Entre Armas e Abraços
Capítulo 12 — O Peso do Passado e a Sombra do Poder
por Mateus Cardoso
Capítulo 12 — O Peso do Passado e a Sombra do Poder
O silêncio que se instalou no apartamento de Sofia, após a partida de Daniel, era denso e carregado. As palavras dele ainda ressoavam em seus ouvidos, como ecos de um mundo que ela se recusava a aceitar, mas que, inegavelmente, a cercava. A máfia. O nome, antes restrito a filmes e histórias de ficção, agora pairava sobre sua vida com a ameaça real de um pesadelo.
Ela caminhou pela sala, os pés descalços sobre o mármore frio do piso, cada passo ecoando a fragilidade de sua posição. Marco, seu irmão, um homem que ela sempre vira como um pilar de retidão, agora surgia sob uma nova luz, obscurecida por segredos e pela necessidade de "proteger" a família. Mas proteger de quê? E de quem?
O telefone tocou novamente, desta vez, um número desconhecido. Sofia hesitou. A prudência lhe dizia para não atender, mas a curiosidade, misturada à necessidade de entender o labirinto em que se encontrava, a impeliu.
"Alô?"
Uma voz masculina, grossa e inconfundível, preencheu a linha. "Senhorita Antonelli. Sou o Dr. Almeida. O advogado da família. Seu irmão, Marco, solicitou que eu entrasse em contato. Ele gostaria de conversar com você o mais breve possível. Algo confidencial."
A voz do advogado era fria e profissional, desprovida de emoção. Sofia sentiu um arrepio. Se Marco estava recorrendo a um advogado para falar com ela, a situação era ainda mais grave do que ela imaginava.
"Confidencial? Sobre o quê, exatamente?"
"Algo que diz respeito aos assuntos da família, senhorita. Assuntos que exigem discrição. Marco está bastante preocupado com a sua segurança."
A preocupação de Marco com sua segurança era exatamente o que ele dissera, mas de uma forma mais oficial, mais ameaçadora. "Segurança? Em relação a quê?"
"Ele não me forneceu detalhes, senhorita. Apenas que é algo delicado e que é crucial que você ouça o que ele tem a dizer. Ele sugeriu que nos encontrássemos em um local neutro. Talvez o café da Rua Augusta, amanhã pela manhã."
Sofia engoliu em seco. Rua Augusta. Um local público, mas repleto de gente, onde seria difícil manter uma conversa realmente privada. Era uma manobra para evitar que ela se sentisse acuada em um ambiente controlado por Marco? Ou era uma forma de mantê-la sob vigilância?
"Eu… eu vou pensar sobre isso", respondeu, sua voz firme, apesar do nervosismo crescente.
"Aguardaremos sua resposta, senhorita. Marco deseja o melhor para a família." A ligação foi encerrada sem um adeus.
Ela encostou-se à parede, o coração batendo descompassado. A teia se fechava. Daniel estava envolvido nesse mundo, Marco a chamava para reuniões secretas, e agora, um advogado da família, com ares de quem lidava com crimes e confissões, surgia em cena.
A necessidade de falar com Daniel se tornou urgente. Ela pegou o celular e o ligou. Ele atendeu no primeiro toque, sua voz sempre um bálsamo.
"Sofia? Aconteceu alguma coisa?"
"Daniel, eu preciso te ver. Agora. É urgente."
"Estou a caminho. O que houve?"
Em poucos minutos, ele estava ali. O mesmo olhar preocupado, a mesma aura de perigo contido. Ela contou sobre a ligação do advogado de Marco.
Daniel ouviu atentamente, sua expressão endurecendo a cada palavra. Ao final, ele a puxou para perto, seus olhos buscando os dela com uma intensidade que a fazia esquecer por um instante o abismo que os separava.
"Marco está tentando te manipular, Sofia. Ele quer te assustar, te isolar. E te trazer para o lado dele."
"Mas por quê? Se ele é quem você diz, por que me envolver?"
"Talvez ele precise de você. Talvez ele esteja em uma situação onde o nome Antonelli, ou a sua inocência, possa servir como escudo. Ou pior, talvez ele esteja tentando te usar como moeda de troca." A última frase saiu com um tom de amargura contida.
Sofia sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Moeda de troca? A ideia era aterradora. "Daniel, se isso for verdade… eu não posso ir. Eu não posso me encontrar com Marco."
Daniel a segurou pelos braços, seus olhos transmitindo uma mistura de preocupação e determinação. "Você não vai. Eu te levarei para um lugar seguro. Longe de tudo isso. Você não tem ideia do perigo que corre, Sofia. Esse mundo… ele não perdoa. E a família Antonelli… eles têm inimigos poderosos."
"Inimigos? Como assim?"
"Grandes famílias, grandes negócios. Nem todos apreciam o poder que os Antonelli acumularam. Há guerras silenciosas travadas nas sombras, Sofia. E às vezes, as pessoas inocentes são pegas no fogo cruzado."
A imagem de Daniel, em meio a essa guerra silenciosa, a assustava. Ele, com sua beleza perigosa e sua aura de poder, era um combatente. Mas ela? Ela era apenas uma refém em potencial.
"Eu não quero ser pega no fogo cruzado, Daniel. Eu só quero… viver. Viver com você." A confissão saiu em um sussurro carregado de desespero.
Daniel a puxou para um abraço apertado, o calor de seus corpos um contraste com o frio que a ameaça trazia. "E você vai, meu amor. Eu prometo. Eu vou te proteger. Ninguém vai te machucar. Ninguém vai te tirar de mim."
Mas mesmo em seus braços, Sofia sentia o peso do passado. O passado de Daniel, o passado de sua família, todos convergindo para um futuro incerto e perigoso. Ela sabia que Daniel a amava, e que esse amor era a única âncora em meio à tempestade. Mas ela também sabia que o poder dos Antonelli, e os segredos que ele escondia, eram um monstro adormecido que poderia despertar a qualquer momento, arrastando-a para o seu abismo. A conversa com Marco era inevitável, e a sombra do poder dos Antonelli, uma força implacável, pairava sobre seu destino.