Cap. 21 / 17

O Pacto Sombrio

O Pacto Sombrio

por Eduardo Silva

O Pacto Sombrio

Autor: Eduardo Silva

Capítulo 21 — A Sombra do Passado que Assombra o Presente

O ar na mansão dos Rossi parecia ter ficado mais denso, pesado com a notícia. Isabella, com o vestido de seda esmeralda escorrendo pelo corpo esguio, sentiu um arrepio percorrer sua espinha, um prenúncio de que a tranquilidade que tentara construir estava prestes a ruir. As palavras de Marco, ditas com a frieza calculada de quem maneja uma arma, ecoavam em sua mente como um trovão distante, mas cada vez mais próximo. A existência de Sofia, sua irmã mais velha, dada como morta há anos em um incêndio misterioso, era agora uma realidade palpável. Marco a trouxera de volta, um peão em seu jogo de vingança contra aqueles que, em sua visão distorcida, a haviam traído.

“Você não pode estar falando sério, Marco”, Isabella sussurrou, a voz embargada. Seus olhos, antes cheios de um brilho de esperança quando falava de seu futuro com ele, agora estavam marejados, refletindo a turbulência que a tomava. A imagem de Sofia, uma lembrança vívida de infância, uma menina sorridente com tranças rebeldes, chocava-se com a figura fria e calculista que Marco descrevia.

Marco a observou, um leve sorriso irônico brincando em seus lábios. Ele se aproximou, o cheiro amadeirado de seu perfume tentando anestesiar a angústia dela, mas apenas aumentando sua sensação de aprisionamento. “Acredite, Bella. Sofia está viva. E ela quer o que é dela. E nós a ajudaremos a conseguir.” Ele segurou o rosto dela entre as mãos, o toque firme, mas, para Isabella, era como se estivesse sendo acorrentada. “Ela é a chave para destruir tudo o que meu pai construiu, tudo o que ele tirou de nós.”

“Mas… como? Por quê?”, Isabella insistiu, lutando para conter as lágrimas. A ideia de uma irmã viva era, ao mesmo tempo, um milagre e um pesadelo. Ela sempre lamentara a perda de Sofia, e a revelação de que tudo fora uma farsa, orquestrada para mantê-la longe do mundo da máfia, a deixava nauseada.

“Os detalhes não importam agora, meu amor”, disse Marco, acariciando sua bochecha. “O que importa é que temos um inimigo em comum. E com Sofia ao nosso lado, seremos invencíveis.” Ele a beijou na testa, um gesto que outrora a faria suspirar de felicidade, mas que agora parecia carregar o peso de um segredo obscuro. “Você não precisa se preocupar. Eu cuidarei de tudo. Nós cuidaremos de tudo, juntos.”

Isabella se afastou, o coração apertado. “Juntos?”, a pergunta saiu como um lamento. Juntos em quê? Em uma guerra que ela não pediu, ao lado de um homem que a manipulava, mesmo que ele dissesse amá-la? A figura de Marco, antes tão sedutora, agora parecia ter contornos sombrios, o reflexo de um poder perigoso que ela não conseguia mais ignorar.

Ela correu para o quarto, o som de seus passos ecoando no mármore frio do corredor. Trancou a porta, o corpo tremendo. Sentou-se no chão, encostada na porta, tentando processar a avalanche de informações. Sofia viva. Uma irmã que ela nunca conheceu, mas que sempre sentiu falta. Uma irmã que Marco usaria como arma. E ela, Isabella, seria arrastada para esse turbilhão de vingança.

O espelho na parede do quarto refletia uma imagem que ela mal reconhecia. O vestido caro, o cabelo impecável, tudo parecia uma máscara que escondia a tempestade em seu interior. Ela fechou os olhos, buscando forças em memórias antigas, em um tempo antes dos Rossi, antes da máfia, antes de Marco. Um tempo em que sua maior preocupação era escolher a cor de um vestido para um baile.

Um barulho na porta a sobressaltou. Era Marco. “Bella? O que está fazendo? Abra a porta, por favor. Precisamos conversar.”

“Não quero conversar, Marco. Quero… quero entender. Quero paz”, ela respondeu, a voz fraca, mas firme.

“Paz? A paz é uma ilusão, Isabella. Especialmente para nós”, ele disse, a voz agora mais suave, quase um sussurro. “Mas eu posso te dar segurança. Posso te dar proteção. E posso te dar amor. Um amor que ninguém mais pode oferecer.”

Ela soluçou, o som abafado pela porta. Amor? Era amor que ele sentia? Ou era possessividade, um desejo de controle sobre ela, sobre sua vida, sobre sua própria família? Ela se lembrou das palavras de Sofia, ditas em um sussurro no jardim, sobre a verdadeira natureza de Marco, sobre os perigos que ela corria. Naquele momento, ela sentiu a verdade delas, a urgência em suas palavras.

“Você não entende, Marco”, ela disse, a voz se tornando mais forte. “Eu não quero ser parte disso. Eu não quero ser uma arma. Eu sou Isabella. E eu quero ser livre.”

Houve um silêncio do outro lado da porta. Um silêncio que pareceu se estender por uma eternidade. Isabella esperou, o coração batendo descompassado. Ela esperava raiva, esperava gritos, esperava a força bruta que ela sabia que ele possuía. Mas o que veio foi um suspiro pesado.

“Entendo, Bella. Entendo mais do que você imagina”, Marco respondeu, a voz agora melancólica. “Mas o passado é implacável. E ele nos alcança, quer queiramos ou não. Você está ligada a mim agora. Pelo sangue, pelo destino, pelo nosso amor.”

Isabella se encolheu. O amor. Sempre voltava ao amor. Ela sentia amor por ele, um amor profundo e avassalador que a consumia. Mas era um amor que a sufocava, um amor que a aprisionava. Era um amor construído sobre mentiras e manipulações, um amor que a colocava em perigo constante.

“Eu… eu preciso de tempo, Marco”, ela murmurou, as palavras escapando de seus lábios antes que pudesse detê-las.

“Tempo? Tempo é um luxo que não temos, Bella”, ele respondeu, a voz fria novamente. “Mas eu vou te dar. Por enquanto. Mas saiba que você não tem para onde ir. Você é minha. E Sofia também se tornará. E juntos, tomaremos o que nos pertence.”

Ele se afastou, os passos pesados e distantes. Isabella ficou ali, encolhida no chão, o corpo ainda tremendo. A mansão, antes um símbolo de segurança e luxo, agora parecia uma jaula dourada. A descoberta de Sofia havia desmoronado o frágil castelo de ilusões que ela construíra. E agora, ela sabia, a verdadeira batalha de sua vida estava apenas começando. A batalha pela sua própria alma, entre o amor perigoso de Marco e a liberdade que ela tanto almejava. O pacto sombrio que ela havia, sem saber, selado, agora pesava sobre ela com todo o seu terrível poder.

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