Vício em Teu Beijo

Vício em Teu Beijo

por Mateus Cardoso

Vício em Teu Beijo

Autor: Mateus Cardoso

Capítulo 6 — O Abraço Sombrio da Lealdade

A noite caía sobre São Paulo como um manto pesado e escuro, tingindo o céu de um roxo profundo que se misturava com as luzes frias da cidade. No terraço do luxuoso apartamento de Leonardo "Leo" De Luca, o vento soprava gelado, mas não o suficiente para apagar o calor que irradiava de seus corpos entrelaçados. Isabella "Isa" Vasconcelos, com os cabelos revoltos e o peito ofegante, sentia a força dos braços de Leo apertando-a com uma possessividade que a assustava e a excitava na mesma medida. Seus lábios ainda estavam marcados pelo beijo intenso, um beijo que prometia mais do que apenas prazer, mas também a imersão em um mundo onde as regras eram escritas com sangue e a lealdade era o bem mais precioso.

Ela fechou os olhos, tentando processar a avalanche de sensações que a invadiam. Cada toque dele, cada respiração, era um convite para se perder. Mas a imagem do pai, de sua mãe com o olhar perdido, da vida pacata que ela sempre sonhara, a puxava de volta à realidade.

"Leo", ela sussurrou, a voz embargada. "O que estamos fazendo?"

Leo afastou-se um pouco, o suficiente para que ela pudesse ver a intensidade em seus olhos escuros, profundos como a noite. Havia uma batalha ali, uma luta silenciosa entre o homem que ele era e o homem que ela o fazia querer ser.

"Estamos fazendo o que o coração manda, Isa", ele respondeu, sua voz um murmúrio rouco que arrepiava a pele dela. Ele acariciou seu rosto com a ponta dos dedos, um gesto suave que contrastava com a aspereza de sua vida. "Não lute contra isso. Deixe acontecer."

Isa suspirou, sentindo a própria resistência esvair-se. Era como se estivesse à beira de um precipício, e a mão de Leo era a única coisa que a impedia de cair. Mas para onde exatamente ela cairia?

"Mas você sabe quem eu sou, Leo", ela disse, a voz tremendo ligeiramente. "Você sabe o que meu pai representa, o que minha família representa."

Um brilho fugaz passou pelos olhos de Leo, quase imperceptível. Ele sabia. E essa era a parte mais perigosa de tudo. Ela era a filha do homem que ele era obrigado a destruir.

"Eu sei quem você é, Isabella", ele disse, sua voz tornando-se um pouco mais dura, mas sem perder o tom de paixão. "E sei que você é muito mais do que isso. Você é luz em meio a tanta escuridão."

Ele a puxou de volta para perto, seus corpos se unindo novamente. O beijo que se seguiu foi diferente, mais urgente, uma declaração silenciosa de um amor que desafiava a lógica e o destino. Era um vício, um que ela não conseguia, nem queria, resistir.

Enquanto isso, nas entranhas do império De Luca, o clima era de tensão. Antonio "Toninho" Rossi, o braço direito de Leo, um homem de poucas palavras e olhar penetrante, aguardava no escritório principal. As paredes de madeira escura e os móveis clássicos exalavam poder e um perigo latente. Toninho era a personificação da lealdade a Leo, um homem que viveria e morreria por ele.

Leo entrou, ainda com o cheiro de Isabella pairando em seu rastro. Ele jogou o paletó sobre uma poltrona de couro e sentou-se à sua imponente mesa.

"Alguma notícia?", perguntou Leo, a voz mais fria agora, a transição para o mundo dos negócios abrupta e chocante.

Toninho assentiu, apresentando um envelope grosso. "O carregamento chegou. Sem problemas. E o informante confirmou. O próximo encontro entre Vasconcelos e os colombianos será amanhã à noite, em um galpão abandonado na zona portuária."

Leo abriu o envelope e analisou os documentos com atenção. Um sorriso fino surgiu em seus lábios. Vasconcelos estava se expondo, confiante demais em sua própria invencibilidade.

"Perfeito", disse Leo. "Precisamos garantir que ele não escape desta vez. E quero que você cuide de tudo, Toninho. Sem falhas."

