Vício em Teu Beijo

Capítulo 4 — Sussurros de Perigo e o Brilho de um Desejo Latente

por Mateus Cardoso

Capítulo 4 — Sussurros de Perigo e o Brilho de um Desejo Latente

O anúncio oficial do noivado foi um evento grandioso, um espetáculo midiático que colocou as famílias Rossi e Santoro sob os holofotes. Jornais estampavam manchetes sobre a união das duas potências, e a cidade fervilhava com especulações. Para mim, era um pesadelo mascarado de celebração. Cada sorriso forçado, cada aperto de mão com Marco, era um lembrete da minha prisão dourada.

Marco, no entanto, parecia prosperar sob os holofotes. Ele era charmoso, articulado, e exibia uma confiança que beirava a arrogância. Ele me tratava com uma polidez impecável em público, mas seus olhos, às vezes, me lançavam olhares que prometiam algo mais, algo que me deixava inquieta e, admito, excitada.

Um dia, enquanto eu caminhava pelos jardins exuberantes da mansão Rossi, buscando um momento de solidão, ouvi vozes. Eram meu pai e Don Antonio Santoro, conversando em tons baixos e sérios, escondidos entre as roseiras. A curiosidade, e um pressentimento sombrio, me impulsionaram a me aproximar, me escondendo atrás de uma grande magnólia.

"...a operação em Santos precisa ser limpa", dizia meu pai, sua voz tensa. "Sem deixar rastros."

"Marco está cuidando disso", respondeu Don Antonio. "Ele é eficiente. Mas os tempos estão difíceis. Os Neri estão nos pressionando em todas as frentes."

"Marco é jovem, mas tem a astúcia de um velho lobo", disse meu pai, um tom de orgulho na voz. "Ele vai garantir que nosso império continue intacto."

Um frio percorreu minha espinha. Operação em Santos? Império? Os sussurros de perigo que sempre cercaram a família Santoro, e agora a minha própria, se tornavam mais claros. Eu estava me casando com um homem que operava nas sombras, um homem envolvido em atividades que eu mal conseguia compreender.

"E Isabella?", perguntou Don Antonio, mudando o tom. "Ela está aceitando bem a situação?"

"Ela é uma Rossi", respondeu meu pai, com uma firmeza que me deixou apreensiva. "Ela entende seu dever. E Marco... ele parece ter um certo interesse nela."

Meu coração acelerou. Interesse? Ou posses?

"Que assim seja", disse Don Antonio. "Uma aliança forte começa com os corações unidos, mesmo que comecem em caminhos tortuosos."

Saí de trás da magnólia, meu corpo tremendo. O que eram essas "operações"? Quem eram os "Neri"? E o que meu pai quis dizer com "interesses"? Eu estava prestes a me casar com um homem perigoso, e meu mundo parecia desmoronar a cada instante.

Naquela noite, o jantar foi tenso. Marco parecia diferente, mais reservado, os olhos carregados de uma escuridão que não estava lá antes. Ele mal tocou na comida, e seus olhos se perdiam em algum ponto distante.

"Algo o incomoda, Marco?", perguntei, minha voz suave, mais por instinto do que por coragem.

Ele me olhou, e por um instante, vi a fachada de gelo rachar. Havia uma vulnerabilidade em seus olhos que me surpreendeu.

"Apenas... negócios complicados", respondeu ele, voltando a comer.

Mais tarde, enquanto estávamos sentados na sala de estar, meu pai e Don Antonio discutiam a estratégia de negócios, Marco se aproximou de mim. Ele pegou minha mão, um gesto ousado em frente aos outros.

"Preciso falar com você a sós, Isabella", sussurrou ele, seus dedos apertando levemente os meus.

Meu coração disparou. O que ele queria? Ele sabia que eu ouvira a conversa?

Ele me guiou para a varanda, o ar fresco da noite nos envolvendo. As estrelas brilhavam intensamente, mas pareciam distantes, indiferentes à tempestade que se formava dentro de mim.

