Cap. 6 / 17

O Pacto Sombrio

O Pacto Sombrio

por Eduardo Silva

O Pacto Sombrio

Autor: Eduardo Silva

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Capítulo 6 — O Preço da Lealdade Quebrada

O ar na mansão dos Rossi estava pesado, denso com a expectativa e o cheiro de rosas murchas. A noite caíra como um véu escuro sobre o Rio de Janeiro, engolindo os contornos vibrantes da cidade e deixando apenas a silhueta ameaçadora das montanhas e os olhos vigilantes das estrelas. Isabella sentia cada batida do seu coração ecoar no silêncio opressor. Sentada em uma poltrona de veludo carmesim, a seda do seu vestido roçando contra a pele arrepiada, ela observava a figura imponente de Don Vittorio Rossi. Ele era um titã, um homem moldado pela força bruta e pela astúcia, seus olhos escuros como obsidiana refletindo a pouca luz que emanava do lustre de cristal.

Ao lado dele, Matteo. O olhar dele era um enigma, uma mistura perigosa de frieza calculista e uma faísca de algo que Isabella se recusava a nomear. Era o mesmo olhar que a hipnotizara em seu primeiro encontro, um olhar que prometia tanto perigo quanto redenção. Mas agora, pairava sobre ele uma aura de desconfiança, um manto invisível tecido por boatos sussurrados e olhares furtivos.

"Você sabe por que a convidamos para vir aqui esta noite, Isabella", a voz de Vittorio era um rosnado baixo, mas carregado de autoridade. Ele apontou um dedo grosso e adornado com um anel de rubi para o centro da sala, onde um pequeno tabuleiro de xadrez estava montado sobre uma mesinha de mogno. As peças, finamente esculpidas, pareciam observar a cena com uma indiferença gélida.

"Sei", respondeu Isabella, a voz firme, apesar do tremor interno. Ela aprendera a controlar suas emoções, a mascarar a tempestade que rugia dentro dela com uma calma forjada na adversidade. "O Sr. Alencar não compareceu ao nosso encontro."

Vittorio deu um sorriso torto, um movimento quase imperceptível dos lábios. "Não apenas não compareceu, minha cara. Ele fugiu. Levou consigo o que não lhe pertencia."

A menção de Alencar fez o estômago de Isabella revirar. Aquele homem, tão charmoso e manipulador, a havia arrastado para um turbilhão de mentiras. Ela se sentia suja, usada. Mas era o pacto, a promessa que ela fizera para proteger sua família, que a mantinha ali, presa naquela teia sombria.

Matteo se aproximou, seus passos silenciosos como os de um predador. Ele pegou uma peça de cavalo do tabuleiro, girando-a entre os dedos. "Alencar era um rato. Um rato que achou que poderia roubar o queijo do leão. E agora, o leão está com fome."

Os olhos de Isabella encontraram os dele. Havia uma intensidade ali que a desarmava, uma corrente elétrica que parecia percorrer o espaço entre eles. Ela se perguntou se ele sentia algo além da raiva pela traição. Se havia um resquício de compaixão, de reconhecimento da sua própria situação. Mas Matteo Rossi era um homem de poucas palavras e muitos segredos.

"O que Alencar roubou, Sr. Rossi?", perguntou Isabella, a curiosidade se sobrepondo à apreensão.

"Informações", respondeu Vittorio, a voz grave. "Informações que, em mãos erradas, poderiam ser catastróficas para os nossos negócios. E para aqueles que estão do nosso lado."

O peso daquelas palavras a atingiu com a força de um golpe físico. Ela era parte daquele "lado". Sua família, sua vida, tudo estava intrinsecamente ligado à máfia italiana. E agora, a instabilidade causada por Alencar colocava tudo em risco.

"E o que eu tenho a ver com isso?", a voz de Isabella era um sussurro, quase um desafio.

Matteo colocou a peça de cavalo de volta no tabuleiro. "Você, Isabella, é a chave. Alencar confiou em você em certo nível. Ele a usou para obter certas informações, mas você também o conhece. Você sabe como ele pensa. Você pode nos ajudar a encontrá-lo."