Toninho fez um breve aceno de cabeça. "Pode contar comigo, Leo. Você sabe que eu só erro quando morro. E ainda não está na hora."

A troca de olhares entre os dois homens era carregada de anos de cumplicidade e perigo compartilhado. Eles eram irmãos de sangue, unidos por um pacto que ia além de qualquer lei. Leo sabia que podia confiar em Toninho com sua vida, e isso, em seu mundo, era um tesouro inestimável.

"E quanto à menina Vasconcelos?", perguntou Toninho, um leve tom de curiosidade na voz. Ele tinha notado a forma como Leo falava dela, a maneira como seus olhos brilhavam quando mencionava seu nome.

Leo hesitou por um instante, sua expressão mudando sutilmente. "Ela não tem nada a ver com isso. Mantenha-a fora de tudo. Ela é... diferente."

Toninho arqueou uma sobrancelha, mas não insistiu. Ele conhecia Leo bem o suficiente para saber que havia algo mais ali, algo que Leo não estava pronto para compartilhar, nem mesmo com ele.

"Entendido", disse Toninho. "Ela não será incomodada."

A conversa mudou para os detalhes operacionais da próxima noite. Leo traçou um plano audacioso, envolvendo todos os seus homens mais confiáveis. A queda de Vasconcelos seria completa e implacável.

Mais tarde, Leo voltou ao terraço. Isabella ainda estava lá, observando as luzes da cidade, perdida em pensamentos. Ele se aproximou silenciosamente, sentindo o peso da responsabilidade em seus ombros. Ele sabia que a decisão de se aproximar de Isabella era arriscada, mas algo nela o atraía de forma irresistível. Ela era um refúgio, uma promessa de algo puro em um mundo corrompido.

Ele a abraçou por trás, sentindo seu corpo estremecer. Isabella se virou e o olhou nos olhos. Havia uma pergunta silenciosa neles, um anseio por respostas que Leo ainda não podia dar.

"O que você está pensando?", ela perguntou, sua voz suave como um sussurro.

"Em você", respondeu Leo, sua voz rouca de emoção. "E em como tudo isso é complicado."

Ele se inclinou e depositou um beijo terno em sua testa. "Amanhã será um dia importante. Para mim. Para nós."

Isa encostou a cabeça em seu peito, sentindo os batimentos firmes de seu coração. Ela sabia que estava se entregando a algo perigoso, a um homem que vivia na linha tênue entre a lei e o submundo. Mas o toque de Leo, o calor de seu corpo, a faísca que acendia em sua alma, a mantinha ali, cativa. O vício em seu beijo era apenas o começo. O verdadeiro vício era ele.

Enquanto isso, no escritório de Vasconcelos, o clima era de euforia. Ele brindava com seus comparsas, o sucesso do último carregamento e a iminência do acordo com os colombianos selando seu ego inflado.

"Amanhã, meus amigos, teremos a maior transação de nossa história", disse Vasconcelos, seus olhos brilhando com ganância. "Os De Luca não sabem o que os espera. Eles se acham os reis, mas estão prestes a cair."

Um de seus capangas, um homem corpulento chamado Bruno, sorriu. "Eles estão cegos pela arrogância, senhor. Não veem o perigo que se aproxima."

"Exatamente", concordou Vasconcelos. "Eles subestimam a minha inteligência, a minha audácia. A cidade será nossa. E os De Luca pagarão por cada insulto, cada tentativa de nos derrubar."

Ele olhou para a janela, para as luzes da cidade que pareciam se curvar à sua vontade. A imagem de Isabella passou por sua mente, um pensamento fugaz de um jogo de poder que ele não estava disposto a perder. Ela seria uma peça importante em seu tabuleiro, uma ferramenta para manipular os corações certos.

Mas ele não imaginava que o jogo já estava sendo jogado por outros, e que as peças mais valiosas eram justamente aquelas que ele mais desejava controlar. O vício em seu beijo não era apenas de Isabella. Para Leo, era um vício que o impulsionava em direção ao perigo, em direção à destruição do homem que ameaçava tudo o que ele amava.

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