Um Amor no Asfalto Quente

Capítulo 7 — O Preço da Lealdade e o Grito Silencioso

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 7 — O Preço da Lealdade e o Grito Silencioso

A tarde avançava, tingindo o céu do Rio de Janeiro com tons alaranjados e rosados. Na cobertura luxuosa de Dante, o clima era de tensão palpável. Mesas de mogno polido abrigavam garrafas de uísque caro e pilhas de documentos que cheiravam a poder e perigo. Um grupo de homens, os braços direitos de Dante, reuniam-se ao redor dele. Rostos marcados pela vida, olhares afiados, todos aguardando as ordens do chefe.

Isabella observava a cena de longe, do hall de entrada, sentada em um sofá de veludo escuro. Ela não pertencia àquele mundo, e todos ali sabiam disso. No entanto, Dante a trouxera consigo, um gesto que, para os olhos perspicazes, significava muito mais do que um simples convite. Era um aviso. Um aviso para todos de que Isabella era a mulher dele. E a possessividade nos olhos de Dante, quando ele a olhava, era uma corrente elétrica que a prendia e a libertava ao mesmo tempo.

Marco, o braço direito mais confiável de Dante, um homem de feições duras e lealdade inabalável, aproximou-se dela. Ele carregava em seu olhar uma mistura de respeito e cautela.

“Senhorita Isabella,” ele disse, a voz grave. “Gostaria de algo? Água, um café?”

Isabella balançou a cabeça. “Estou bem, obrigado, Marco.” Ela o observou por um instante. Sabia que ele era a pessoa em quem Dante mais confiava. “Você trabalha com Dante há muito tempo?”

Marco deu um leve sorriso, quase imperceptível. “Desde sempre, senhorita. Ele é… um irmão para mim.” A palavra “irmão” dita com tanta reverência era um testemunho silencioso da profunda lealdade que ligava aqueles homens.

“E ele é um bom homem?” Isabella perguntou, a curiosidade a consumindo. Ela precisava entender o homem por trás do líder implacável.

Marco hesitou por um momento, seus olhos buscando os de Isabella. “Ele faz o que precisa ser feito, senhorita. Ele protege os seus. E não hesita em eliminar aqueles que ameaçam. No nosso mundo, lealdade é tudo. E Dante é o mais leal dos leais.” Ele fez uma pausa. “Ele a ama, senhorita Isabella. E isso é algo que ele nunca fez antes. Por ninguém.”

As palavras de Marco ressoaram em Isabella. Amá-la? O homem que comandava um império de crimes, que inspirava medo em tantos, a amava? A ideia era assustadora e, ao mesmo tempo, incrivelmente reconfortante. Ela sentiu uma pontada de culpa. Sua mãe. O que ela pensaria se a visse ali, envolvida com um homem como Dante?

Enquanto isso, na sala principal, a conversa de Dante e seus homens se tornava mais acalorada. O nome de um rival, “Silas”, era mencionado repetidamente, acompanhado de ameaças e planos detalhados.

“Ele está se espalhando rápido demais,” Dante disse, a voz baixa, mas carregada de fúria contida. “E está pisando nos nossos calos. Ninguém mexe com o que é nosso. Ninguém.”

Um dos homens, um homem corpulento com uma cicatriz no rosto, assentiu. “O pessoal dele está mais ousado a cada dia. Ontem, eles tentaram tomar um dos nossos carregamentos em Santos.”

Dante bateu com o punho na mesa, fazendo as garrafas tremerem. “Santos é nosso. E será para sempre. Precisamos dar um basta nisso. Precisamos mostrar a Silas quem manda aqui.”

Marco entrou na sala, e todos os olhares se voltaram para ele. Ele se aproximou de Dante e sussurrou algo em seu ouvido. O rosto de Dante endureceu.

“Isabella,” ele disse, dirigindo-se a ela com um tom que não admitia objeções. “Venha aqui.”

Ela se levantou e caminhou em sua direção, sentindo os olhares de todos sobre ela. Dante a pegou pela mão, seu toque transmitindo uma força que a ancorou.

