Um Amor no Asfalto Quente
Capítulo 15 — O Preço da Liberdade e a Sombra do Arrependimento
por Rodrigo Azevedo
Capítulo 15 — O Preço da Liberdade e a Sombra do Arrependimento
O silêncio na mansão Rossi era pesado, denso, carregado de um arrependimento que pairava no ar como a fumaça de um cigarro esquecido. Isabella, pálida como a cera, estava sentada em seu quarto, o olhar perdido no vazio. A cena do armazém se repetia incessantemente em sua mente: os tiros, o sangue, o olhar de Dante. A dor em seus olhos ao ser levado. O seu último sussurro. "Eu te amei, Isabella."
Marco Rossi observava sua filha de longe, uma mistura de raiva e algo que ele relutava em admitir: preocupação. Ele sabia que a havia machucado. Sabia que o preço da lealdade era alto, e que, desta vez, ele a havia cobrado de sua própria filha.
"Você agiu de acordo com seu dever, Isabella," ele disse, a voz surpreendentemente calma. "Você fez o que era preciso para proteger a família."
Isabella não respondeu. Ela apenas continuou olhando para o nada, seus ombros tremendo levemente.
"Dante Santoro está sob nossa custódia," Marco continuou. "Ele pagará por seus crimes. E você… você terá tempo para refletir sobre suas escolhas."
"Minhas escolhas?" A voz de Isabella era um sussurro rouco. "Eu fui manipulada, pai. Eu fui usada."
Marco suspirou, um som áspero. "Você se deixou levar pelo que sentia. Você se esqueceu que o amor, no nosso mundo, é uma fraqueza. Uma fraqueza que custa caro."
"E qual o preço, pai?" Isabella finalmente se virou para ele, seus olhos vermelhos e inchados. "Qual o preço de ter amado alguém que você decidiu destruir?"
Marco evitou o olhar dela. "O preço é a segurança da família. O preço é a ordem. Você entenderá um dia."
Mas Isabella não entendia. Ela sentia apenas o vazio deixado por Dante, a dor da traição, a amargura de ter sido enganada. Ela olhou para o espelho, vendo o reflexo de uma mulher que não reconhecia mais. Uma mulher que havia trocado sua alma por uma ilusão.
Enquanto isso, em um cativeiro secreto, Dante Santoro se recuperava de seus ferimentos. Seus olhos azuis, antes cheios de fogo e ambição, agora carregavam uma melancolia profunda. A traição de Isabella, a armadilha de Marco Rossi, tudo pesava em sua alma. Ele havia acreditado nela. Havia se deixado levar pela promessa de um futuro que nunca viria.
"Ela sabia," ele murmurou para si mesmo, a voz rouca. "Ela sabia de alguma forma. E ela me deixou ir para a armadilha."
Rocco, seu leal braço direito, observava-o com preocupação. "Chefe, os homens de Rossi são cruéis. Eles não vão te deixar ir fácil."
Dante riu, um som amargo. "Eles acham que me pegaram. Eles acham que quebraram meu espírito. Mas eles não sabem com quem estão lidando." Seus olhos adquiriram um brilho sombrio. "Eu vou sair daqui. E quando sair… o jogo será diferente."
Ele pensou em Isabella. Pensou no que ela havia dito, no que ela havia sentido. Ele a amava. Ele sabia disso. Mas o amor, em seu mundo, era uma arma perigosa. E ela, por mais que o amasse, não era forte o suficiente para lutar contra as garras de seu pai.
De volta à mansão, Isabella decidiu agir. Ela não podia ficar ali, presa em sua dor e em seu arrependimento. Ela precisava fazer algo. Precisava consertar o que havia quebrado.
Ela foi até a biblioteca, um lugar onde passava horas estudando os negócios da família. Seus dedos percorreram as lombadas dos livros, procurando por respostas. Ela sabia que seu pai a vigiava. Sabia que cada movimento seu seria monitorado. Mas ela precisava encontrar uma maneira de chegar até Dante.
Enquanto vasculhava os arquivos, ela encontrou um antigo livro de contabilidade, esquecido em uma prateleira alta. Nele, descobriu anotações sobre fluxos de dinheiro obscuros, transações ilegais que iam muito além do que ela imaginava. Eram os segredos mais sombrios de seu pai.
Uma ideia perigosa começou a se formar em sua mente. Se ela pudesse expor os crimes de seu pai, talvez pudesse negociar a liberdade de Dante. Era um risco enorme. Um risco que poderia custar sua vida. Mas ela não via outra saída.
Naquela noite, Isabella agiu. Com a ajuda de um dos poucos funcionários de confiança que ainda a olhava com respeito, ela conseguiu copiar os documentos incriminadores. Seu coração batia forte no peito, mas a determinação a impulsionava. Ela estava pronta para sacrificar tudo por Dante.
No dia seguinte, Isabella confrontou seu pai. Ela colocou os documentos sobre a mesa de mogno, seus olhos firmes nos dele.
"Eu sei de tudo, pai," ela disse, a voz firme. "Eu sei sobre o tráfico, sobre as extorsões, sobre tudo. E eu vou expor você."
Marco a olhou, surpreso, mas sem demonstrar medo. "Você acha que pode me deter, Isabella? Você é apenas uma garota. Uma garota que se deixou levar por um criminoso."
"Eu fiz isso por amor," Isabella disse, a voz embargada. "E você… você só conhece ganância e poder."
Marco se aproximou dela, seus olhos escuros cheios de uma frieza calculista. "Você cometeu um erro fatal, Isabella. E agora, você terá que pagar o preço."
Antes que Isabella pudesse reagir, ele a agarrou pelo braço, sua força brutal. Ela sentiu a dor, mas não gritou. Ela sabia que a luta estava apenas começando. O preço da liberdade era alto. E ela estava disposta a pagá-lo, mesmo que isso significasse enfrentar a escuridão que sempre a cercou. A sombra do arrependimento pairava sobre ela, mas a esperança de um futuro com Dante, um futuro de amor e liberdade, a impulsionava para frente, em direção ao desconhecido. O asfalto quente ainda guardava segredos, e o amor deles, por mais perigoso que fosse, ainda poderia encontrar um caminho para florescer.