Vício em Teu Beijo

Capítulo 9 — O Sabor Amargo da Vingança

por Mateus Cardoso

Capítulo 9 — O Sabor Amargo da Vingança

O silêncio no refúgio rural era quase palpável, quebrado apenas pelo farfalhar das folhas ao vento e pelos soluços contidos de Isabella. Ela estava aninhada nos braços de Leonardo, o corpo tremendo com a dor da perda recente de seu pai. O corpo de Vasconcelos, outrora imponente, agora jazia em uma cova anônima, um segredo guardado a sete chaves pelos homens de Leo. A morte de seu pai, embora esperada dada a rivalidade acirrada, ainda era um golpe devastador, um vazio que se abria em seu peito.

Leo a abraçava com uma força possessiva, sentindo o peso da culpa misturado à necessidade avassaladora de protegê-la. Ele sabia que, de certa forma, era o responsável. O líder dos De Luca, o homem que herdara a guerra de seu pai, o homem que, para salvar seu império e, talvez, a si mesmo, fora forçado a extinguir a vida do homem que, por mais cruel que fosse, era o pai de Isabella.

"Eu não consigo acreditar que ele se foi", Isabella sussurrou, a voz embargada, as lágrimas molhando o ombro de Leo. "Eu nunca mais vou ouvir a voz dele, nunca mais vou sentir o abraço dele."

Leo apertou-a com mais força. "Eu sei, meu amor. É uma dor terrível. Mas ele te amava, Isa. Ele sempre vai te amar. E eu estou aqui agora. Eu vou cuidar de você. Eu vou te dar tudo que ele não pôde mais te dar."

Ele se afastou um pouco, o rosto de Isabella marcado pela dor, mas com um brilho de força que ele amava. "Seu pai era um homem complicado, Isa. Ele vivia em um mundo cruel. Mas ele te deu o mundo. E agora, eu tenho essa responsabilidade."

Isabella o encarou, a confusão e a mágoa dançando em seus olhos. Ela amava Leo, o homem por trás da fachada de poder e perigo. Mas a realidade da situação a esmagava. Seu pai, morto, e o homem que ela amava, o arqui-inimigo de seu pai, era quem agora a segurava.

"Você vai me manter aqui para sempre, Leo?", ela perguntou, a voz carregada de apreensão. "Como um troféu? Como um prisioneiro?"

Leo franziu a testa, o ciúme e a possessividade borbulhando em seu interior. "Jamais, Isa. Você não é um troféu. Você é a minha vida. Eu só quero te proteger. Proteger você de tudo que existe lá fora. De todos que podem querer te machucar."

Ele acariciou seu rosto, seus dedos traçando a linha de sua mandíbula, um gesto que era ao mesmo tempo carinhoso e possessivo. "O mundo que seu pai habitava... o meu mundo... é perigoso. E eu não posso deixar que te atinja."

Enquanto isso, longe dali, nas entranhas da cidade, o clima era de euforia disfarçada. Toninho Rossi, o braço direito leal de Leo, observava os preparativos para o funeral de Leonardo De Luca, o pai de Leo. A morte de Vasconcelos foi um golpe de mestre, um movimento audacioso que consolidou o poder dos De Luca na cidade. O funeral seria um espetáculo de poder, uma demonstração de força para todos os rivais.

Toninho sabia que Leo estava sofrendo, mas a dor não podia impedi-lo de seguir em frente. O legado de sua família precisava ser protegido. Ele se aproximou de Leo, que estava em seu escritório, olhando para a foto de seus pais.

"Leo", disse Toninho, sua voz respeitosa. "Os preparativos para o funeral estão em andamento. A cidade toda vai ver quem manda aqui."

Leo assentiu, o olhar distante. "Eu preciso ter certeza de que tudo sairá perfeito, Toninho. Nenhuma falha. Nenhuma brecha."

Ele fez uma pausa, o peso da morte de Vasconcelos ainda sobre ele. "Vasconcelos pensou que estava um passo à frente. Que tinha um plano para proteger a Isabella. Ele se enganou. Ele não sabia que o amor é a arma mais perigosa de todas."

Toninho sorriu levemente. Ele entendia a dualidade de Leo. O homem implacável dos negócios e o homem apaixonado por Isabella. "Ele subestimou você, Leo. E subestimou o seu amor por ela."

A conversa mudou para os detalhes da segurança. Leo estava paranoico com a segurança de Isabella. Ele sabia que, com a morte de Vasconcelos, muitos poderiam ver Isabella como uma peça para atingi-lo.

"Preciso que você mantenha um olho em tudo, Toninho", disse Leo. "Ninguém pode saber onde ela está. E ninguém pode chegar perto dela."

Toninho fez um breve aceno de cabeça. "Pode contar comigo, Leo. A segurança dela é minha prioridade. Ela é a sua fraqueza, mas também é o nosso futuro."

