"
Bianchi deu de ombros. "O fascínio do perigo, Marco. É uma força poderosa. Dante é um homem perigoso. E Isabella, apesar de toda a sua inteligência, é ainda jovem. Vulnerável."
"Vulnerável? Isabella não é vulnerável," Marco retrucou, a voz carregada de um orgulho ferido. "Ela é minha filha. E ela sabe o que está em jogo."
"Eu espero que sim," Bianchi disse, seus olhos voltando-se para o monitor. "Pois se ela cometer um erro, o preço será alto demais. Para todos nós."
Na tela, Dante se aproximava de Isabella, sua mão pousando sobre a dela. Marco sentiu uma pontada de algo que ele não ousava nomear. Raiva? Ciúme? Ou apenas a fria constatação de que sua filha estava se entregando ao inimigo.
"Ele está jogando com ela," Marco rosnou. "Ele a quer. E a quer para ferir a mim."
"Ele quer mais do que isso, Marco," Bianchi disse, sua voz mudando de tom. "Ele quer desestabilizar você. Ele sabe que sua filha é seu ponto fraco. Ele a usará para te atingir onde mais dói."
Marco fechou os olhos por um instante, respirando fundo. "Ele não sabe com quem está lidando. Isabella é uma Rossi. Ela é forte. Ela não se quebrará."
"Força é relativa, Marco. Especialmente quando se trata do coração," Bianchi murmurou, mais para si mesmo do que para Marco. "Ele a está seduzindo. Está oferecendo a ela um mundo que ela nunca teve. Um mundo sem as regras frias e cruéis que você impõe."
Os olhos de Marco se abriram com intensidade renovada. "Isso não vai acontecer. A rede está se fechando. Ele acha que tem o controle, mas é ele quem está caindo na armadilha."
De volta ao café, Isabella sentia a pressão do momento. O toque de Dante era elétrico, uma corrente que a percorria por inteiro. Ela sabia que estava se aproximando do ponto sem retorno, que suas ações teriam consequências devastadoras. Mas o olhar dele, a promessa contida em suas palavras, tudo a puxava para um abismo de sensações que ela nunca havia experimentado.
"Você está brincando com fogo, Dante," Isabella sussurrou, sua voz trêmula.
Dante sorriu, seus olhos azuis fixos nos dela. "E você está se queimando, Isabella. E eu gosto disso." Ele se inclinou para mais perto, seu hálito quente em seu rosto. "Eu quero te levar para longe daqui. Longe de seu pai, de suas regras, de sua vida de mentiras. Eu quero te mostrar um mundo onde você é livre."
As palavras dele a atingiram em cheio. Livre. A palavra ecoava em sua mente como um bálsamo para a alma que ela acreditava ter perdido. Ela sabia que ele estava mentindo. Sabia que ele a usaria. Mas, naquele momento, a sedução era mais forte do que a razão.
"Eu não posso," ela disse, a voz embargada. "Meu pai… ele nunca permitiria."
"Seu pai não manda em você," Dante disse, sua voz mais firme, mais possessiva. "Você é mais forte do que ele pensa. Você tem a força de uma Rossi, mas a alma de alguém que anseia por algo mais." Ele acariciou seu rosto com os dedos, sua pele arrepiando-se ao toque. "Diga sim, Isabella. Diga sim para nós. Diga sim para a liberdade."
O homem ao lado dela, o guarda-costas de seu pai, levantou-se discretamente e saiu do café. Isabella não se importou. Sua atenção estava totalmente focada em Dante. Ela sabia que estava prestes a tomar uma decisão que mudaria sua vida para sempre. Uma decisão que poderia levá-la ao paraíso ou ao inferno.
"Eu…" ela começou, mas sua voz falhou.
Dante a interrompeu, pressionando um dedo em seus lábios. "Não diga nada. Apenas sinta. Sinta o que você quer."
E naquele momento, ela sentiu. Sentiu o desejo avassalador de se perder nele, de se entregar a essa paixão perigosa que a consumia. Sentiu a força que ele emanava, a promessa de um mundo onde ela poderia ser quem quisesse ser.
"Eu quero," ela sussurrou, as palavras escapando de seus lábios como um segredo guardado por anos. "Eu quero ir com você."
Um sorriso triunfante se espalhou pelo rosto de Dante. Seus olhos brilhavam com uma vitória que era ao mesmo tempo sombria e sedutora. Ele pegou a mão dela e a puxou para fora do café, deixando para trás o aroma de café e o peso de sua antiga vida.
Enquanto isso, na mansão Rossi, Marco observava a cena se desenrolar com uma fúria fria. "Ela caiu," ele disse, a voz baixa e perigosa. "Ela caiu direto na armadilha."
Bianchi assentiu, um brilho de antecipação em seus olhos. "Sim. E agora, a rede se fecha."
Marco ligou para seu telefone pessoal. "Vincenzo, prepare os homens. É hora de colher o que plantamos. Desta vez, Dante Santoro não escapará. E Isabella… Isabella terá que pagar o preço por sua traição."
O plano estava em movimento. A armadilha, cuidadosamente arquitetada, estava prestes a se fechar sobre Dante Santoro. Mas, no centro de tudo, estava Isabella, a peça chave, a isca que se tornou o chamariz. Ela havia escolhido seu lado, e agora teria que enfrentar as consequências de um coração que bateu em ritmo acelerado no asfalto quente da cidade. O risco era alto, a aposta era tudo. E o jogo de vingança estava prestes a atingir seu clímax sangrento.