"Você ouviu alguma coisa?", perguntou ele, sua voz baixa, mas penetrante.

Engoli em seco. "Eu... eu não sei do que você está falando."

Ele riu, um som seco e sem humor. "Não minta para mim, Isabella. Eu conheço o olhar de quem escuta atrás das portas."

Senti um calafrio percorrer minha espinha. Eu estava em seu poder.

"Eu... eu ouvi algo sobre operações", confessei, minha voz tremendo. "E sobre os Neri."

Marco suspirou, passando a mão pelos cabelos. Ele parecia exausto, cansado da fachada que precisava manter.

"É um mundo sujo, Isabella", disse ele, olhando para o céu. "Um mundo onde a linha entre o certo e o errado é tênue. E onde a sobrevivência exige escolhas difíceis."

Ele se virou para mim, seus olhos azuis buscando os meus. "Eu não pedi para estar aqui. Mas estou. E farei o que for preciso para proteger o que é meu. E para proteger você."

A sinceridade em sua voz era palpável. Mas o que ele queria dizer com "proteger você"? Era um dever, ou algo mais profundo?

"Eu não entendo, Marco", disse eu, a voz embargada. "Por que eu? Por que nós?"

Ele deu um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal. O perfume dele me envolveu, uma mistura de perigo e desejo.

"Porque você é Isabella Rossi", disse ele, sua voz rouca. "E porque, apesar de tudo, eu a quero. E não vou deixar ninguém, nem mesmo os Neri, tirá-la de mim."

Ele ergueu a mão e, com um toque hesitante, afastou uma mecha de cabelo do meu rosto. Seus dedos roçaram minha pele, e um arrepio percorreu meu corpo. Era um toque diferente dos anteriores, mais íntimo, mais... possessivo.

"Você tem um fogo dentro de si, Isabella", sussurrou ele, seus olhos azuis brilhando com uma intensidade que me desarmou. "Um fogo que eu quero acender."

E então, ele fez. Ele se inclinou e seus lábios encontraram os meus.

O beijo foi diferente de tudo que eu já experimentara. Não era terno, nem suave. Era faminto, exigente, cheio de um desejo reprimido por muito tempo. Seus lábios eram firmes, mas macios, e a maneira como ele me beijava, como se quisesse me consumir, era avassaladora.

Meu corpo reagiu instintivamente. Minhas mãos se ergueram e se agarraram às suas lapelas, me puxando para mais perto. A chuva parecia ter parado, e o mundo inteiro se resumiu àquele beijo, àquele toque proibido. O sabor dele era inebriante, uma mistura de vinho e perigo. Eu me perdi naquele beijo, no abismo de desejo que ele abriu dentro de mim.

Ele aprofundou o beijo, sua língua explorando a minha, e eu respondi com a mesma ferocidade. Era um beijo de rendição, de entrega, de um desejo que eu não sabia que possuía. Senti meu corpo tremer, minhas pernas fraquejarem.

Quando ele finalmente se afastou, meus lábios estavam inchados e meu corpo ardia. Eu estava ofegante, meu coração batendo descontroladamente no peito.

Marco me olhou, seus olhos azuis escuros brilhando com uma paixão que me deixou sem fôlego. Havia uma intensidade ali que me assustava e me atraía ao mesmo tempo.

"Agora você sabe", sussurrou ele, sua voz rouca. "Agora você sabe o que eu quero."

Eu não conseguia falar. Eu estava hipnotizada por ele, pela força que ele emanava, pelo desejo em seus olhos. O beijo dele era um vício, um veneno doce que eu já não conseguia recusar.

Ele sorriu, um sorriso sombrio e sedutor. "E você, Isabella? O que você quer?"

Eu não sabia a resposta. Eu estava perdida em um labirinto de emoções confusas, de perigo e desejo. Mas uma coisa era certa: aquele beijo, aquele primeiro beijo proibido, havia acendido uma chama em mim, uma chama que eu não tinha certeza se queria apagar. O vício em seu beijo havia começado, e eu sabia que seria difícil, senão impossível, resistir.

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