Cap. 15 / 25

A Sombra do Poder

Capítulo 15 — O Jogo Duplo e o Sussurro da Traição

por Mateus Cardoso

Capítulo 15 — O Jogo Duplo e o Sussurro da Traição

A próxima semana foi um turbilhão de preparativos discretos e tensos. Sofia, sob o disfarce de sua nova persona, a protegida glamorosa de Vittorio Bianchi, mantinha sua rotina impecável, mas seus olhos agora buscavam mais do que apenas admiradores ou rivais. Ela buscava uma oportunidade. A oportunidade de enviar a mensagem para Lorenzo Bellini. Marco, por sua vez, intensificou suas investigações sobre os movimentos dos italianos do sul, mantendo-os ocupados e, ao mesmo tempo, coletando informações que poderiam ser úteis em qualquer cenário futuro.

O evento beneficente era em um salão de festas suntuoso no centro de São Paulo, um lugar onde o brilho do ouro e a ostentação eram a norma. Vittorio chegou com Sofia ao seu lado, um sorriso satisfeito no rosto, posando para os fotógrafos como se fossem o casal mais poderoso da cidade. Sofia, com um vestido esmeralda que realçava seus olhos, mantinha uma expressão serena, mas seu coração batia acelerado. Ela sabia que a noite seria um teste de nervos.

Marco não estava presente. Ele sabia que sua presença poderia levantar suspeitas. Em vez disso, ele estava nas proximidades, aguardando o sinal.

Enquanto Vittorio cumprimentava seus convidados com a habitual pompa, Sofia se afastou sutilmente, alegando precisar de um momento de ar fresco. Ela se dirigiu a um pequeno jardim interno, onde o som suave de uma fonte abafava as conversas altas. Lá, ela encontrou um dos garçons que Marco havia subornado, um jovem de nome Pedro, com um olhar assustado, mas determinado.

"Você tem a mensagem?", Sofia perguntou em voz baixa, o coração martelando no peito.

Pedro assentiu, tirando um pequeno envelope lacrado de dentro de seu uniforme. "Sim, senhora. O que o senhor Marco pediu."

Sofia pegou o envelope, sua mão tremendo levemente. Dentro, havia um bilhete escrito à mão por ela mesma, com uma linguagem codificada que apenas Marco e ela entenderiam, e um pequeno pingente de jade, um símbolo que ela sabia que Bellini reconheceria. A mensagem era simples: "A gaiola dourada em São Paulo está abrindo suas asas. Procure por quem veste as cores do dragão em busca de um novo ninho." As "cores do dragão" eram uma referência aos bordados discretos que ela sabia que Bellini mandava usar em seus trajes de confiança. Era um risco calculado.

"Entregue isso ao homem que perguntar por 'o jade que chora pela liberdade'", Sofia instruiu Pedro, a voz firme. "Certifique-se de que ele entenda. E diga que é do 'refúgio inesperado'."

Pedro assentiu, o rosto pálido. "Sim, senhora. Ficarei atento."

Sofia voltou para o salão, sentindo-se como se tivesse dado um passo crucial em direção à liberdade. Ela sabia que o jogo de Vittorio era perigoso, mas agora, ela estava jogando seu próprio jogo. Um jogo duplo, onde ela era a espiã, a mensageira, a que plantava as sementes da traição.

Vittorio a recebeu com um sorriso largo. "Onde esteve, minha flor? Estava me deixando preocupado." Ele a puxou para perto, seu olhar percorrendo seu corpo com uma intensidade que a fez sentir um arrepio.

"Apenas tomando um ar", ela respondeu, forçando um sorriso. "O salão está muito quente."

O resto da noite foi uma dança de dissimulação. Sofia acompanhou Vittorio, sorriu, conversou, mas seus olhos estavam sempre alerta, buscando qualquer sinal, qualquer movimento que pudesse indicar que sua mensagem havia chegado ao destino.

Marco, por sua vez, estava em um bar discreto perto do local, aguardando o sinal de Pedro. Quando o garçom apareceu, com o semblante apreensivo, Marco sentiu um frio na barriga. Ele se aproximou do garçom, fingindo pedir uma bebida.

"Com licença, você saberia dizer onde posso encontrar o senhor que usa o jade que chora pela liberdade?", Marco perguntou, com a voz mais calma que conseguia.

Pedro o olhou, os olhos arregalados, e então, com um aceno quase imperceptível, indicou um homem sentado em uma mesa isolada no canto. O homem usava um terno escuro, mas em sua lapela, um pequeno broche dourado em forma de dragão, com uma pedra verde que parecia brilhar na penumbra. Era o sinal.

Marco se aproximou da mesa do homem, que levantou o olhar. Seus olhos eram frios e calculistas, mas havia uma inteligência afiada neles. Ele era um dos homens de confiança de Bellini.

"O refúgio inesperado envia seus cumprimentos", Marco disse, sua voz baixa e firme.

O homem assentiu, uma leve inclinação de cabeça. "E o refúgio espera notícias." Ele colocou um pequeno cartão em cima da mesa. "Se houver algo a ser dito, que seja dito ao meu contato. Ele saberá como chegar até nós."

Marco pegou o cartão. Nele, apenas um número de telefone e um nome: "Silvio". Ele sabia que o jogo estava em andamento. Ele olhou para o homem, um predador em seu próprio direito, e sentiu um misto de esperança e apreensão. Eles haviam aberto a fenda. Agora, precisariam ver se conseguiriam escapar pela brecha.

De volta à casa de Vittorio, Sofia se sentia exausta. A adrenalina da noite começava a diminuir, deixando para trás a angústia.

"Você parece cansada, minha querida", Vittorio disse, acariciando seu rosto. "Talvez devêssemos ir para casa."

Sofia assentiu, agradecida pela sugestão. Ela sabia que precisava se recompor. Ela havia dado o primeiro passo, mas a jornada seria longa e perigosa.

Na manhã seguinte, Marco recebeu uma ligação de Silvio. A voz do homem era profissional, direta. Ele confirmou o recebimento da mensagem e disse que Bellini estava interessado.

"Seu acordo com Bianchi é uma fraqueza, e o senhor Bellini não gosta de fraquezas em seu caminho", disse Silvio. "Ele pode oferecer proteção e uma nova vida. Mas ele quer informações precisas. Sobre os planos de Bianchi, sobre seus contatos, sobre tudo."

Marco explicou sua situação, a necessidade de uma saída segura para Sofia e para ele. Silvio ouviu atentamente.

"O senhor Bellini entende a necessidade de discrição. Ele enviará alguém para discutir os detalhes. Mas seja paciente. A traição, quando bem executada, requer tempo."

A aliança sombria com Vittorio Bianchi estava prestes a ser testada. A fenda na fortaleza se alargava, e o sussurro da traição começava a se transformar em um plano concreto. Sofia e Marco estavam jogando um jogo perigoso, usando a própria força de Vittorio contra ele. Mas em um mundo de máfia, a linha entre aliados e inimigos era tênue, e a confiança, um luxo que raramente podiam se dar. A esperança de liberdade estava no ar, mas o preço, eles sabiam, seria alto. E a sombra de Vittorio Bianchi, por mais que tentassem fugir, ainda pairava sobre eles.

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