Um Amor no Asfalto Quente

Capítulo 8 — A Dança das Sombras e o Eco das Ruas

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 8 — A Dança das Sombras e o Eco das Ruas

O crepúsculo pintava o céu carioca com tons vibrantes de roxo e dourado quando Dante e Isabella chegaram ao local. Não era um dos restaurantes sofisticados que eles frequentavam, mas sim um lugar mais discreto, escondido em uma viela de Copacabana, conhecido por poucos. Um bar com mesas de madeira rústica e a música baixa de um choro. O cheiro de fritura e cerveja gelada pairava no ar. Era o território de Silas, e Dante estava entrando em sua toca.

“Tem certeza disso, Dante?” Isabella perguntou, a voz um pouco tensa. Ela sentiu a energia do lugar mudar assim que eles desceram do carro. Os olhares das poucas pessoas na rua se fixaram neles, olhares que misturavam curiosidade e um certo receio.

Dante apertou a mão dela, um gesto de segurança. “Eu preciso ver o rosto dele, Isabella. Preciso sentir o cheiro da covardia dele. E preciso que você esteja comigo. Para que ele veja que eu não tenho medo de nada. Muito menos dele.” A possessividade em sua voz era clara, e Isabella sabia que ele não a trouxera ali apenas para impressionar Silas, mas também para marcá-la como sua, diante de qualquer um.

Eles entraram no bar. O silêncio se instalou instantaneamente. Todos ali conheciam Dante, e a sua presença, acompanhado da bela Isabella, era um evento. As conversas cessaram, os olhares se voltaram para eles, e um arrepio percorreu o ambiente. Silas, sentado em uma mesa no fundo, cercado por alguns de seus capangas, levantou-se lentamente. Ele era um homem de estatura média, com um sorriso falso e olhos calculistas. O contraste com a imponência de Dante era gritante.

“Ora, ora,” Silas disse, a voz arrastada, carregada de sarcasmo. “Se não é o grande Dante. O que o traz ao meu humilde estabelecimento? Veio me pedir um autógrafo?”

Dante não se abalou. Seus olhos escuros encontraram os de Silas, uma batalha silenciosa travada ali, no centro do bar lotado. “Vim pedir o que é meu, Silas. Você sabe que os carregamentos em Santos me pertencem. E você cruzou a linha.”

Silas riu, um som desagradável que ecoou pelo bar. “Sua linha, Dante? O Rio é grande o suficiente para todos nós. Você está se achando o dono da cidade, mas esqueceu que até os reis caem.”

A tensão aumentou. Os homens de Silas se aproximaram, e os homens de Dante, que os haviam seguido discretamente, se posicionaram. Isabella sentiu o perigo iminente, mas manteve-se firme ao lado de Dante, o olhar fixo no homem que ameaçava o seu amor.

“Eu não caio, Silas,” Dante disse, a voz perigosamente calma. “Eu esmago aqueles que tentam me derrubar. E você, Silas, está prestes a ser esmagado.”

Silas deu um passo à frente, o sorriso desaparecendo, substituído por uma expressão de ódio. “Você pode ter conseguido tudo o que tem com violência, Dante, mas eu sou mais esperto. Eu trabalho nas sombras, enquanto você gosta de se exibir. E quem trabalha nas sombras sempre vence no final.”

“Nas sombras você se esconde, Silas,” Dante retrucou. “E quem se esconde é fraco. Eu encaro meus inimigos de frente. E você, você é apenas um rato tentando roer as minhas pernas.”

A discussão estava prestes a explodir em violência quando Isabella deu um passo à frente. Ela sabia que precisava fazer algo, não apenas por Dante, mas por si mesma. Ela não era mais a garota indefesa que ele conhecera.

“Silas,” ela disse, a voz clara e firme, cortando o ar pesado. “Você fala em esperteza, mas só demonstra arrogância. Dante não se esconde, ele constrói. Ele protege o que é dele. E você… você só destrói.”

