Entre Armas e Abraços

Capítulo 14 — O Preço da Lealdade e a Fúria da Exposição

por Mateus Cardoso

Capítulo 14 — O Preço da Lealdade e a Fúria da Exposição

O café da Rua Augusta se tornou um palco de verdades amargas. As palavras de Marco ecoavam na mente de Sofia, cada sílaba pesada com a gravidade de um destino que ela jamais quis. A máfia. O nome Antonelli. O amor por Daniel, agora tingido pela sombra da traição e do jogo de interesses.

"Você está me pedindo para escolher, Marco", Sofia disse, a voz embargada, mas firme. "Escolher entre proteger a família e fugir do homem que eu amo. E você sabe qual é a minha resposta."

Marco suspirou, a resignação tomando conta de seu rosto. Ele sabia que a lealdade de Sofia, por mais que ela lutasse contra isso, estava com Daniel. "Sofia, eu não estou te pedindo para escolher. Estou te pedindo para ser inteligente. Para entender que a situação é perigosa. Daniel é um homem de um mundo que pode te destruir. Eu estou te protegendo."

"Protegendo? Ou me usando? Você me chama de escudo, Marco. Você quer que eu fique para que os seus inimigos hesitem. Isso não é proteção, é manipulação."

"É sobrevivência, Sofia. E a sua sobrevivência, agora, está ligada à nossa. Se algo acontecer comigo, se a família for abalada, você será um alvo fácil."

Sofia sentiu uma onda de raiva. A forma como ele a tratava, como se fosse uma criança indefesa, ou pior, um objeto. "Eu sei me cuidar, Marco. E eu sei em quem confiar."

Marco a encarou, uma centelha de esperança em seus olhos. "Você confia em Daniel?"

"Eu o amo, Marco. E confio nele."

"E você sabe do que ele é capaz? Você sabe quem são os inimigos dele? E quem são os nossos? Eles não são os mesmos, Sofia. E se um lado decidir atacar o outro, você estará no meio. Como um pedaço de carne entre dois leões famintos."

As palavras de Marco, por mais cruéis que fossem, carregavam uma verdade incômoda. A complexidade do mundo de Daniel, a guerra silenciosa que ele travava, tudo isso a assustava. Mas a ideia de se afastar dele, de não poder contar com seu amor, era um preço alto demais.

"Eu vou encontrar Daniel", Sofia declarou, levantando-se da mesa. "E vou contar tudo para ele. Ele tem o direito de saber em que tipo de enrascada você me colocou."

Marco palideceu. "Não, Sofia! Você não pode! Isso vai arruinar tudo! Daniel é um jogador, mas ele não pode saber de tudo. Ele vai virar contra nós!"

"Ele já está envolvido, Marco. Você mesmo disse. Ele tem seus próprios interesses. Talvez ele possa nos ajudar. Talvez ele possa nos proteger de verdade."

"Daniel não protege ninguém além dele mesmo, Sofia! Ele é um lobo solitário. E você é uma ovelha que ele quer para si. Não confie nele cegamente."

A discussão se acirrou, as vozes de ambos subindo, atraindo olhares curiosos. Sofia sentiu a urgência de sair dali. Ela não podia mais lidar com aquela conversa.

"Eu não vou te deixar me manipular, Marco. Eu vou falar com Daniel." Ela se virou para sair, mas Marco a segurou pelo braço.

"Sofia, espere! Por favor! Você não entende o perigo!"

Naquele momento, um homem se aproximou da mesa deles. Alto, com um terno escuro e um olhar frio e calculista. Ele parecia um guarda-costas, mas a autoridade em sua postura era inegável.

"Senhor Antonelli", o homem disse, sua voz grave e educada. "O chefe está aguardando. Ele quer uma resposta sobre o carregamento."

Marco estremeceu visivelmente. Ele trocou um olhar rápido com Sofia, um olhar de puro pânico. "Eu… eu já vou."

O homem se virou para Sofia, seus olhos a analisando friamente. "E você deve ser a senhorita Antonelli. Uma honra conhecê-la. O chefe mencionou sua presença. Ele deseja encontrá-la também."

Sofia sentiu um arrepio gelado. Quem era esse "chefe"? E por que ele queria encontrá-la? A ameaça implícita nas palavras de Marco agora se materializava diante de seus olhos.

