Cap. 16 / 25

A Sombra do Poder

Claro, vamos mergulhar de volta no turbilhão de "A Sombra do Poder"!

por Mateus Cardoso

Claro, vamos mergulhar de volta no turbilhão de "A Sombra do Poder"!

Capítulo 16 — O Beijo da Serpente e a Promessa Quebrada

A brisa noturna de São Paulo carregava consigo o cheiro úmido da chuva recente e o aroma inebriante dos jasmins que escalavam os muros do casarão de Lorenzo Rossi. Lá dentro, o silêncio era uma tela tensa, pontuada apenas pelos murmúrios distantes da cidade e pelo som do gelo tilintando em um copo de uísque. Isabella, com o coração martelando contra as costelas como um pássaro enjaulado, observava Lorenzo. Ele estava sentado em sua poltrona de couro envelhecido, a figura imponente envolta em sombras, a luz fraca da luminária de abajur desenhando contornos duros em seu rosto. Cada linha de sua expressão parecia uma cicatriz de batalhas travadas e perdidas, ou talvez, de vitórias custosas.

Ela não podia mais adiar o confronto. Os últimos dias tinham sido um borrão de apreensão e desconfiança, alimentados pelos sussurros que chegavam a ela de fontes cada vez mais confiáveis. As palavras de Marco, sobre a crescente impaciência de Lorenzo com a lentidão do plano, e os olhares furtivos de alguns homens de confiança dele, como o leal mas impassível Dimitri, pairavam em sua mente como presságios sinistros. A aliança que ela tecera com o rival de Lorenzo, o astuto e perigoso Eduardo Silveira, parecia cada vez mais um ato de desespero, mas também a única saída.

"Lorenzo", a voz de Isabella saiu mais trêmula do que ela gostaria, um fio de seda rompendo a quietude opressora.

Ele ergueu o olhar, seus olhos escuros e profundos a fixando com uma intensidade que a fazia sentir como se estivesse sendo esquadrinhada. Havia algo neles, uma mistura de cansaço e uma centelha perigosa, que sempre a desarmava. Era a dualidade dele, a besta adormecida sob a fachada de um líder calculista, que a atraía e a aterrorizava.

"Você demorou, Isabella", a voz dele era grave, um sussurro rouco que parecia carregar o peso de séculos de segredos. Ele não se levantou, apenas gesticulou para uma cadeira oposta à dele, um convite velado para que ela se aproximasse do abismo.

Isabella sentou-se, as mãos entrelaçadas no colo, tentando desesperadamente manter a compostura. "Tive... assuntos a resolver."

Lorenzo deu um gole lento em seu uísque, os olhos nunca deixando os dela. "Assuntos que te afastam de mim? Assuntos que te fazem olhar para o lado, para outras promessas?" A pergunta não era acusatória, mas sim de um conhecimento implícito, de alguém que conhecia as fraquezas e os desejos alheios como a palma da própria mão.

Um arrepio percorreu Isabella. Ele sabia. Ou desconfiava o suficiente para que o cerco se apertasse. A cautela se tornou sua aliada, e a mentira, um escudo frágil. "Eu estou aqui, Lorenzo. Isso é o que importa, não é?"

Ele deu um sorriso torto, um movimento rápido dos lábios que não alcançou os olhos. "O que importa é a lealdade, Isabella. E você tem sido... inconstante."

As palavras a atingiram como socos. Inconstante. Era o menor dos pecados que ela vinha cometendo. O peso da duplicidade a sufocava. Ela havia se jogado em braços de Eduardo, confiando em sua promessa de vingança contra Lorenzo, mas também buscando a proteção que sentia que Lorenzo, em sua frieza calculista, não poderia mais oferecer. A realidade era que Eduardo representava uma faca de dois gumes, e ela sentia o fio cortante cada vez mais perto de sua própria carne.

"Eu nunca fui inconstante com você, Lorenzo", ela disse, e pela primeira vez, havia uma verdade inegável em suas palavras. Apesar de todo o jogo, de toda a traição que ela estava arquitetando, uma parte dela ainda estava presa àquela eletricidade perigosa que emanava dele.

Lorenzo pousou o copo e, lentamente, se levantou. Cada passo em direção a ela era deliberado, calculista. Ele parou diante dela, a sombra de seu corpo a envolvendo. O aroma de uísque e couro se misturou ao perfume forte de sua pele, um cheiro que a induzia a um estado de alerta febril.

"Você mente para si mesma, Isabella. E para mim", ele disse, a voz mais baixa agora, mais íntima. Ele estendeu a mão e, com a ponta dos dedos, tocou seu queixo, levantando-o suavemente para que seus olhos se encontrassem. "Eu vejo a verdade em seus olhos. A hesitação. O medo. E algo mais..."

O coração de Isabella disparou. Ela podia sentir a pulsação de seu próprio sangue em suas têmporas. O que mais ele via? A traição que ela cultivava em segredo? O beijo que ela havia trocado com Eduardo na noite anterior, um beijo movido pela adrenalina da conspiração e pela necessidade desesperada de uma saída?

Lorenzo inclinou a cabeça, seus lábios se aproximando dos dela. O ar ficou denso, carregado de uma tensão quase insuportável. Isabella fechou os olhos, não por desejo, mas por um instinto de autopreservação, uma tentativa fútil de se proteger do impacto que ela sabia que viria.

O beijo não foi terno. Foi possessivo, faminto, uma declaração de posse que apagou qualquer resquício de dúvida que pudesse existir nos olhos dele. Ele a beijou com a ferocidade de quem sabia que estava lutando por algo valioso, algo que ele não podia perder. A língua dele explorou a dela, uma invasão sutil mas avassaladora, que fez o corpo de Isabella tremer. Ela sentiu o gosto do uísque, do poder, da perdição.

Quando ele finalmente se afastou, Isabella estava ofegante, os lábios inchados, a mente em um turbilhão. O beijo não tinha sido um gesto de amor, mas sim de domínio. Um aviso. Uma promessa de que ele a marcaria como sua, não importa o que acontecesse.

"Você pertence a mim, Isabella", Lorenzo sussurrou contra seus lábios, a voz carregada de uma possessividade que a fez sentir um arrepio na espinha. "Não se esqueça disso."

Ele se afastou, deixando-a sozinha na penumbra, com o gosto amargo de sua própria traição misturado ao doce veneno de seu beijo. A promessa que ela havia quebrado com ele era apenas o começo de uma teia complexa de enganos, e agora, ela sentia que estava prestes a ser enredada. A sombra do poder de Lorenzo se estendia, e ela sabia que, para sobreviver, teria que jogar um jogo ainda mais perigoso.

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