Vício em Teu Beijo

Capítulo 8 — O Legado de Sangue e o Medo de Perder

por Mateus Cardoso

Capítulo 8 — O Legado de Sangue e o Medo de Perder

O sol da manhã, tímido e hesitante, tentava romper a cortina de nuvens que cobria São Paulo. No apartamento luxuoso de Leonardo De Luca, a atmosfera era densa, carregada de um medo que gelava a alma. Isabella, ainda enrolada em um roupão de seda, observava Leo em silêncio. A noite anterior fora um turbilhão de emoções, de paixão e de uma incerteza que agora pairava como uma nuvem negra. Ele se afastara dela ao amanhecer, um olhar de preocupação profunda em seus olhos, uma urgência em sua voz que a alarmara.

"Leo, o que aconteceu?", ela perguntou novamente, a voz um sussurro rouco. "Você mal dormiu. E agora está com essa cara de quem viu um fantasma."

Leonardo a encarou, seus olhos escuros, antes cheios de paixão, agora nublados por uma preocupação que a assustava. Ele havia passado a noite em claro, recebendo relatórios sobre a operação contra Vasconcelos. A notícia final, recebida nas primeiras horas da manhã, o abalara profundamente.

"Nada, meu amor", ele disse, tentando suavizar a voz, mas a tensão em seu maxilar o traía. "Apenas... negócios complicados."

Isabella franziu a testa. Ela sabia que ele mentia. Havia algo mais, algo que o perturbava profundamente, e ela sentia que a verdade, por mais dolorosa que fosse, era melhor do que essa incerteza torturante.

"Negócios complicados?", ela repetiu, a voz ganhando um tom de frustração. "Leo, você está me escondendo algo. Eu posso sentir isso. E isso me assusta."

Leonardo se aproximou dela, pegando suas mãos entre as suas. O contato de suas peles era eletrizante, mas a energia ali agora era diferente, carregada de apreensão.

"Isa, eu preciso que você confie em mim", ele disse, seus olhos fixos nos dela. "Houve uma operação ontem à noite. Contra o seu pai."

O nome "pai" atingiu Isabella como um golpe físico. Seu rosto empalideceu. "O quê? O que aconteceu com ele?"

Leo hesitou, o peso da verdade esmagando-o. Ele a amava, mas a lealdade a sua família, ao seu legado, era um fardo que ele não podia ignorar. O sangue de Vasconcelos, o sangue de seu pai, manchava as mãos de sua família há gerações.

"Ele... ele não sobreviveu", disse Leo, a voz embargada pela dor e pela dificuldade de proferir aquelas palavras. "Ele foi pego em uma emboscada. Foi rápido. Não sofreu."

As palavras de Leo ecoaram na mente de Isabella, distorcidas, irreais. Seu pai. Morto. A imagem dele, forte e imponente, se desfez em sua mente, substituída por um vazio aterrador. As lágrimas começaram a rolar por seu rosto, silenciosas no início, depois se tornando soluços desesperados.

"Não...", ela sussurrou, balançando a cabeça em negação. "Não pode ser... meu pai..."

Leonardo a abraçou com força, sentindo a dor dela como se fosse sua. Ele sabia que a culpa, mesmo que indiretamente, recairia sobre ele. Ele era o líder dos De Luca, o arqui-inimigo de Vasconcelos. A guerra que ele herdara, a guerra que ele fora forçado a continuar, agora tirara a vida do pai da mulher que ele amava.

"Isa, eu sinto muito", ele disse, a voz embargada. "Eu não queria que fosse assim. Mas ele era uma ameaça. Para nós. Para você."

Isabella se afastou dele, o olhar em seus olhos misturando dor, raiva e uma profunda mágoa. "Uma ameaça? Ele era meu pai, Leo! O homem que me criou, que me amou!"

"Eu sei", respondeu Leo, a voz firme, mas com uma tristeza profunda. "Mas ele também era um homem perigoso. E a nossa família... nosso legado... nos força a tomar decisões difíceis."

Ele hesitou, o medo de perder Isabella o consumindo. "O que Vasconcelos planejou... ele era astuto. Ele sabia que podia perder. Ele tinha um plano para você. Caso algo acontecesse com ele."

Os olhos de Isabella se arregalaram, a dor momentaneamente substituída por uma estranha curiosidade. "Um plano para mim? Do que você está falando?"

Leo respirou fundo. A verdade inteira precisava vir à tona, por mais dolorosa que fosse. "Ele tinha um lugar seguro preparado para você. Um refúgio. Caso ele fosse pego. Ele me disse... através de um informante que ele tinha... que você estaria lá."

Um lampejo de esperança surgiu no olhar de Isabella, logo seguido por uma nova onda de dor. "Então eu posso ir até lá? Ver ele? Se despedir?"

"Não, Isa", disse Leo, a voz urgente. "Ele não queria que você o visse. Ele queria te proteger. De mim. De nós. Ele sabia que quando eu soubesse... eu viria atrás de você."

