Cap. 8 / 17

O Pacto Sombrio

Capítulo 8 — O Sussurro da Vingança

por Eduardo Silva

Capítulo 8 — O Sussurro da Vingança

A revelação sobre Sofia de Carvalho pairou no ar como uma nuvem de tempestade prestes a desabar. Isabella sentiu um frio na espinha, um pressentimento sombrio que a acompanhava desde o momento em que Alencar mencionara a misteriosa mulher. Sofia de Carvalho não era apenas uma rival, era uma força da natureza, uma mulher conhecida por sua crueldade calculista e por sua capacidade de usar as fraquezas alheias em seu proveito. O fato de Alencar ter sido usado por ela era uma prova irrefutável de sua astúcia.

Decidida a confrontar a situação, Isabella marcou um encontro com Matteo. Ela sabia que ele precisava estar ciente da nova reviravolta, mesmo que a notícia pudesse desagradá-lo. O local escolhido foi um bar discreto no centro da cidade, um lugar onde eles poderiam conversar sem serem notados. A música baixa e as conversas abafadas criavam uma atmosfera de segredo, perfeita para a conversa que estava por vir.

Matteo chegou pontualmente, seus olhos escuros varrendo o ambiente antes de se fixarem em Isabella. Havia uma impaciência velada nele, como se ele estivesse ansioso por um relatório de progresso.

"E então?", ele perguntou, a voz baixa, mas firme. "Você o encontrou?"

Isabella assentiu, sentindo o peso da verdade em suas palavras. "Sim. Eu o encontrei. E ele me contou algo que você precisa saber."

Ela narrou o encontro com Alencar, a revelação sobre a venda das informações e o nome de Sofia de Carvalho. Matteo ouviu atentamente, sua expressão impassível, mas Isabella podia sentir a tensão crescendo nele. Seus dedos tamborilavam levemente na mesa, um sinal de sua agitação interna.

Quando ela terminou, um silêncio tenso se instalou entre eles. Matteo permaneceu imóvel por alguns segundos, sua mente claramente trabalhando em alta velocidade.

"Sofia de Carvalho...", ele finalmente murmurou, o nome soando como um veneno em seus lábios. "Eu sabia que ela estaria de olho em qualquer oportunidade para nos prejudicar."

"Alencar disse que ela o enganou", disse Isabella, a voz carregada de preocupação. "Ele acha que ela não vai cumprir o acordo."

Matteo soltou um riso seco e sem humor. "Alencar é um tolo. Ele não entende com quem estava lidando. Sofia de Carvalho não cumpre acordos. Ela os usa como armas." Ele ergueu o olhar para Isabella, e seus olhos escuros brilhavam com uma determinação fria. "Isso significa que ela tem as informações. E nós precisamos recuperá-las antes que ela as use contra nós."

"E como faremos isso?", Isabella perguntou, sentindo um calafrio. Ela sabia que a resposta envolveria violência.

Matteo estendeu a mão sobre a mesa, seus dedos roçando os dela. Era um toque que enviou um choque elétrico por seu corpo, uma mistura de perigo e atração que a deixava sem fôlego.

"Nós vamos atrás dela", ele disse, sua voz um sussurro rouco. "E vamos pegar de volta o que ela roubou. E talvez... apenas talvez... aprender uma lição para não subestimar os Rossi."

A ideia de se envolver diretamente com Sofia de Carvalho a assustava, mas a lealdade que ela sentia para com Matteo, e a promessa feita a Vittorio, a impulsionavam. Ela sentia uma estranha conexão com Matteo, um fio invisível que a ligava a ele, apesar de toda a escuridão que o cercava.

"Mas ela é perigosa, Matteo. Alencar estava apavorado."

"E você não deveria estar?", ele retrucou, um leve sorriso brincando em seus lábios. "A vida no nosso mundo não é para os fracos, Isabella. Você deveria ter aprendido isso." Ele apertou a mão dela gentilmente. "Mas você é mais forte do que pensa. E eu estarei com você."

A promessa de sua presença a tranquilizou, mas também a deixou ainda mais apreensiva. A proximidade com Matteo era perigosa, um convite para se perder em um labirinto de emoções proibidas.

Nos dias seguintes, os preparativos foram feitos em segredo. Matteo, com sua eficiência implacável, reuniu uma equipe de seus homens mais leais. Isabella, apesar de sua falta de experiência em combate, insistiu em participar. Ela sentia que devia isso a si mesma, a sua família, e talvez, a Matteo.

A noite escolhida para a operação foi escura e chuvosa, o céu chorando sobre a cidade como se soubesse da violência que estava prestes a eclodir. O local era um dos armazéns abandonados de Sofia de Carvalho, um lugar sombrio e sinistro perto do porto. O cheiro de maresia e mofo impregnava o ar, misturado com o aroma de pólvora que logo estaria presente.