“Meus homens estão falando sobre Silas,” Dante disse, sua voz mais calma agora, mas com um tom de ameaça subjacente. “Ele está sendo um problema. E nós vamos resolver esse problema. Mas antes, preciso que você me faça um favor.”

Isabella o encarou, apreensiva. “Que favor, Dante?”

Ele a puxou para mais perto, seus olhos escuros fixos nos dela. “Preciso que você vá até a casa da minha mãe amanhã. Ela está um pouco doente, e eu não posso ir. Quero que você a veja, que a conforte. Ela confia em você.”

A mãe de Dante. Isabella sabia que ele tinha um relacionamento complicado com ela, mas que no fundo, havia um amor profundo. Aceitar aquele pedido era dar mais um passo em direção ao mundo dele, um mundo que ela tentava desesperadamente conciliar com seus próprios princípios.

“Eu irei, Dante,” ela disse, a voz firme, embora seu coração estivesse apertado. “Eu cuidarei dela.”

Ele apertou a mão dela. “Sei que sim. Você é diferente, Isabella. É por isso que eu te trouxe para perto. Você traz luz para o meu mundo sombrio.”

Ele a beijou na testa, um gesto que parecia estranho em meio a toda aquela brutalidade. Mas para Isabella, aquele beijo era uma promessa, um elo que se fortalecia a cada dia. Ela sentiu um grito silencioso em seu peito. Um grito de amor, de medo, de esperança. Ela estava se perdendo, sim, mas talvez estivesse se encontrando também.

Naquela noite, depois que Dante a deixou em seu apartamento, Isabella não conseguiu dormir. As palavras de Marco, os planos de Dante, o beijo em sua testa… tudo se misturava em sua mente. Ela pegou novamente a carta de sua mãe.

“Busque a verdade, mesmo que ela doa.”

A verdade era que ela estava apaixonada por Dante. A verdade era que ele a amava também, de sua maneira tortuosa e perigosa. A verdade era que ela estava se tornando parte do mundo dele, quer quisesse ou não. E a verdade era que ela precisava protegê-lo, assim como ele a protegia.

Ela decidiu que não seria apenas uma observadora passiva. Se ela estava naquele mundo, ela precisava entender todos os seus aspectos. Precisava entender as lealdades, as traições, os sacrifícios. Precisava entender Silas, e o motivo de Dante considerá-lo uma ameaça tão grande.

No dia seguinte, com o sol radiante mais uma vez sobre o Rio, Isabella foi à casa da mãe de Dante. Era uma mansão imponente, cercada por jardins exuberantes. Dona Helena a recebeu com um sorriso gentil, apesar da fragilidade que transparecia em seus olhos.

“Isabella, querida,” ela disse, abraçando-a com um carinho genuíno. “O Dante me falou muito de você. É um prazer finalmente te conhecer.”

Enquanto tomavam chá na varanda, com a brisa suave acariciando seus rostos, Isabella sentiu uma conexão com Dona Helena. Havia uma tristeza em seus olhos, uma melancolia que Isabella entendia profundamente.

“Ele se preocupa muito com você,” Isabella comentou, escolhendo as palavras com cuidado.

Dona Helena suspirou, olhando para o horizonte. “Dante tem um bom coração, Isabella. Mas o mundo em que ele vive o força a ser duro. Ele se sente responsável por todos nós. Por mim, por seus homens. Ele carrega um peso enorme em seus ombros. Um peso que ninguém mais consegue carregar.”

E ali, naquele momento de intimidade, Isabella compreendeu a profundidade da lealdade que Dante exigia e que ele mesmo dedicava. Ela entendeu o grito silencioso de seus homens, a preocupação em Dona Helena, e o amor feroz que Dante sentia por ela. Ela percebeu que não estava apenas se apaixonando por um homem perigoso, mas por um homem que, em seu próprio mundo distorcido, lutava para proteger aquilo que mais amava. E Isabella, agora, também fazia parte daquilo que ele amava. Ela sentiu o peso daquela responsabilidade, mas também a força que ela trazia consigo.

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