"Eu não tenho nada a tratar com seu chefe", Sofia disse, tentando manter a calma.

O homem sorriu, um sorriso sem calor. "Com todo o respeito, senhorita, o chefe não gosta de ser contrariado. E seu irmão, Marco, concordou em nos dar uma resposta. E sua presença é… necessária."

Marco, em um misto de desespero e resignação, murmurou: "Sofia, por favor. Faça isso. Por mim. Pela família."

A fúria tomou conta de Sofia. Ela estava sendo arrastada para o centro de um vulcão, sem ter para onde fugir. Ela olhou para Marco, para o homem ameaçador ao seu lado, e sentiu a solidão a invadir. Daniel não estava ali. Ela estava sozinha.

"Tudo bem", ela disse, a voz tensa. "Eu vou. Mas depois disso, quero que vocês dois me deixem em paz. E que nunca mais se aproximem de mim ou de Daniel."

O homem assentiu com um leve aceno de cabeça. "Como desejar, senhorita."

Marco olhou para ela com um misto de alívio e culpa. "Obrigado, Sofia. Você não sabe o quanto isso significa."

Sofia sentiu um misto de desprezo e pena por ele. Ele estava disposto a sacrificar a própria irmã para se salvar.

Ela se dirigiu ao homem. "Onde e quando?"

"Nosso local é discreto. Uma antiga fábrica na Zona Leste. Em uma hora. Ele espera pontualidade."

A hora marcada chegou em um piscar de olhos, e Sofia se viu sendo levada em um carro luxuoso, mas sombrio, para um local que parecia saído de um filme de gangsters. A fábrica era uma estrutura imponente e abandonada, com janelas quebradas e um ar de decadência. O homem que a trouxera a guiou por corredores escuros, o cheiro de mofo e ferrugem impregnando o ar.

Finalmente, chegaram a uma sala ampla, iluminada por uma única lâmpada pendurada no teto. No centro da sala, sentado a uma mesa antiga, estava um homem. Ele era mais velho, com cabelos grisalhos e um rosto marcado por rugas profundas. Seus olhos, porém, eram penetrantes e transmitiam uma autoridade implacável. Era ele quem comandava aquele império sombrio.

"Senhorita Antonelli", ele disse, sua voz grave e pausada. "Um prazer finalmente conhecê-la. Marco me falou muito de você."

Sofia se manteve firme, o medo dando lugar a uma raiva fria. "Eu não tenho nada a tratar com você."

O homem sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "Marco disse que você era orgulhosa. Mas talvez você não entenda a gravidade da situação. A família Antonelli tem uma dívida conosco. Uma dívida antiga, mas que precisa ser paga. E agora, estamos cobrando."

"E o que eu tenho a ver com isso?"

"Você é uma Antonelli. Seu sangue carrega o peso dessa dívida. E se Marco não puder pagar… talvez você possa. Ou talvez sua lealdade a ele possa ser… negociada." Ele fez uma pausa, seus olhos fixos nos dela. "Marco me contou que você está envolvida com Daniel. O filho de um velho amigo… e um rival. Um homem com quem temos nossas próprias pendências."

A menção de Daniel atingiu Sofia em cheio. O homem sabia de Daniel. E parecia vê-lo como uma ameaça.

"Daniel não tem nada a ver com isso."

"Ah, mas ele tem tudo a ver. A lealdade dele a você pode ser uma arma contra ele. Ou uma fraqueza. E nós gostamos de explorar fraquezas." O homem se inclinou para frente. "Então, senhorita Antonelli, você tem duas opções. Ou convence seu irmão a pagar a dívida, ou nos ajuda a garantir que Daniel não interfira nos nossos planos. Caso contrário…" Ele deixou a ameaça pairar no ar, um silêncio carregado de promessas de violência.

Sofia sentiu a urgência de Daniel. Ela precisava ligar para ele. Precisava avisá-lo. Mas o homem parecia antecipar seus movimentos. "Seu celular, senhorita. Deixe-o aqui. Não queremos surpresas."

Com um aperto no coração, Sofia entregou o aparelho. Ela estava presa. Capturada pela fúria do passado de sua família e pela exposição de seu amor. A lealdade a Marco a havia levado à beira do precipício, e agora, a verdade sombria ameaçava engoli-la por completo.

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