Enquanto se aproximavam do local, Isabella sentiu o coração de Matteo bater forte contra o seu braço. Ele estava tenso, seus olhos escuros focados no caminho à frente.

"Você tem certeza sobre isso, Isabella?", ele perguntou, sua voz baixa.

"Tenho", ela respondeu, tentando soar mais confiante do que realmente se sentia. "Precisamos recuperar aquelas informações."

Matteo assentiu, e então, com um gesto rápido, ele a puxou para perto de si. Seus lábios encontraram os dela em um beijo intenso e desesperado. Era um beijo que falava de perigo, de desejo e de uma urgência que parecia querer apagar o medo. Isabella se entregou a ele, sentindo uma mistura avassaladora de emoções. Era um amor proibido, perigoso, mas inegavelmente real.

"Por você", ele sussurrou contra seus lábios. "Eu faço isso por você."

A intensidade do beijo foi interrompida por um sinal de um dos homens de Matteo. Era hora de agir.

A invasão do armazém foi rápida e brutal. Os homens de Matteo se moveram com precisão mortal, eliminando os guardas de Sofia de Carvalho com eficiência implacável. Isabella se sentiu chocada com a violência, mas também se viu fascinada pela frieza calculista com que agiam.

No centro do armazém, em uma sala mais bem iluminada, eles encontraram Sofia de Carvalho. Ela estava sentada em uma cadeira, calma e serena, como se a invasão fosse um mero inconveniente. Ao lado dela, Alencar, amarrado e com a boca tapada, parecia um troféu.

"Matteo", Sofia disse, seu sorriso enigmático. "Que surpresa agradável. Eu não esperava por uma visita tão cedo."

Matteo se aproximou dela, seus olhos escuros fixos nos dela. "As informações, Sofia. Agora."

Sofia riu, um som suave e melodioso que contrastava com a brutalidade da situação. "E por que eu faria isso? Eu tenho tudo o que preciso."

"Você está enganada", disse Isabella, dando um passo à frente, sua voz firme. "Você acha que tem o controle, mas você não tem. Alencar foi um peão, e você foi manipulada para acreditar que tinha uma vantagem."

Sofia ergueu uma sobrancelha, seu olhar se fixando em Isabella. Havia um brilho de reconhecimento em seus olhos. "A amante do Rossi. Interessante. Você tem coragem, menina. Mas coragem sem inteligência é apenas imprudência."

"E o que você sabe sobre inteligência?", Isabella retrucou, sentindo uma onda de adrenalina percorrer seu corpo. "Você usa pessoas como Alencar para seus próprios fins, mas você não entende a lealdade que une os Rossi."

Matteo interveio, sua voz cortante. "A conversa acabou, Sofia. Entregue as informações, ou você sentirá o peso da nossa vingança."

Sofia de Carvalho se levantou lentamente, sua pose imponente. "Vingança? Ah, Matteo. Você sempre foi tão previsível. Mas a verdade é que eu não tenho mais as informações. Eu as vendi."

Um silêncio chocado se instalou no local. Isabella olhou para Matteo, que parecia congelado de surpresa.

"Você o quê?", Matteo finalmente conseguiu dizer, sua voz carregada de descrença.

"Eu as vendi para um comprador que prometeu me dar muito mais do que eu jamais conseguiria com os Rossi. E ele pagou bem." Sofia sorriu, um sorriso triunfante. "Agora, se me dão licença, tenho outros compromissos."

Antes que Matteo ou Isabella pudessem reagir, Sofia de Carvalho se moveu com uma agilidade surpreendente. Ela ativou um dispositivo em seu pulso, e uma nuvem de fumaça densa encheu a sala. Quando a fumaça se dissipou, ela havia desaparecido.

Matteo correu até onde ela estava, mas não havia sinal dela. Apenas o cheiro fraco de um perfume exótico e a sensação de derrota. Isabella olhou para Alencar, que a encarava com olhos arregalados e aterrorizados.

"Ela nos enganou", murmurou Matteo, a raiva em sua voz palpável. "Ela nos usou."

Isabella sentiu um aperto no peito. A vingança que eles buscavam havia se transformado em uma derrota amarga. Sofia de Carvalho havia provado ser uma adversária formidável, uma mestra em manipulação e engano. E agora, as informações estavam nas mãos de um comprador desconhecido, e o futuro dos Rossi, e o dela, estava mais incerto do que nunca. A noite de vingança havia se transformado em um sussurro de derrota, e a sombra da traição pairava mais densa sobre eles.

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