A Sombra do Poder

Capítulo 4 — O Jogo de Sombras e a Teia de Mentiras

por Mateus Cardoso

Capítulo 4 — O Jogo de Sombras e a Teia de Mentiras

O pendrive de Sofia era uma mina de ouro digital. Isabella passou a noite em claro, decifrando os arquivos criptografados. Eram registros de transações, e-mails codificados, e uma lista de pagamentos que apontavam para um nome: Ricardo Almeida. O braço direito de Luca. O homem que confiava em seus negócios, que supostamente era o mais leal à memória de Marco Rossi.

O choque foi avassalador. Ricardo? O homem que ela via todos os dias, que a ajudava a navegar no labirinto de seus negócios, que parecia tão dedicado à família Rossi? Uma raiva fria se instalou em seu peito, misturada com a amargura da traição.

Na manhã seguinte, ela convocou uma reunião com Luca e Ricardo em seu escritório. O sol da manhã banhava a sala, mas o clima era gélido. Isabella sentou-se em sua cadeira, o anel de rubi brilhando com uma intensidade ameaçadora.

"Ricardo," ela começou, a voz calma, mas com um tom afiado como uma lâmina. "Preciso que você me explique algumas coisas."

Ricardo a encarou, um leve sorriso em seus lábios. "Com prazer, Bella. O que a aflige?"

Isabella colocou o pendrive sobre a mesa. "O que são essas transações? Quem é esse contato com os Falcone?"

O sorriso de Ricardo vacilou. Seus olhos se estreitaram, e uma sombra de preocupação cruzou seu rosto. "Eu... eu não sei do que você está falando."

"Não minta para mim, Ricardo," Isabella disse, a voz ganhando força. "Eu sei que você estava desviando dinheiro. Eu sei que você estava vendendo informações para Enzo Falcone. Por quê?"

Luca observava a cena com uma expressão indecifrável. Ele parecia genuinamente surpreso, mas Isabella não sabia mais em quem confiar.

Ricardo engoliu em seco, o suor começando a brotar em sua testa. "Bella, eu... eu posso explicar. É tudo um mal-entendido."

"Mal-entendido?" Isabella riu, uma risada seca e sem humor. "Você traiu meu pai. Você vendeu nossos segredos para nossos inimigos. E agora você tem a audácia de me dizer que é um mal-entendido?"

"Eles me forçaram, Bella!" Ricardo implorou, o desespero tomando conta de sua voz. "Eles tinham minha família. Eles ameaçaram machucar minha esposa e meus filhos se eu não cooperasse."

A história era plausível. O submundo era implacável. Mas Isabella não podia se dar ao luxo de ser sentimental. A traição era uma ferida mortal.

"Você deveria ter vindo até mim, Ricardo," ela disse, a voz fria como gelo. "Você deveria ter me contado. Em vez disso, você escolheu o caminho da mentira. E agora você terá que arcar com as consequências."

Luca se aproximou de Ricardo, a expressão séria. "Ricardo, você sabe o que isso significa."

Ricardo balançou a cabeça desesperadamente. "Não, por favor! Eu posso consertar isso! Eu posso ser útil! Eu conheço os planos dos Falcone! Eu sei como eles vão atacar!"

"É tarde demais," Isabella disse, levantando-se. "Levem-no."

Dois de seus homens mais confiáveis entraram na sala e agarraram Ricardo pelos braços. Ele lutou, gritando, implorando por clemência.

"Bella, por favor! Não faça isso! Eu juro que me arrependo!"

Isabella o observou sair, o coração partido, mas a determinação inabalável. A lei dos Rossi era clara: traição significava morte. Ela não podia fazer exceções, nem mesmo por alguém que ela acreditava ser um amigo.

Após a saída de Ricardo, Isabella se virou para Luca. "Você sabia?"

Luca a encarou, seus olhos escuros e profundos. "Eu suspeitava de algo. As transações eram estranhas. Mas eu não tinha provas concretas. Ricardo era um homem bom, Bella. Eu nunca pensei que ele pudesse nos trair."

"Ninguém é bom o suficiente para ser confiável neste mundo, Luca," Isabella disse, sentindo o peso da solidão cair sobre ela. "Você me avisou. E eu não o ouvi. Eu fui cega."

"Você está aprendendo, Bella," Luca disse, a voz suave. "E você está se tornando uma líder forte. Mais forte do que seu pai jamais imaginou."

Ele se aproximou dela e pegou suas mãos, o toque firme e reconfortante. "O Ricardo estava certo sobre uma coisa. Os Falcone estão planejando algo. Algo grande. A queda de Ricardo os deixou vulneráveis, mas também mais perigosos."

"O que eles planejam?" Isabella perguntou, seus olhos verdes fixos nos dele.

"Eles querem tomar o controle do porto. É a nossa maior fonte de lucro. E eles estão reunindo forças para um ataque em larga escala."

Isabella sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O porto era o coração da operação Rossi. Perdê-lo significaria a ruína.

"Precisamos nos preparar," ela disse, a voz determinada. "Precisamos mostrar a Enzo Falcone que ele não pode brincar com a família Rossi."

Os dias seguintes foram de intensa preparação. Isabella e Luca organizaram suas forças, fortaleceram a segurança e traçaram estratégias para defender o porto. Ela estava jogando um jogo perigoso, um jogo de sombras e de mentiras, onde cada movimento podia ser o último.

Em uma noite chuvosa, enquanto Isabella revisava os planos de defesa, uma batida suave soou em sua porta. Era Luca. Ele parecia hesitante, sua expressão mais sombria do que o normal.

"Bella, eu tenho algo para você." Ele segurou um pequeno envelope. "Eu encontrei isso no escritório de Ricardo. Parecia importante."

Isabella pegou o envelope. Dentro, havia uma única fotografia. Era dela. Tirada em um momento em que ela estava sozinha, relaxada, sem saber que estava sendo observada. E atrás dela, no fundo da foto, estava Enzo Falcone, observando-a com aquele olhar calculista.

O sangue gelou em suas veias. Ele estava vigiando-a. Ele sabia tudo sobre ela. E o mais perturbador era a familiaridade que ela sentia ao olhar para aquela foto. Não era apenas a atração perigosa que ela sentia por ele. Era algo mais profundo. Uma conexão que ela não conseguia explicar.

Ela olhou para Luca, o medo começando a se instalar em seu coração. "Ele está jogando um jogo comigo, Luca. Um jogo muito perigoso."

"Eu sei, Bella," Luca respondeu, a voz baixa e grave. "E você precisa ser muito cuidadosa. Pois a sombra de Enzo Falcone é longa e traiçoeira."

Isabella sentiu o rubi em seu dedo, um lembrete de seu poder e de sua responsabilidade. A teia de mentiras estava se fechando ao seu redor, e ela sabia que precisava encontrar uma maneira de escapar, ou de se tornar a predadora. A guerra pela alma do Rio de Janeiro estava prestes a começar, e ela estava no centro do furacão.

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