Silas virou-se para Isabella, surpreso pela sua intervenção. Ele a olhou de cima a baixo, um sorriso maldoso retornando aos seus lábios. “E quem é você, boneca? A nova namoradinha do Dante? Cuidado para não se machucar. Esse mundo não é para garotinhas como você.”

O olhar de Dante se tornou ainda mais sombrio. Ele estava prestes a reagir, mas Isabella o segurou pelo braço. Ela sabia que a raiva dele era perigosa.

“Eu sou Isabella,” ela disse, olhando Silas nos olhos, sem medo. “E eu vejo através de você, Silas. Vejo a insegurança por trás dessa sua pose de malandro. Dante construiu seu império com trabalho duro e inteligência. Você… você só vive do que os outros constroem.”

Um murmúrio percorreu o bar. As palavras de Isabella atingiram Silas em cheio. Ele não esperava que ela fosse tão direta, tão corajosa.

“Você fala demais,” Silas sibilou, os olhos pegando fogo.

“Falo a verdade,” Isabella respondeu. “E a verdade sempre liberta. Talvez você devesse tentar, Silas. Talvez você devesse sair das sombras e construir algo seu, em vez de tentar roubar o que pertence aos outros.”

Dante olhou para Isabella com uma admiração que ele não conseguia esconder. Ela estava defendendo-o, defendendo o seu mundo, com uma força que o surpreendia. Ele sentiu um orgulho imenso.

Silas, furioso, fez um gesto para seus homens. “Chega! Essa conversa acabou!”

Mas Dante deu um passo à frente, protegendo Isabella. “Não, Silas. A conversa só começou. E o final dela será a sua queda. Você me provocou. E agora, você vai pagar o preço. Você e todos que estão com você.”

A ameaça era clara. O ambiente ficou ainda mais tenso. Mas Dante não estava ali para brigar. Ele estava ali para dar um aviso.

“Vamos embora, Isabella,” Dante disse, puxando-a suavemente para perto.

Ao saírem do bar, os olhares de todos se voltaram para eles. Silas permaneceu parado no fundo, o rosto contorcido pela raiva. Ele sabia que Dante não brincava em serviço. E agora, ele sabia que Isabella não era apenas uma acompanhante, mas uma aliada forte.

No carro, o silêncio era diferente agora. Não era mais de tensão, mas de reflexão.

“Você foi incrível, Isabella,” Dante disse, finalmente quebrando o silêncio. Sua voz estava cheia de emoção. “Você se manteve firme. Você o enfrentou. Eu nunca pensei que você tivesse tanta coragem.”

Isabella encostou a cabeça no encosto do banco, sentindo um misto de exaustão e adrenalina. “Eu não podia deixar que ele falasse assim com você, Dante. E eu não podia deixar que ele te ameaçasse.”

“Você é a mulher mais corajosa que eu já conheci,” Dante disse, sua voz embargada. Ele parou o carro em um local seguro e se virou para ela. “Você me inspira, Isabella. Você me faz querer ser um homem melhor.”

Ele a puxou para perto, e seus lábios se encontraram em um beijo apaixonado, um beijo que selava a promessa que eles haviam feito um ao outro. Um beijo que falava de desafios superados, de um futuro incerto, mas compartilhado.

“O Silas vai nos dar mais trabalho,” Isabella disse, quando o beijo terminou.

“Deixe que ele tente,” Dante respondeu, o olhar fixo na rua, mas o coração em Isabella. “Com você ao meu lado, eu enfrento qualquer coisa.”

Eles sabiam que a batalha contra Silas estava apenas começando. Mas naquela noite, sob as estrelas do Rio de Janeiro, Isabella sentiu que não estava mais sozinha em sua luta. Ela tinha Dante, e ele tinha ela. E juntos, eles enfrentariam as sombras, as ruas e o eco da violência que ameaçava o seu amor. A dança das sombras havia começado, e Isabella estava decidida a não cair.

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