Vício em Teu Beijo

Capítulo 14 — A Fuga em Desespero e o Sussurro da Esperança em Meio ao Caos

por Mateus Cardoso

Capítulo 14 — A Fuga em Desespero e o Sussurro da Esperança em Meio ao Caos

O barulho da sirene distante, cada vez mais próximo, quebrou o silêncio da madrugada. O confronto no armazém, apesar de ter sido rápido, não passou despercebido. A troca de tiros, os gritos, tudo foi ouvido. Rafael e Isabella sabiam que precisavam desaparecer, e rápido. A polícia poderia ser tanto uma aliada quanto uma inimiga naquele mundo onde as linhas entre a lei e o submundo eram tênues e facilmente cruzadas.

"Merda!", Rafael praguejou, pegando Isabella pela mão. "Ricardo nos entregou para a polícia. Ele quer nos eliminar de uma vez por todas."

O desespero tomou conta de Isabella. Ela viu a esperança de refúgio se dissipar, substituída pelo medo de ser presa, separada de Rafael, ou pior, entregue a Ricardo. "O que vamos fazer?", ela perguntou, a voz embargada pela urgência.

"Vamos sair daqui. Pela parte de trás", Rafael disse, guiando-a para uma saída de serviço escondida. Ele já havia planejado esse plano B, um instinto de autopreservação desenvolvido ao longo de anos vivendo à margem da lei.

Eles correram pelas vielas escuras e labirínticas da cidade, o som das sirenes servindo como uma trilha sonora macabra para sua fuga. Cada esquina parecia esconder um perigo, cada sombra um potencial inimigo. Rafael, com seu conhecimento profundo das entranhas de São Paulo, guiava Isabella com uma precisão impressionante, desviando de patrulhas policiais e de possíveis capangas de Ricardo.

Enquanto corriam, Isabella sentiu a adrenalina pulsando em suas veias, o medo dando lugar a uma determinação feroz. Ela não seria presa. Ela não seria entregue. Ela lutaria por sua liberdade, por sua vida, e por vingar Marco.

"Eu não posso perder você, Isabella", Rafael ofegou, enquanto eles se escondiam atrás de uma pilha de caixas em um beco. "Você é tudo para mim."

Isabella olhou para ele, seus olhos encontrando os dele na escuridão. O medo em seu rosto, a preocupação genuína, reafirmaram o amor que sentia por ele. "E você para mim, Rafael", ela respondeu, agarrando sua mão com mais força. "Nós vamos superar isso. Juntos."

Eles continuaram a fuga, escalando muros, atravessando telhados, sempre um passo à frente da polícia e de Ricardo. O corpo de Rafael, acostumado a esse tipo de esforço, aguentava o tranco, mas Isabella, embora forte, sentia o cansaço pesar sobre seus ombros.

Finalmente, chegaram a um ponto onde um carro antigo e discreto estava estacionado. Era um dos muitos veículos que Rafael usava para seus deslocamentos discretos. Ele abriu a porta para Isabella. "Entre. Vou te levar para um lugar onde possamos realmente ficar seguros, pelo menos por enquanto."

Enquanto se afastavam em alta velocidade, deixando as luzes da cidade para trás, Isabella sentiu um misto de exaustão e esperança. Eles haviam escapado, mas sabiam que a perseguição não terminaria ali. Ricardo era implacável, e ele não descansaria até tê-los em suas mãos.

O destino era um pequeno sítio no interior de São Paulo, um lugar esquecido pelo tempo, onde Rafael crescera. Um lugar que guardava memórias de uma infância mais simples, antes de ser arrastado para o mundo da máfia. A viagem foi longa e tensa, com Rafael constantemente olhando pelos retrovisores, sua vigilância nunca falhando.

Ao chegarem, a casa parecia adormecida, cercada pela vastidão verde da natureza. O ar era puro, um contraste gritante com a poluição e a tensão da cidade. Rafael abriu a porta e os conduziu para dentro. O interior era rústico, mas aconchegante, com móveis antigos e um cheiro de terra e madeira.

"Aqui, ninguém vai nos encontrar", Rafael disse, sua voz finalmente relaxando um pouco. Ele se virou para Isabella, que parecia exausta, mas com um brilho de esperança nos olhos. "Você precisa descansar."

Ele a guiou para um quarto simples, mas confortável. Isabella se deitou na cama, o corpo dolorido, a mente ainda em turbilhão. Rafael sentou-se ao lado dela, pegando sua mão.

"Eu sinto muito por tudo isso", ele disse, a voz carregada de culpa. "Se eu não tivesse me envolvido com você, talvez..."

Isabella apertou sua mão. "Não diga isso, Rafael. O que temos é real. E eu não me arrependo de nada. Marco me disse para confiar em você."

A menção de Marco trouxe um nó à garganta de Rafael. Ele sabia que Marco havia visto algo especial neles, algo que ia além do perigo e da máfia. "Ele era um bom homem", Rafael sussurrou. "Ele não merecia o que aconteceu."

"Ninguém merece", Isabella concordou, as lágrimas voltando aos seus olhos. "Mas vamos honrar a memória dele. Vamos acabar com Ricardo e com quem estiver por trás disso."

Naquele momento, em meio à tranquilidade do campo, longe do caos da cidade, um novo tipo de esperança começou a florescer. A esperança de que eles poderiam, juntos, superar os obstáculos que se apresentavam. A esperança de um futuro onde o amor pudesse triunfar sobre a violência e a traição.

Enquanto isso, Ricardo, furioso com a fuga de Rafael e Isabella, estava reunido com seus homens. A polícia não havia conseguido detê-los, e isso era inaceitável. Ele precisava de um novo plano, um plano mais drástico.

"Eles acham que escaparam", Ricardo disse, seus olhos faiscando de raiva. "Mas eles não sabem com quem estão lidando. Vamos encontrá-los. E desta vez, não haverá escapatória."

Ele olhou para um dos seus homens, um especialista em rastreamento. "Eu quero que você encontre o rastro deles. Quero saber onde eles se refugiaram. E quando os encontrarmos, quero que façam um trabalho limpo. Sem testemunhas."

O homem assentiu, um sorriso cruel em seus lábios. Ele sabia o que Ricardo queria, e estava pronto para cumprir. A esperança de Isabella e Rafael, por mais forte que fosse, estava prestes a ser testada novamente. A noite no campo trazia uma calmaria ilusória, pois a escuridão da máfia os alcançaria mais uma vez.

Isabella adormeceu nos braços de Rafael, o cansaço vencendo a vigília. Rafael ficou acordado, observando-a, a determinação em seus olhos. Ele sabia que o caminho à frente seria árduo, mas a presença de Isabella lhe dava a força que ele precisava. O sussurro da esperança, mesmo em meio ao caos, era a melodia que os guiaria.

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