Entre Armas e Abraços
Capítulo 15 — O Chamado do Perigo e o Coração em Disputa
por Mateus Cardoso
Capítulo 15 — O Chamado do Perigo e o Coração em Disputa
O ar na sala da fábrica era pesado, carregado com o cheiro de mofo e a ameaça silenciosa do homem que se autodenominava "chefe". Sofia sentiu um frio percorrer sua espinha, não apenas pelo ambiente gélido, mas pela frieza calculista nos olhos do homem. A verdade que Marco havia revelado era apenas a ponta do iceberg. Agora, ela estava cara a cara com o poder bruto que sustentava o império Antonelli, e com as sombras que pairavam sobre Daniel.
"Daniel não tem nada a ver com isso", Sofia repetiu, a voz embargada pela raiva e pelo medo.
O "chefe" sorriu, um sorriso cruel que não alcançava seus olhos. "Ah, mas ele tem tudo a ver. A lealdade dele a você pode ser uma arma contra ele. Ou uma fraqueza. E nós gostamos de explorar fraquezas. Marco me contou que você está envolvida com Daniel. O filho de um velho amigo… e um rival. Um homem com quem temos nossas próprias pendências."
As palavras dele caíram como pedras em um lago calmo, espalhando ondas de perturbação na alma de Sofia. Daniel era um rival? Com pendências? Ela sabia que ele pertencia a um mundo perigoso, mas nunca imaginou que ele pudesse ser um adversário para a família que a criara.
"Ele não é um rival", Sofia rebateu, a convicção em sua voz tentando mascarar a incerteza que começava a surgir. "Ele me ama."
"Amor é uma palavra forte, senhorita Antonelli. E no nosso mundo, é um luxo que poucos podem se dar. E menos ainda podem se dar ao luxo de confiar cegamente nele." O homem fez uma pausa, seus olhos perscrutadores fixos em Sofia. "Então, senhorita Antonelli, você tem duas opções. Ou convence seu irmão a pagar a dívida, e a pagar bem, ou nos ajuda a garantir que Daniel não interfira nos nossos planos. Caso contrário…" Ele deixou a ameaça pairar no ar, um silêncio carregado de promessas de violência. "Seu celular, senhorita. Deixe-o aqui. Não queremos surpresas."
Com o coração apertado, Sofia entregou seu celular. A privação do contato com o mundo exterior, e principalmente com Daniel, a fez sentir ainda mais exposta e vulnerável. Ela estava presa. Capturada pela fúria do passado de sua família e pela exposição de seu amor.
"Eu não vou ajudar vocês", Sofia declarou, a voz trêmula, mas resoluta. "Eu não vou trair Daniel. E não vou trair a mim mesma."
O homem suspirou, um som de impaciência. "Uma pena. Marco está com problemas. Problemas sérios. E se ele não pagar, as consequências serão… desagradáveis. Para ele. E talvez para você." Ele se levantou, e Sofia sentiu a urgência de fugir. "Levem-na de volta. E digam a Marco que o tempo está se esgotando."
Dois homens, que antes estavam imóveis nas sombras, aproximaram-se e a conduziram para fora da sala. O caminho de volta foi um borrão, a mente de Sofia girando com os pensamentos e as emoções conflitantes. Daniel. Ela precisava dele. Precisava dizer a ele sobre o que estava acontecendo, sobre as ameaças, sobre o perigo iminente.
Ao ser deixada em frente ao seu prédio, Sofia correu para dentro, o coração batendo descompassado. Subiu as escadas correndo, sem se importar com o barulho, até chegar ao seu apartamento. A primeira coisa que fez foi procurar um telefone fixo. Ela precisava ligar para Daniel.
Mas antes que pudesse discar o número, o apartamento foi invadido. A porta se abriu com violência, e Daniel entrou, o olhar furioso e preocupado. Ele parecia ter sentido algo, uma premonição sombria.
"Sofia! O que aconteceu? Eu não conseguia te ligar, seu celular estava desligado! E Marco me disse que você estava em perigo!"
Sofia correu para ele, agarrando-se a ele como se fosse seu único porto seguro. As lágrimas que ela havia contido no encontro com o "chefe" finalmente rolaram livremente. Ela contou tudo em um fluxo de palavras apressadas: a conversa com Marco, o encontro na fábrica, as ameaças, a dívida da família, a informação sobre Daniel ser um rival.
Daniel ouviu atentamente, sua expressão endurecendo a cada palavra. Quando ela mencionou que o "chefe" sabia sobre ele e que o considerava um rival, a fúria em seus olhos se transformou em algo mais frio e perigoso.
"Eles ousaram te ameaçar? Ousaram tocar em você?" Ele a apertou em um abraço, mas a intensidade era diferente, tingida de proteção feroz. "Sofia, você não deveria ter ido. Eu senti que algo estava errado."
"Eu não tive escolha, Daniel. Marco me pressionou. E esse homem… ele sabia sobre você. Ele disse que você é um rival deles."
Daniel a afastou gentilmente, seus olhos buscando os dela com uma intensidade que a fez tremer. "Rival é uma palavra fraca. Nós temos… interesses conflitantes. Mas eu nunca te colocaria em perigo, Sofia. E eu nunca vou deixar que eles te usem."
"Mas o que podemos fazer? Eles sabem sobre nós, Daniel. E eles são perigosos."
Daniel respirou fundo, a mente trabalhando a mil por hora. "Marco está tentando te usar como moeda de troca. E esse 'chefe'… ele quer controlar a situação. Mas ele subestimou a minha determinação em te proteger."
Ele pegou o celular de Sofia, que ela havia recuperado ao voltar para casa. "Precisamos de provas. Precisamos expor o que eles estão fazendo. Marco está em uma situação delicada, e a dívida da família é real. Mas o método que eles usam… isso é inaceitável."
"E Daniel, o que você vai fazer?" Sofia perguntou, a voz cheia de apreensão.
Daniel a olhou com um sorriso sombrio. "O que eu faço de melhor. Vou jogar o jogo deles. Mas com as minhas regras. E com a minha vantagem." Ele a puxou para perto, beijando sua testa. "Eu te amo, Sofia. E você é a única coisa que importa. Ninguém vai te machucar. Ninguém vai te tirar de mim. Eu prometo."
Naquele momento, em meio ao caos e à incerteza, o amor entre Sofia e Daniel se tornou um farol de esperança. Mas ambos sabiam que a batalha estava longe de terminar. O chamado do perigo era iminente, e o coração em disputa, o dela, estava no centro de tudo. As sombras da máfia haviam se aprofundado, e a luta pela sobrevivência, e pelo amor, havia começado de verdade.