Um Amor no Asfalto Quente

Um Amor no Asfalto Quente

por Rodrigo Azevedo

Um Amor no Asfalto Quente Por Rodrigo Azevedo

Capítulo 16 — A Cicatriz que Arde e a Promessa de Vingança

O cheiro de desinfetante barato misturado com o odor persistente de sangue era quase insuportável. A luz fria e azulada do hospital parecia querer diluir a escuridão que se instalara na alma de Isabella. Ela olhava para o corpo pálido e imóvel de Marco, o peito subindo e descendo em um ritmo tênue, marcado pela respiração artificial. Cada inspiração e expiração do aparelho era um lembrete cruel da fragilidade da vida, da crueldade que a cercava e do preço que eles pagavam por aquele amor proibido.

As últimas horas haviam sido um borrão de pânico e desespero. Após o tiroteio, o caos tomara conta. Os homens de Lorenzo, com a frieza calculista que aterrorizava Isabella, haviam agido com precisão cirúrgica. Conseguiam sumir tão rapidamente quanto surgiram, deixando para trás apenas o rastro de violência e o corpo de Marco em uma poça carmesim. O instinto de sobrevivência falou mais alto. Isabella, com a adrenalina correndo pelas veias, conseguiu arrastar Marco para o carro, o sangue dele manchando suas mãos, sua roupa, seu coração.

Agora, sentada na cadeira fria ao lado da cama, os olhos inchados de tanto chorar, ela sentia um peso esmagador. A culpa a consumia. Se ela não tivesse se envolvido com Marco, se não tivesse se deixado levar pela paixão avassaladora que sentia por ele, ele não estaria ali, entre a vida e a morte. Mas, ao mesmo tempo, uma raiva crescente borbulhava em seu interior. Lorenzo. O nome era um veneno em sua boca, uma promessa silenciosa de que ele pagaria. Pagaria caro por cada gota de sangue que Marco derramou, por cada lágrima que ela derramava.

A porta do quarto se abriu suavemente e uma enfermeira de semblante cansado entrou para verificar os sinais vitais de Marco. Ela lançou um olhar compreensivo para Isabella, um daqueles olhares que não precisam de palavras para expressar a dor e a fragilidade humana que aquele hospital testemunhava diariamente.

"Ele está estável, senhorita", disse a enfermeira, com a voz baixa e empática. "Mas a recuperação será longa. Ele perdeu muito sangue. E a bala... foi um golpe forte."

Isabella apenas assentiu, incapaz de formar palavras. Seus olhos voltaram a pousar em Marco. A palidez da sua pele, a testa franzida em um leve desconforto, os lábios entreabertos. Era o homem que havia despertado nela sentimentos que ela jamais imaginara ser capaz de sentir. Um amor que desafiava a lógica, que ignorava os perigos, que florescia no mais árido dos solos.

"Ele é forte", murmurou Isabella para si mesma, mais como uma prece do que uma constatação. "Ele vai sair dessa. Por mim."

A enfermeira saiu, deixando-a novamente sozinha com seus pensamentos turbulentos. Isabella aproximou sua mão da de Marco, sentindo a frieza da sua pele. A mão dele, que antes a acariciava com tanta ternura, que a segurava com tanta força, agora jazia inerte. Ela traçou delicadamente as linhas da palma, buscando nela um conforto que não encontrava.

"Marco", sussurrou ela, as lágrimas voltando a rolar. "Você tem que voltar para mim. Por favor. Não me deixe sozinha com esses monstros."

O desejo de vingança era um fogo que ardia em seu peito, alimentado pelo medo e pela dor. Ela sabia que não podia mais se esconder. Aquele ataque a Marco havia cruzado uma linha, uma linha que a transformava de vítima a uma força a ser temida. Ela não era mais a garota ingênua que se apaixonou por um homem perigoso. Ela era Isabella, a mulher que amava Marco, e lutaria com unhas e dentes para protegê-lo e para fazer justiça.

Os dias seguintes foram um tormento. Isabella passava a maior parte do tempo no hospital, monitorando cada respiração de Marco, cada pequena melhora, cada sinal de que ele estava lutando para voltar. As noites eram longas e povoadas por pesadelos vívidos, onde Lorenzo surgia como um demônio de olhos frios, rindo enquanto Marco sucumbia.

Em uma dessas noites, enquanto o sol começava a despontar no horizonte, Marco abriu os olhos. Um pequeno movimento, quase imperceptível, mas que fez o coração de Isabella disparar.

"Marco?", ela chamou, a voz embargada pela emoção.

Ele piscou lentamente, seus olhos buscando focá-la. Um fio de reconhecimento surgiu em seu olhar, seguido por uma expressão de dor.

"Isabella...", ele sussurrou, a voz rouca e fraca.

Ela se inclinou sobre ele, as lágrimas de alívio misturando-se às de dor. "Estou aqui, meu amor. Estou aqui."

Ele tentou segurar a mão dela, mas o movimento foi fraco. Isabella segurou a mão dele com firmeza, transmitindo todo o seu amor e força.

"Você... você está bem?", ele perguntou, com dificuldade.

"Eu vou ficar bem", ela respondeu, tentando soar firme, embora por dentro estivesse em pedaços. "Agora, você precisa se preocupar em ficar bem. Entendeu?"

Um leve sorriso surgiu nos lábios de Marco, um sorriso que transmitia mais dor do que alegria. "Lorenzo...", ele murmurou.

Isabella apertou a mão dele com mais força. "Lorenzo vai pagar", ela disse, com uma convicção que surpreendeu a si mesma. "Ele vai pagar por tudo. Eu prometo."

A promessa, dita com a força que a dor lhe dera, ecoou no silêncio do quarto de hospital. A cicatriz que Marco carregava não era apenas física, mas também a marca indelével de um pacto que Isabella fizera com a escuridão. A partir daquele momento, ela não era mais apenas uma mulher apaixonada. Era uma guerreira. E sua guerra estava apenas começando.

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