Vício em Teu Beijo
Capítulo 18 — A Emboscada na Madrugada e o Sacrifício Inesperado
por Mateus Cardoso
Capítulo 18 — A Emboscada na Madrugada e o Sacrifício Inesperado
A noite na Fortaleza se tornara um labirinto de sombras e perigo. O som das vozes de Vittorio e Marco ecoava pelos corredores, uma ameaça palpável que os impelia a agir com velocidade e discrição. Leonardo, com a pasta contendo as provas cruciais firmemente apertada em suas mãos, puxou Isabella para um corredor lateral, afastando-se da biblioteca. O ar estava rarefeito, cada respiração um esforço, cada movimento um risco.
“Para onde vamos?”, Isabella sussurrou, o corpo tenso, os olhos fixos nas sombras que pareciam ganhar vida.
“A saída de serviço na ala leste. É menos patrulhada”, Leonardo respondeu, sua voz baixa, mas firme. Ele conhecia a Fortaleza como a palma de sua mão, uma vantagem crucial naquele momento de desespero. “Mas eles sabem que estamos aqui. Vão nos cercar.”
Eles se moveram rapidamente, deslizando pelas paredes, evitando as áreas iluminadas. A opulência dos corredores parecia zombar deles, um contraste cruel com o perigo iminente. Isabella sentiu o peso das provas em suas mãos, o símbolo de sua vingança, a esperança de justiça. Mas a mão de Leonardo em seu braço a puxando, a certeza em seus olhos, a acalmavam um pouco.
Ao chegarem perto da ala leste, um grupo de homens armados surgiu de um corredor adjacente, bloqueando o caminho. Eram capangas de Vittorio, rostos impassíveis, armas apontadas. O silêncio tenso se quebrou com a voz de Marco.
“Vocês não vão a lugar algum”, ele disse, emergindo das sombras, um sorriso triunfante nos lábios. Seus olhos brilhavam com uma crueldade fria, a personificação da traição que Isabella sentia corroer seu interior. “Achou mesmo que poderia fugir tão facilmente, irmãzinha?”
A palavra "irmãzinha" soou como um insulto. Isabella sentiu uma onda de raiva subir por suas veias.
“Você não é meu irmão, Marco”, ela cuspiu, a voz trêmula, mas carregada de desprezo. “Você é um verme. Um traidor.”
Marco riu, um som desagradável e sem humor. “E você é uma tola. Acreditou que podia me enganar? Que podia fugir do controle de meu pai? Que patético.” Ele deu um passo à frente. “Entregue a pasta, Isabella. E talvez possamos poupar sua vida. Devolvemos você para Vittorio, e ele decidirá seu destino.”
Leonardo deu um passo à frente, posicionando-se entre Isabella e Marco. Seus olhos encontraram os de Marco, um confronto silencioso de ódio e determinação. “Ela não vai entregar nada. E você não vai machucá-la.”
“Ah, o guarda-costas valente”, Marco zombou. “Você acha que pode me enfrentar? Você não é nada. Apenas um peão descartável.” Ele gesticulou para os capangas. “Peguem a garota e a pasta. Sem alardes desnecessários.”
Os capangas avançaram. Leonardo agiu com a velocidade de um raio. Ele empurrou Isabella para trás, puxando-a para o lado enquanto se lançava contra o primeiro agressor. A luta foi brutal e rápida. Leonardo era habilidoso, cada movimento preciso e letal, mas ele estava em desvantagem numérica. Isabella, vendo a luta desigual, não conseguia ficar parada.
Ela agarrou um pesado candelabro de bronze de uma mesa próxima e, com um grito de fúria, desferiu um golpe poderoso contra o capanga que se aproximava de Leonardo por trás. O homem cambaleou, atordoado.
“Vá, Isabella! Corra!”, Leonardo gritou, aproveitando a distração para derrubar outro oponente.
Mas Isabella não podia correr. Ela viu a oportunidade, e sabia que era a sua chance. Seus olhos encontraram os de Marco, que observava a cena com um misto de surpresa e raiva.
“Você nunca me subestime, Marco!”, ela gritou, correndo em direção a ele, ignorando os perigos ao seu redor.
Marco recuou, pego de surpresa pela audácia dela. Isabella se lançou contra ele, não com a intenção de lutar, mas de causar um alarme. Ela agarrou um sino de alarme ornamentado em uma mesa próxima e o acionou com força. O som estridente ecoou pela Fortaleza, um grito de alerta que ecoou por toda a estrutura.
