Cap. 3 / 17

O Pacto Sombrio

Capítulo 3 — A Teia de Intriga e Sedução

por Eduardo Silva

Capítulo 3 — A Teia de Intriga e Sedução

Os dias que se seguiram à festa de aniversário de Don Carmine foram marcados por uma atmosfera de transição. A presença de Victor Mancini se tornou uma constante nos negócios da família Moretti. Ele estava sempre ao lado de Don Carmine, participando de reuniões, oferecendo conselhos, sua inteligência afiada e sua frieza calculista impressionando até mesmo os mais céticos. Isabela o via com frequência, sempre de longe, mas a sensação de que seus caminhos estavam se entrelaçando se tornava cada vez mais forte.

Ela tentava se refugiar em seu ateliê, pintando com uma intensidade renovada, buscando expressar a turbulência que sentia em sua alma. As cores escuras dominavam suas telas, tons de azul profundo, preto e um vermelho sangue que pulsava com uma energia sombria. Seus quadros eram um reflexo da sua luta interna, da atração pelo proibido e do medo do desconhecido.

Um dia, enquanto trabalhava em uma nova tela, sentindo o cheiro forte da tinta a óleo, a campainha de seu ateliê tocou. Era um lugar afastado, um antigo galpão reformado em uma área mais tranquila da cidade, raramente visitado por pessoas de seu círculo social. Quem poderia ser?

Ela foi até a porta de vidro, espiando pela abertura. Seu coração deu um salto no peito. Era Victor Mancini. Ele estava parado na calçada, sob o sol da tarde, vestindo um terno de linho escuro que o fazia parecer ainda mais elegante e perigoso. Em suas mãos, ele segurava uma pequena caixa embrulhada em papel marrom.

Hesitante, Isabela abriu a porta. "Sr. Mancini. Que surpresa."

Victor sorriu, aquele sorriso que não chegava aos olhos, mas que a intrigava. "Victor, por favor, Srta. Moretti. E eu não queria incomodar, mas… eu vi o seu ateliê de longe e fiquei curioso."

Ele estendeu a caixa. "Isto é para você. Uma pequena lembrança da noite da festa. Percebi seu interesse por arte."

Isabela pegou a caixa, sentindo o peso inesperado. "Obrigada. É muito gentil da sua parte." Ela abriu a embalagem com cuidado. Dentro, havia um pequeno caderno de couro negro, com páginas em branco, de um papel grosso e de alta qualidade. Ao lado, uma caneta tinteiro de prata maciça.

"Eu espero que sirva para seus esboços", disse Victor. "Ou para anotar as ideias que a inspiração traz."

"É lindo", disse Isabela, genuinamente emocionada. Era um presente pensado, diferente das joias ou dos presentes banais que recebia. "Muito obrigada."

"Não há de quê. A beleza, como a arte, merece ser cultivada." Ele a observou por um momento, seus olhos azuis como um lago profundo. "Seu pai está ocupado hoje. Resolvi me dar um passeio e… me perdi por aqui."

"Se perdeu?", Isabela arqueou uma sobrancelha, cética.

Victor deu uma risada baixa. "Talvez não completamente. Mas a verdade é que eu queria ver o seu trabalho. Ouvi falar de você, da artista Moretti."

A menção de seu trabalho por ele a fez sentir um misto de orgulho e apreensão. "Eu… não tenho nada muito notável aqui agora."

"Eu duvido", disse ele, seus olhos percorrendo o interior do ateliê, detendo-se nas telas expostas. "Permite?"

Isabela hesitou por um instante, mas a curiosidade em seu olhar era palpável. Ela abriu caminho. "Claro. Fique à vontade."

Victor entrou no ateliê, movendo-se com uma graciosidade surpreendente para um homem de sua estatura. Ele parou diante de uma tela que retratava uma rua movimentada de São Paulo à noite, as luzes dos carros e dos prédios refletindo no asfalto molhado. Havia uma melancolia naquela pintura, uma solidão nas figuras solitárias que passavam.

"Impressionante", murmurou Victor, os olhos fixos na pintura. "Você capta a alma da cidade. A beleza escondida na escuridão."

Isabela sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Era como se ele entendesse exatamente o que ela quis dizer com aquela tela. "Eu tento ver o que os outros não veem."

Ele se virou para ela, o olhar intenso. "E o que você vê em mim, Srta. Moretti? Ou devo dizer, em Victor?"

A pergunta era direta, ousada. Isabela sentiu o coração acelerar. Ela não estava acostumada a ser tão transparente com os homens, especialmente com um homem como ele. "Eu vejo… um homem que carrega muitos pesos. E que usa uma armadura muito forte."

Victor deu um leve sorriso, desta vez mais aberto. "Uma armadura? Talvez. Mas as armaduras também podem ser belas, não acha? Protegem, mas também criam uma forma, uma silhueta que pode ser admirada."

Ele se aproximou de outra tela, uma que retratava uma figura feminina em meio a um turbilhão de cores. Era uma representação abstrata de uma mulher lutando contra suas próprias emoções.

"Esta", disse Victor, apontando para a tela. "Quem é ela?"

"Sou eu", respondeu Isabela, com a voz baixa. "Ou uma parte de mim. A parte que se sente presa."

"Presa a quê?", ele perguntou, a voz suave, mas carregada de expectativa.

"Ao meu mundo. Às expectativas. À vida que me foi dada, e não à que eu escolhi", disse ela, sentindo um nó na garganta. Era a primeira vez que falava sobre isso com alguém de fora de seu círculo íntimo.

Victor ficou em silêncio por um momento, absorvendo suas palavras. Ele se aproximou dela, a distância entre eles diminuindo. Isabela sentiu o perfume amadeirado e o cheiro sutil de charuto que emanava dele. Era um perfume que, de alguma forma, a atraía.

"Eu entendo o sentimento de estar preso, Isabela", disse ele, a voz quase um sussurro. "Vivemos em um mundo de pactos e obrigações. Mas a arte… a arte é uma forma de liberdade. E a liberdade, às vezes, se encontra nos lugares mais inesperados."

Ele estendeu a mão, os dedos roçando levemente o rosto dela. A pele de Isabela arrepiou-se com o toque. Era um toque suave, mas carregado de uma eletricidade que a fez perder o fôlego.

"Você tem uma alma vibrante, Isabela", disse ele, seus olhos azuis fixos nos dela. "Uma alma que não pertence a este mundo sombrio."

A frase a pegou de surpresa. Ele a via como alguém fora desse mundo? Alguém que poderia ser salvo dele?

"Mas você está aqui", disse ela, a voz embargada. "Neste mundo."

"Estou", admitiu Victor, o olhar escurecendo. "E é um mundo que exige sacrifícios. Mas talvez, apenas talvez, haja um caminho para a redenção. Para encontrar a beleza mesmo no meio da escuridão."

Ele deu um passo para trás, quebrando o contato, como se a intensidade do momento fosse demais para ambos. "Eu preciso ir agora. Mas voltarei. Se você permitir."

Isabela não conseguia falar. Apenas assentiu, a mente girando com a intensidade daquele encontro. Victor Mancini era um enigma, um perigo disfarçado de sedução. E ela sabia, com uma certeza assustadora, que estava começando a se perder em sua teia de intriga e promessas veladas. O fio invisível do destino, que a ligava a ele, estava se fortalecendo.

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