A frieza na voz de Leo, a possessividade que ele não conseguia disfarçar, assustou Isabella. Ela o amava, mas a intensidade desse amor, a sombra da máfia que o envolvia, começava a sufocá-la.

"Então você não vai me deixar ir?", ela perguntou, a voz embargada.

"Não posso", respondeu Leo, sua expressão inabalável. "Vasconcelos era perigoso. E agora, você é a única coisa que me resta dele. Eu não posso te perder, Isa. Não posso."

A declaração de Leo, tão apaixonada quanto aterrorizante, fez Isabella sentir um nó na garganta. Ela estava presa. Presa entre o amor avassalador de um homem que pertencia a um mundo de sombras e a dor insuportável da perda de seu pai.

Enquanto isso, nas entranhas do império De Luca, Toninho Rossi organizava a segurança e os preparativos para o funeral de Leonardo De Luca, o pai de Leo. A notícia da morte de Vasconcelos havia sido cuidadosamente divulgada, apresentada como um golpe bem-sucedido da justiça contra o crime organizado. Mas Toninho sabia a verdade. Ele sabia da guerra interna, da luta de poder, e agora, do fardo que seu líder carregava.

Ele encontrou Leo em seu escritório, o silêncio pesado entre eles. Leo olhava para a foto em sua mesa, a imagem de seus pais, um sorriso nostálgico em seus lábios.

"Você fez o que precisava ser feito, Leo", disse Toninho, sua voz um murmúrio respeitoso. "O legado do seu pai está seguro. E o seu também."

Leo levantou a cabeça, o olhar cansado, mas determinado. "Mas a que custo, Toninho? A que custo?"

Ele pensou em Isabella, em seu rosto marcado pela dor, em seus olhos cheios de mágoa. Ele a amava mais do que a vida, mas o sangue de Vasconcelos, o sangue que corria em suas veias, era um veneno que ele não conseguia erradicar.

"Onde está o refúgio que Vasconcelos preparou para Isabella?", perguntou Leo, a voz fria.

Toninho hesitou. "É um local seguro, Leo. Bem guardado. Vasconcelos o preparou com cuidado. Ninguém da nossa família sabe dele. Ele queria isolá-la completamente."

"Eu preciso ir até lá", disse Leo. "Eu preciso garantir que ela esteja segura. E que ela entenda que eu estou aqui por ela."

Toninho assentiu. "Eu organizo tudo. Mas Leo, cuidado. Você sabe que se essa informação vazar... será um desastre."

Leo sabia. O mundo em que viviam era implacável. A linha entre amor e perigo era tênue, e um passo em falso poderia significar a ruína.

Mais tarde naquele dia, Leo se dirigiu ao refúgio secreto de Vasconcelos. Era uma casa isolada em uma área rural, cercada por uma natureza exuberante, mas que emanava uma solidão palpável. Ao entrar, ele encontrou Isabella sentada em uma poltrona, olhando pela janela, a expressão perdida.

Ela se virou ao ouvir seus passos, seus olhos marejados de lágrimas. Ao vê-lo, um misto de alívio e resignação tomou conta de seu rosto.

"Leo", ela sussurrou.

Ele se aproximou dela, ajoelhando-se em sua frente. O perfume dela, uma mistura de tristeza e esperança, o envolvia.

"Isa, eu preciso que você me escute", disse Leo, segurando suas mãos. "Eu sei que você está com raiva. E você tem todo o direito de estar. Mas eu não posso te perder. Eu nunca vou te deixar."

Isabella o olhou nos olhos, a profunda dor ainda presente, mas algo em sua determinação, em sua paixão avassaladora, a tocava. Ela sabia que ele estava preso em um legado de sangue, em um mundo que a assustava. Mas também sabia que o amor que ele sentia por ela era real, intenso, tão viciante quanto o beijo dele.

"Eu não sei o que fazer, Leo", ela disse, a voz tremendo. "Eu perdi meu pai. E agora... eu estou presa a você."

Leo apertou suas mãos com força. "Você não está presa, Isa. Você é a minha escolha. A única coisa que me dá esperança. Eu vou te proteger. Vou te dar um futuro. Um futuro longe de tudo isso."

Ele a puxou para um abraço, enterrando o rosto em seus cabelos. A dor da perda de Vasconcelos ainda era recente, um eco sombrio que pairava sobre eles. Mas naquele abraço, em meio à incerteza, havia uma promessa. A promessa de um amor que desafiava o destino, um amor que, embora enraizado em sangue e violência, buscava a redenção. O vício em seu beijo se tornava mais profundo, mais complexo, um elo inquebrável que os prendia um ao outro, mesmo diante da escuridão. O legado de sangue era um fardo pesado, mas o medo de perder Isabella o impulsionava a lutar por um futuro onde esse legado não os definisse mais.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%