“Não!”, Marco gritou, tentando detê-la, mas Leonardo, mesmo ferido, conseguiu agarrar o braço dele, impedindo-o.
“Agora, Isabella! Vá!”, Leonardo implorou.
O barulho do alarme atraiu mais guardas. De todos os lados, luzes se acenderam, e o som de botas correndo em direção a eles se tornou ensurdecedor.
“Eu não te deixo para trás, Leo!”, Isabella gritou, sua voz cheia de desespero.
Leonardo a olhou, seus olhos encontrando os dela em meio ao caos. Havia uma resignação em seu olhar, mas também uma determinação feroz. “Você tem que ir. As provas… tudo o que lutamos para conseguir. Você tem que levá-las para fora. Por nós. Por você.”
Ele a empurrou violentamente em direção a uma janela próxima. Marco, livre momentaneamente do aperto de Leonardo, tentou agarrá-la, mas um dos capangas de Vittorio, que parecia estar mais leal a seu chefe do que a Marco, o segurou.
“Pegue-a!”, Marco ordenou, a voz rouca de raiva.
Leonardo se lançou contra Marco e o capanga, dando a Isabella o tempo que ela precisava. Ela tropeçou até a janela, o vidro refletindo o caos em seu interior. Olhou para trás uma última vez. Viu Leonardo lutando bravamente, em desvantagem, mas nunca cedendo. Viu Marco, furioso, tentando alcançá-la.
Sem hesitar, ela quebrou o vidro com o cotovelo e saltou para a noite fria. O impacto no chão foi doloroso, mas a adrenalina a impulsionou. Ela correu, sem olhar para trás, o som do alarme e dos gritos se distanciando gradualmente. Levava consigo não apenas as provas, mas também o peso de ter deixado Leonardo para trás.
Horas depois, escondida em um esconderijo seguro que Leonardo havia preparado, Isabella chorava. As provas estavam seguras, mas o preço fora terrível. Ela revivia a cena em sua mente, a luta de Leonardo, o sacrifício que ele estava fazendo. O toque de seus lábios em sua testa momentos antes de ela saltar, a promessa em seus olhos.
“Eu não vou esquecer você, Leo”, ela sussurrou para a escuridão, as lágrimas escorrendo por seu rosto.
Uma figura emergiu das sombras. Era um dos homens de confiança de Leonardo, um homem que ela conhecia como "Sombra". Seus olhos eram sombrios, mas havia um respeito genuíno neles.
“Sinto muito pela sua perda, senhorita Isabella”, ele disse, sua voz grave. “Leonardo… ele era um homem corajoso.”
Isabella levantou a cabeça, surpresa. “Ele… ele morreu?”
Sombra hesitou. “Não tenho certeza. A luta foi intensa. Ele nos deu tempo. Tempo para você escapar. Ele se sacrificou para que você pudesse ter uma chance.”
Uma pequena centelha de esperança surgiu no peito de Isabella. “Ele… ele pode ter sobrevivido?”
“Leonardo é um guerreiro. Ele sabe como sobreviver”, Sombra disse, mas a incerteza em sua voz a atingiu. “Mas ele sabia os riscos. Ele sabia que se fosse pego, seria o fim. Ele me instruiu a te proteger, a te levar para longe daqui, e a entregar estas provas às autoridades. Ele disse que era a única maneira de derrotar Vittorio.”
Sombra estendeu um pequeno envelope para ela. Isabella o abriu. Dentro, havia um bilhete escrito à mão por Leonardo.
"Isabella, se você está lendo isto, significa que eu não consegui sair. Mas não desanime. Você tem o que precisa para destruir meu pai e o seu. Use isso. Seja forte. Eu sempre estarei com você, em cada passo. Não me decepcione. Eu te amo."
O bilhete caiu de suas mãos trêmulas. As lágrimas voltaram com mais força. Ela o amava. Ele a amava. E ele se sacrificara por ela. A dor da perda era insuportável, mas a força que ele lhe incutira, a sua última mensagem, a impulsionava. Ela não poderia deixá-lo morrer em vão. A vingança que ela buscava agora tinha um propósito ainda maior: honrar o sacrifício de Leonardo e acabar com o reinado de terror de Vittorio.