Vício em Teu Beijo

Capítulo 3 — O Jogo de Sombras e o Primeiro Toque Proibido

por Mateus Cardoso

Capítulo 3 — O Jogo de Sombras e o Primeiro Toque Proibido

Os dias seguintes foram uma torrente de preparativos. A casa Rossi se transformou em um palco de alta costura e planejamento meticuloso. Vestidos eram escolhidos, convites eram enviados, e a imprensa, astuta e faminta por fofocas, já começava a especular sobre a união das duas mais poderosas famílias de São Paulo. Cada olhar, cada sorriso que eu trocava com Marco durante os encontros supervisionados por nossos pais, era analisado. Era um jogo de aparências, onde a fachada de felicidade e aliança era a moeda mais valiosa.

Marco, por sua vez, era um enigma. Durante os encontros, ele exibia a polidez esperada de um futuro esposo, mas seus olhos guardavam uma intensidade que me desarmava. Ele parecia me estudar, decifrar cada nuance da minha expressão, cada hesitação na minha voz. E eu, por minha vez, me pegava observando-o, tentando encontrar o homem por trás do Don, do herdeiro da máfia.

Em uma tarde chuvosa, eu estava na biblioteca da mansão, buscando refúgio nos livros, quando ele apareceu. A chuva tamborilava nas janelas, criando uma atmosfera melancólica.

"Pensando em fugir?", perguntou ele, sua voz ecoando na quietude do cômodo.

Me virei, surpresa. Ele estava parado na porta, com uma expressão indecifrável no rosto.

"Apenas buscando um pouco de paz", respondi, voltando minha atenção para o livro em minhas mãos.

Ele se aproximou, seus passos quase inaudíveis. Ele parou ao meu lado, sua presença preenchendo o espaço. O cheiro amadeirado de seu perfume era mais forte aqui, no ambiente fechado.

"Paz é um luxo que poucos podem se dar", disse ele, seus olhos azuis fixos na lombada do livro.

"E você, Marco? Você tem paz?", perguntei, a pergunta escapando antes que eu pudesse contê-la.

Ele soltou um suspiro baixo, quase imperceptível. "Paz é uma ilusão. O que existe são momentos de trégua."

Ele estendeu a mão e tocou a capa do livro que eu segurava. Era um romance clássico, uma história de amor e tragédia. Um sorriso irônico surgiu em seus lábios.

"Escolhas interessantes, Isabella."

"É apenas uma história", respondi, sentindo-me levemente envergonhada.

"Todas as histórias têm um fundo de verdade", disse ele, seus olhos voltando para mim. "E todas contam sobre desejos não realizados."

Houve um silêncio carregado entre nós, preenchido apenas pelo som da chuva. A proximidade dele era desconcertante. Eu podia sentir o calor que emanava dele, a força contida em seu corpo.

"Você tem desejos não realizados, Isabella?", ele sussurrou, sua voz rouca, a poucos centímetros do meu rosto.

Meu coração disparou. Era ousado demais, íntimo demais para a fase em que estávamos. Mas havia algo em seu olhar que me puxava, que me fazia querer responder com a mesma intensidade.

"Todos temos", respondi, minha voz um sussurro.

Ele aproximou o rosto do meu, seus olhos escuros vasculhando os meus. "E quais são os seus?"

Eu não conseguia falar. A respiração ficou presa em minha garganta. O ar entre nós crepitava com uma tensão elétrica, uma promessa de algo proibido.

Então, ele fez. Ele levou a mão ao meu rosto, seus dedos frios deslizando suavemente pela minha bochecha. O toque era leve, mas eletrizante. Meu corpo todo reagiu, um arrepio percorrendo minha espinha.

"Você é linda quando está nervosa", murmurou ele, seus olhos azuis brilhando na penumbra.

Eu me encolhi ligeiramente com o toque, não por medo, mas pela intensidade da sensação. Era o primeiro toque deliberado dele, fora de um aperto de mão formal. Era perigoso. Era sedutor.

"Marco...", comecei, mas minha voz falhou.

Ele inclinou a cabeça, seus lábios quase tocando os meus. "Eu sei", sussurrou ele. "Eu também sinto."

O momento estava carregado, prestes a explodir. A porta da biblioteca se abriu abruptamente, e meu pai entrou, um sorriso forçado no rosto.

"Isabella, sua mãe está a sua espera. E Marco, tivemos uma ligação importante."

A bolha de intimidade se estourou. Marco se afastou de mim, o olhar voltando à sua máscara impenetrável. A decepção em seus olhos foi sutil, mas eu a senti.

"Até mais tarde, Isabella", disse ele, sua voz voltando ao tom formal.

Enquanto eu ia com meu pai, não pude deixar de olhar para trás. Marco estava parado no meio da biblioteca, seu olhar perdido na chuva lá fora. Eu senti um aperto no peito. Aquele toque, por mais breve que fosse, havia acendido uma chama que eu não sabia se podia controlar.

Naquela noite, durante o jantar com a família Santoro, eu mal conseguia olhar para Marco. A memória do toque dele em meu rosto, a proximidade de seus lábios, me assombrava. Ele parecia diferente, mais relaxado, mas ainda assim, perigoso. Ele ria com meu pai, discutia negócios com Don Antonio, mas seus olhos, ocasionalmente, cruzavam os meus, e eu sentia um calor percorrer meu corpo.

Mais tarde, enquanto estávamos sentados na varanda, sob o céu estrelado, ele se aproximou novamente.

"Você não disse nada desde a biblioteca", comentou ele, sua voz calma.

"Eu estava... ocupada", respondi, sem olhar para ele.

"Ocupada pensando em mim?", ele sussurrou, um tom de provocação em sua voz.

Eu o olhei, tentando manter uma expressão neutra. "Não seja presunçoso."

Ele sorriu, um sorriso genuíno dessa vez, que iluminou seu rosto de uma forma inesperada. "Mas você estava pensando em mim, não estava?"

Eu não respondi. Apenas continuei a olhar para as estrelas.

Ele se sentou ao meu lado, a distância entre nós diminuindo. O silêncio voltou, mas agora era um silêncio carregado de tensão e expectativa.

"Isabella", ele disse, sua voz mais séria. "Eu sei que este casamento não é o que você sonhou. Mas eu quero que você saiba que farei o meu melhor para que você não se arrependa."

Era uma promessa, dita em um tom que eu não conseguia decifrar. Era sinceridade? Ou era mais um jogo?

"Eu espero que sim, Marco", respondi, minha voz carregada de uma esperança cautelosa.

Ele se virou para mim, seu olhar intenso. "Eu nunca fui bom em promessas. Mas eu sempre fui bom em cumprir o que eu quero."

O que ele queria? Essa era a pergunta que me assombrava. Ele queria a aliança, o poder, ou ele queria algo mais?

De repente, ele se inclinou e depositou um beijo rápido em minha testa. Foi um gesto inesperado, quase terno. Meu corpo todo reagiu, um choque elétrico percorrendo-me.

"Durma bem, Isabella", sussurrou ele, antes de se levantar e desaparecer na escuridão.

Eu fiquei ali, sentada na varanda, sentindo o calor do beijo dele em minha testa. O toque foi breve, mas deixou uma marca. Era um vislumbre de algo mais, algo que me deixava ansiosa e curiosa. O jogo de sombras estava apenas começando, e eu sentia que estava prestes a me perder nele. O vício em seu beijo, ainda não experimentado, já começava a se formar em meu subconsciente.

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