A Sombra do Poder

Capítulo 8 — O Confronto Velado e a Proposta Indecente

por Mateus Cardoso

Capítulo 8 — O Confronto Velado e a Proposta Indecente

Os dias que se seguiram ao encontro nas ruínas foram carregados de uma tensão silenciosa. Helena se sentia observada, não apenas por Matteo, mas por todos ao seu redor. Cada olhar, cada gesto, parecia ter um significado oculto. O convite para trabalhar na biblioteca da mansão Rossi, um emprego que, a princípio, parecia uma oportunidade de recomeço, agora soava como uma forma de mantê-la sob vigilância.

A biblioteca era um santuário de conhecimento, um labirinto de estantes altas repletas de livros antigos e manuscritos raros. O cheiro de couro e papel velho pairava no ar, um aroma reconfortante para Helena. Ela se dedicava ao trabalho com afinco, encontrando um certo alívio na organização dos tomos, na catalogação de histórias que não eram as suas. Mas a presença de Matteo, mesmo que sutil, era constante. Ele a observava de longe, seus olhos escuros capturando cada movimento seu.

Um dia, enquanto organizava uma seção de livros de história da arte, Matteo a abordou. Ele não estava mais vestido com os trajes impecáveis de ocasião, mas com roupas mais casuais, porém ainda elegantes. Havia algo em sua postura que indicava um estado de espírito diferente, mais introspectivo.

"Encontrou algo interessante?", ele perguntou, sua voz baixa, quebrando o silêncio da biblioteca.

Helena se virou, um sobressalto percorrendo seu corpo. "Apenas a história de famílias que, como a sua, construíram impérios sobre fundações complexas."

Matteo deu um sorriso irônico. "Complexas é um eufemismo. Muitas vezes, essas fundações são construídas com os ossos daqueles que não tiveram escolha." Ele se aproximou, seus olhos fixos nos dela. "Você tem lidado bem com o trabalho. Sua presença aqui é... discreta."

"Eu sou discreta, Matteo. É assim que eu sei sobreviver", ela respondeu, tentando manter a voz firme.

Ele inclinou a cabeça, estudando-a. "Mas você não está apenas sobrevivendo, Helena. Você está questionando. Eu vejo isso em seus olhos, na forma como você folheia esses livros, procurando respostas que talvez não estejam nas páginas."

O coração de Helena acelerou. Ele a conhecia melhor do que ela imaginava. "Talvez eu esteja procurando entender o mundo em que fui jogada."

Matteo deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. A proximidade era eletrizante, perigosa. "Você não foi jogada, Helena. Você foi trazida. E agora, você faz parte da família. Seja por bem ou por mal."

A palavra "família" ecoou em sua mente. Era uma ironia cruel. "Eu sou uma prisioneira, Matteo. Uma convidada indesejada."

Ele a segurou suavemente pelo queixo, forçando-a a olhá-lo nos olhos. A intensidade do seu olhar era avassaladora. "Não mais. Você é mais do que isso. E você sabe."

O beijo do baile ressurgiu em sua memória, uma chama que se reacendia com a proximidade dele. Ela sentiu um desejo avassalador, mas também o medo.

"Não podemos fazer isso, Matteo. É... perigoso."

"Tudo o que fazemos é perigoso, Helena. O perigo é o nosso pão de cada dia. Mas às vezes, em meio a esse perigo, encontramos algo que vale a pena arriscar." Seus lábios roçaram os dela. "Você não sente isso? Essa... atração que nos puxa um para o outro, apesar de tudo?"

Helena fechou os olhos, rendendo-se por um instante à sensação. Era inegável. Uma força magnética que a atraía para ele, para o abismo que ele representava.

"Eu sinto", ela admitiu, a voz embargada.

Nesse momento, a porta da biblioteca se abriu abruptamente, e Lorenzo Rossi entrou. Ele parou, um sorriso calculista se espalhando por seu rosto ao ver a proximidade entre Matteo e Helena.

"Ora, ora. O que temos aqui? Uma reunião secreta no templo do saber?", Lorenzo comentou, sua voz cheia de sarcasmo. Ele se aproximou, seu olhar trocando um rápido, mas carregado, entendimento com Matteo. "Desculpem interromper, irmão. Mas o assunto é... delicado."

Matteo soltou Helena abruptamente, o olhar frio voltando aos seus olhos. A vulnerabilidade havia desaparecido, substituída pela máscara impenetrável do chefe da máfia. "Lorenzo. O que é tão urgente que não pode esperar?"

"São notícias do exterior. Uma nova rota de comércio foi descoberta, e nossos concorrentes em Palermo não estão nada felizes com isso. Eles acreditam que você os está prejudicando." Lorenzo caminhou em direção a uma poltrona de couro, sentando-se com a mesma desenvoltura de sempre. "Eles estão ameaçando retaliar. E, de acordo com meus informantes, eles têm um trunfo que pode nos atingir onde mais dói."

Helena sentiu um calafrio. "Um trunfo? O que isso quer dizer?"

Lorenzo olhou para ela, um brilho de diversão perversa em seus olhos. "Significa, querida Helena, que eles podem ter descoberto algo sobre o seu passado. Algo que você preferiria manter em segredo."

O estômago de Helena revirou. O medo a dominou. O que eles poderiam saber? E como isso poderia prejudicá-la?