A lealdade de Toninho a Leo era inabalável. Ele o conhecia desde jovem, e sabia que, por trás da fachada fria, havia um homem com um coração apaixonado, um coração que Isabella havia conquistado.

De volta ao refúgio, Isabella tentava processar a nova realidade. Ela estava viva, segura, mas perdida. A morte de seu pai a havia despojado de sua identidade, de sua segurança. E o amor de Leo, embora reconfortante, era também um lembrete constante do abismo que se abria entre seus mundos.

"Leo", ela disse, sua voz firme agora, a dor dando lugar a uma determinação sombria. "Meu pai morreu. E eu não vou deixar isso passar impune."

Leo a encarou, surpreso pela mudança em seu tom. "Isa, você não pode pensar em vingança. Isso é perigoso."

"Perigoso?", ela riu, um riso amargo. "Meu pai está morto, Leo. O homem que ele mais odiava, que o levou a isso, você. Como você pode me pedir para não querer vingança?"

Um brilho perigoso surgiu nos olhos de Isabella. A menina inocente que Leo conhecera estava desaparecendo, substituída por uma mulher ferida, consumida pela dor e pelo desejo de justiça.

"Eu não estou pedindo para você esquecer, Isa", disse Leo, sua voz assumindo um tom de comando. "Estou pedindo para você ter cuidado. Para me deixar cuidar disso. Para me deixar protegê-la."

"Proteger?", ela repetiu, um sarcasmo cruel em sua voz. "Você a matou, Leo! Você a tirou de mim!"

Leo a segurou pelos ombros, forçando-a a olhá-lo nos olhos. A intensidade de seu olhar era assustadora. "E eu vou garantir que o legado dele morra com ele. Eu vou limpar o nome da minha família. E vou te dar um futuro onde você não precise se preocupar com nada disso."

Ele a beijou, um beijo intenso, possessivo, que era tanto uma declaração de amor quanto uma promessa de controle. Isabella, a princípio relutante, cedeu à paixão avassaladora que ele exalava. Mas, em meio ao beijo, um pensamento sombrio se formou em sua mente: a vingança.

Nos dias que se seguiram, Isabella mergulhou em um luto silencioso, mas sua mente fervilhava com planos. Ela começou a observar Leo, a estudar seus hábitos, a maneira como ele operava. Ela sabia que ele a amava, mas também sabia que ele era um De Luca, um homem forjado em sangue e violência. E ela, a filha de Vasconcelos, não poderia ficar parada.

Ela começou a usar o acesso que Leo lhe dera, os telefones, os computadores, para buscar informações. Ela sabia que a morte de seu pai não seria o fim. Havia outros aliados, outros inimigos. Havia o sabor amargo da vingança, e ela estava determinada a experimentá-lo.

Leo, por sua vez, confiava nela. Ele a via como seu refúgio, a única pureza em seu mundo sombrio. Ele a mimava, a protegia, sem perceber que a ferida da perda de seu pai estava se transformando em um fogo ardente em seu interior.

Um dia, enquanto Leo estava fora, cuidando de negócios urgentes, Isabella encontrou um cofre escondido no escritório de Vasconcelos, que Leo havia trazido para o refúgio. Ela sabia que seu pai guardava segredos ali. Com a ajuda de um vídeo que Leo lhe mostrara sobre a história de sua família e a de Vasconcelos, ela conseguiu abrir o cofre.

Dentro, ela encontrou documentos, fotos, e um pequeno diário. As palavras de seu pai a atingiram como uma facada. Ele falava de seu ódio pelos De Luca, de sua determinação em destruí-los. E, mais importante, ele mencionava nomes, contatos, aliados que ele havia cultivado ao longo dos anos, pessoas que poderiam ajudá-la a vingar sua morte.

Um novo plano começou a se formar em sua mente. Ela não seria mais uma vítima. Ela usaria o amor de Leo contra ele, usaria o conhecimento que ele lhe dera para construir sua própria vingança. O sabor amargo da vingança estava se tornando o seu vício.

Ela ligou para um dos contatos de seu pai, um homem chamado Ricardo, que, segundo o diário, tinha uma antiga lealdade a Vasconcelos.

"Ricardo? Sou eu, Isabella. A filha de Antônio Vasconcelos."

A voz do outro lado da linha era cautelosa. "Senhorita Vasconcelos? Como... como você soube do meu número?"

"Meu pai me deixou um legado, Ricardo", respondeu Isabella, sua voz fria e calculista. "E agora, eu pretendo honrá-lo. Os De Luca pagaram caro pela morte dele. Mas a vingança ainda não terminou."

Ela sabia que estava entrando em um jogo perigoso, um jogo que poderia destruí-la. Mas a dor da perda de seu pai, a raiva contra Leo, a consumiam. O vício em seu beijo ainda a prendia a ele, mas o sabor amargo da vingança começava a dominar seus pensamentos. O legado de sangue de sua família, e a de Leo, estava prestes a se tornar ainda mais sangrento.

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