A proposta era perigosa. Confrontar Alencar significava mergulhar ainda mais fundo no submundo que a consumia. Mas a alternativa era pior. Deixar Alencar fugir com informações cruciais poderia significar a ruína para os Rossi, e consequentemente, para ela e sua família.

"Eu não sei se posso", disse Isabella, a hesitação genuína. A lembrança de sua mãe, frágil e doente, sempre a assombrava. A promessa feita a Vittorio Rossi era um fardo pesado demais.

"Você pode", a voz de Matteo era firme, quase um comando. Ele se inclinou ligeiramente, seus olhos encontrando os dela. "Você fez um pacto, Isabella. E um pacto com os Rossi não é algo que se quebra levianamente."

A ameaça velada pairava no ar, mais palpável do que a própria escuridão da noite. Isabella sentiu o sangue gelar nas veias. Ela sabia que não tinha escolha. O mundo da máfia não oferecia segundas chances.

"E se eu ajudar, o que me garantem?", perguntou, sua voz um fio de seda resistente.

Vittorio riu, um som gutural que parecia vir das profundezas da terra. "Garantias? Você tem a nossa palavra. E a nossa palavra, minha cara, é algo que você não quer testar."

Matteo deu um passo para trás, observando-a com uma intensidade que a fazia sentir como se estivesse sob um microscópio. "Encontre Alencar, Isabella. E o preço da sua lealdade quebrada não será a ruína. Mas se falhar... bem, a lealdade quebrada tem um preço muito, muito alto."

O jantar foi um espetáculo de formalidades vazias. Os membros mais influentes da família Rossi estavam presentes, suas presenças imponentes e seus olhares perscrutadores. Isabella se sentia como uma peça em um jogo que ela não entendia completamente, um peão exposto em um tabuleiro de xadrez de alta periculosidade. O vinho era excelente, a comida, suntuosa, mas o sabor em sua boca era amargo.

Ela observava Matteo. Ele comandava a atenção de todos com uma facilidade impressionante, seus gestos precisos, suas palavras, calculadas. Havia uma autoridade natural nele, um carisma sombrio que atraía e intimidava ao mesmo tempo. Ele era a personificação do poder dos Rossi.

"O que você acha que Alencar planeja fazer com as informações?", Isabella perguntou a Matteo, aproveitando um momento em que ele se afastou do grupo principal, em direção à varanda que dava para o mar.

Matteo suspirou, um som quase inaudível acima do barulho suave das ondas. Ele olhou para o horizonte escuro, onde as luzes da cidade cintilavam como estrelas caídas. "Ele é um oportunista. Provavelmente venderá para o maior lance. Talvez para a concorrência. Talvez para alguém que queira nos ver cair."

"E quem seria essa pessoa?", Isabella insistiu.

Matteo se virou para ela, um leve sorriso brincando em seus lábios. "O Rio de Janeiro é um caldeirão, Isabella. Há muitos tubarões nadando nessas águas." Ele fez uma pausa, seu olhar fixo no dela. "Mas você não deveria se preocupar com isso agora. Sua preocupação deve ser encontrar Alencar."

A frieza em sua voz era um lembrete brutal de sua posição. Ela era uma ferramenta, nada mais.

"Eu não o conheço tão bem quanto você pensa", disse Isabella, sentindo uma pontada de orgulho ferido.

Matteo deu um passo mais perto, o perfume sutil de seu perfume, uma mistura de couro e algo mais selvagem, envolvendo-a. "Você o conheceu o suficiente para se envolver em seus planos. E agora, você terá que lidar com as consequências."

Ele estendeu a mão, seus dedos roçando levemente o braço dela. Era um toque breve, quase imperceptível, mas que enviou um arrepio por todo o corpo de Isabella. Era um toque que prometia perigo e atração na mesma medida.

"Não se esqueça do seu pacto, Isabella", sussurrou ele, seus olhos escuros fixos nos dela. "Nós sempre cobramos o que nos é devido."

A noite terminou com Isabella deixando a mansão dos Rossi com um nó no estômago e um peso no coração. Ela havia concordado em encontrar Alencar, em usar sua conexão com ele para recuperá-lo. Mas no fundo, ela sabia que esse era apenas o começo. O pacto sombrio que ela havia feito a prendia cada vez mais em uma teia de perigo e sedução, onde a linha entre o amor e a destruição era perigosamente tênue.

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