"Que tipo de segredo?", Matteo perguntou, sua voz perigosamente baixa. Ele se virou para Helena, uma preocupação genuína em seus olhos, mas também uma desconfiança velada.

"Ah, irmão, você sabe. Sempre há mais histórias por trás de cada rosto", Lorenzo disse, dando de ombros. "Mas o ponto principal é que, para garantir a nossa paz, é necessário fazer um gesto de boa vontade. Uma aliança. E eu tenho uma proposta." Ele olhou para Helena, um sorriso cruel se formando em seus lábios. "Uma aliança com uma família influente de Nápoles. Uma família que tem um filho solteiro, ansioso por um casamento vantajoso. E essa família... tem uma forte ligação com as autoridades italianas. Uma ligação que pode nos dar... proteção."

Helena sentiu o ar fugir de seus pulmões. Ela sabia onde isso estava indo. "Você quer que eu me case, Lorenzo?"

"Um casamento estratégico, Helena. Um que fortalecerá a nossa posição e, ao mesmo tempo, nos dará a segurança que precisamos. E o filho do chefe da Camorra de Nápoles é, sem dúvida, um bom partido." Lorenzo fez uma pausa, saboreando o choque no rosto de Helena. "É claro, ele já tem uma noiva. Mas, como você sabe, no nosso mundo, noivos podem ser... substituídos."

Matteo se levantou abruptamente, sua raiva contida irradiando dele. "Lorenzo, você enlouqueceu? Você não pode fazer isso com ela!"

"Não estou fazendo nada, irmão. Estou propondo uma solução. Um sacrifício, sim, mas um sacrifício necessário para o bem da família. E Helena, você é a mais adequada para isso. Você tem a beleza, a discrição... e a necessidade de um lugar seguro."

Helena estava pálida, o corpo tremendo. Casar-se com um membro da Camorra? Ser um peão em um jogo de poder tão brutal? Era um pesadelo se tornando realidade.

"Eu não vou me casar com ninguém, Lorenzo", Helena disse, sua voz firme apesar do medo.

Lorenzo riu. "Ah, mas você vai. A menos que você tenha algo que eu possa usar em troca. Algo que possa interessar mais ao meu irmão do que um casamento com a Camorra." Ele olhou para Matteo, um desafio claro em seus olhos.

Matteo estreitou os olhos, entendendo a implicação. Lorenzo estava usando Helena para forçá-lo a uma decisão.

"O que você quer, Lorenzo?", Matteo perguntou, sua voz tensa.

Lorenzo se levantou e caminhou até Helena, parando bem perto dela. Ele a estudou com um olhar calculista. "Eu quero que você me diga tudo o que Helena sabe sobre os planos do seu pai. Todos os segredos que ela esconde. Se ela me contar tudo, eu desisto dessa ideia do casamento. E garanto que ninguém a incomodará mais com isso."

Helena olhou para Matteo, buscando uma resposta, uma proteção. Mas ele estava preso em um dilema. A segurança de Helena contra a revelação dos segredos de seu pai.

"Eu não sei de nada que possa ajudar você, Lorenzo", Helena disse, a verdade em suas palavras.

"Tem certeza?", Lorenzo insistiu, seus olhos perfurando os dela. "Talvez você não saiba que sabe. Talvez as informações estejam escondidas em algum lugar que você nem imagina. Ou talvez você esteja apenas protegendo o legado do seu pai. Um legado que, francamente, não vale muito agora."

Matteo deu um passo à frente, colocando-se entre Lorenzo e Helena. "O assunto do pai dela é comigo, Lorenzo. E eu não vou permitir que você a use como moeda de troca."

Lorenzo sorriu, um sorriso vitorioso. "Ah, Matteo. Você sempre foi o protetor. Mas desta vez, você não tem escolha. Se Helena não me der o que eu quero, então ela se casa com o napolitano. E você... você terá que lidar com a fúria de duas famílias."

Helena sentiu o peso da responsabilidade cair sobre seus ombros. Ela não podia colocar Matteo em perigo por causa de seu passado. Mas também não podia trair a memória de seu pai, por mais sombria que fosse.

"Eu não tenho segredos para contar, Lorenzo", Helena disse, sua voz firme, mas com uma ponta de desespero. "E eu não vou me casar." Ela olhou para Matteo, um pedido silencioso de ajuda em seus olhos.

Matteo apertou os punhos, a raiva borbulhando sob a superfície. Ele sabia que Lorenzo estava jogando um jogo perigoso, e que Helena era apenas uma peça em seu tabuleiro.

"Pare com isso, Lorenzo", Matteo disse, sua voz baixa e ameaçadora. "Você não vai usá-la. E você não vai casá-la com ninguém."

Lorenzo riu. "Ah, irmão. O amor é cego, não é mesmo? Você está se apaixonando por ela, não é? Isso é perigoso. Muito perigoso. Porque o amor, no nosso mundo, é uma fraqueza. E as fraquezas são exploradas. E se você não me der o que eu quero, então você terá que escolher entre proteger Helena ou proteger a si mesmo e aos seus negócios."

A proposta indecente de Lorenzo pairava no ar, um veneno sutil que ameaçava destruir a frágil confiança que havia começado a florescer entre Matteo e Helena. A biblioteca, antes um refúgio, tornara-se o palco de um confronto velado, onde as sombras do poder se estendiam para engolir qualquer esperança de um futuro mais tranquilo.

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