Entre Armas e Abraços

Capítulo 17 — O Despertar da Fúria e a Sombra da Vingança

por Mateus Cardoso

Capítulo 17 — O Despertar da Fúria e a Sombra da Vingança

O amanhecer em São Paulo, tingido de tons alaranjados e roxos, trazia consigo a promessa de um novo dia, mas para Dante, era apenas a continuação de uma noite sem sono. A imagem de Isabella em seus braços, o cheiro de seu perfume misturado ao dele, eram um bálsamo para sua alma atormentada, mas a realidade cruel do submundo não dava trégua. O nome de Giovanni Falcone ecoava em sua mente como um prenúncio de desgraça.

Ele estava em seu escritório, a cafeteira fumegante, os olhos fixos em um mapa da cidade espalhado sobre a mesa. Cada rua, cada beco, cada túnel parecia esconder uma ameaça. Falcone não era um inimigo qualquer. Era um mestre da manipulação, um homem que jogava com vidas como se fossem peças de xadrez, e sua habilidade em semear o caos era lendária.

"Chefe," a voz de Marco quebrou o silêncio. Ele entrou com passos cautelosos, carregando uma pasta grossa. "Conseguimos algumas informações sobre os movimentos de Falcone. Ele está hospedado em uma cobertura de luxo na Avenida Paulista, sob o nome falso de 'Mr. Rossi'."

Dante soltou uma risada seca e amarga. "Rossi? Ele tem a audácia de usar um nome tão familiar em meu território?" Uma veia saltou em sua testa. "Ele está nos provocando, Marco. Querendo mostrar que pode chegar onde quiser, quando quiser."

"E a inteligência também aponta para um encontro secreto com alguns de nossos rivais. Aqueles que não estão satisfeitos com a sua ascensão."

A raiva de Dante começou a se transformar em uma fúria fria e calculista. Falcone não estava apenas buscando vingança pelo carregamento interceptado; ele estava tecendo uma rede para desestabilizar o poder de Dante, para criar um vácuo onde ele pudesse reinar.

"Ele vai se arrepender de ter vindo," Dante rosnou, os punhos cerrados. "Ele subestima a minha capacidade de proteger o que é meu."

Marco assentiu, ciente da tempestade que se formava dentro de seu chefe. "O que faremos, Dante?"

Dante se levantou, a silhueta imponente projetando-se contra a janela. Ele parecia um predador pronto para o ataque. "Primeiro, vamos investigar a fundo esse 'Mr. Rossi'. Quero saber quem ele é, quem ele está contatando, e quais são seus planos exatos. Segundo, vamos fortalecer as nossas linhas de defesa. Quero os homens mais leais em posição estratégica. E terceiro..." Ele virou-se para Marco, os olhos faiscando. "Vamos dar a Falcone um gostinho do que acontece quando se mexe com a família Rossi."

Enquanto Dante traçava seus planos de ataque, Isabella se encontrava em um dilema diferente. As palavras de Dante, o abraço apertado, a promessa de perigo iminente, tudo a deixava em um estado de constante alerta. Ela sabia que não podia mais viver na inocência, que o mundo de Dante era cruel e implacável. Mas o sentimento que a unia a ele era mais forte do que o medo.

Ela estava na biblioteca do casarão, o cheiro de livros antigos e couro a reconfortando. Folheava um álbum de fotografias antigas da família Rossi, buscando entender as raízes daquele império, a história que a conectava a Dante de forma tão inesperada. Viu rostos sérios, olhares que denunciavam segredos, e compreendeu que a família Rossi não era apenas um império do crime, mas uma linhagem de lutadores, de sobreviventes.

O toque suave de uma mão em seu ombro a fez sobressaltar. Era Elena, a governanta fiel, cujo olhar carregava a sabedoria de quem já vira de tudo.

"Senhorita Isabella," Elena disse, a voz calma. "O Senhor Dante pediu para avisá-la que haverá uma reunião importante esta noite. Ele pediu para que a senhorita ficasse em seu quarto e não saísse por nada."

O coração de Isabella apertou. Uma reunião importante. Isso significava perigo. "Elena, eu preciso saber o que está acontecendo."

"Senhorita, sua segurança é a prioridade. O Senhor Dante é muito claro quanto a isso."

"Mas Elena, eu estou preocupada com ele. Eu sinto quando algo está errado."

Elena suspirou, o olhar compreensivo. "O coração da senhorita é bom, mas este mundo não é lugar para bons corações. O Senhor Dante faz o que precisa para proteger a todos nós. E às vezes, isso significa manter as pessoas que ele ama longe da linha de fogo."

Isabella sentiu um nó na garganta. Ela entendia a lógica, mas a necessidade de estar ao lado de Dante, de compartilhar o peso que ele carregava, era avassaladora. Ela não era uma dama indefesa esperando ser resgatada; ela queria ser parte da solução, mesmo que isso a colocasse em risco.

Mais tarde, naquela noite, a atmosfera no casarão Rossi era palpável. Homens de rostos marcados e olhares atentos circulavam pelos corredores, a tensão crescendo a cada minuto. Dante estava em seu escritório, reunido com seus homens de confiança. Marco, Luca, o fiel capanga de olhos frios, e outros rostos conhecidos.

"Falcone está jogando um jogo perigoso," Dante declarou, a voz firme e autoritária. "Ele quer nos enfraquecer, criar o caos para assumir o controle. Ele está armando uma emboscada para esta noite, em um dos nossos armazéns no Brás."

Um burburinho percorreu a sala. O armazém do Brás era um ponto estratégico vital para o transporte de mercadorias.

"Ele acha que somos tolos," Luca resmungou, apertando o cabo de sua pistola. "Acha que pode nos pegar desprevenidos."

"Ele não nos pegará desprevenidos," Dante corrigiu, um brilho sombrio em seus olhos. "Mas ele nos forçará a reagir. Ele quer guerra, e guerra ele terá."

Dante explicou seu plano. Uma parte de seus homens iria para o armazém, criando uma distração, atraindo a atenção de Falcone. Enquanto isso, Dante, Marco e um pequeno grupo de elite iriam interceptar Falcone em outro local, onde ele estaria se encontrando com seus aliados locais.

"Vamos pegá-lo de surpresa," Dante disse, um sorriso perigoso nos lábios. "Vamos mostrar a ele que São Paulo não é Nova York. E que a família Rossi não se curva a ninguém."

Isabella, incapaz de se conformar com a ordem de ficar trancada, esgueirou-se pelo corredor, ouvindo fragmentos da conversa. O nome de Falcone, o Brás, a emboscada... o perigo era real e iminente. Ela não podia simplesmente ficar parada.

Usando um vestido escuro e um casaco, ela saiu furtivamente pela porta dos fundos, o coração batendo descontrolado. Ela precisava saber onde Dante estava indo. Ela precisava estar perto dele.

Enquanto os homens de Dante se preparavam para a batalha, Isabella se dirigia para o Brás, o coração apertado de apreensão. Ela não sabia exatamente o que faria, mas a ideia de Dante em perigo a impulsionava. A sombra da vingança pairava sobre a cidade, e o despertar da fúria de Dante seria algo que Giovanni Falcone jamais esqueceria. A noite seria longa, e o preço da guerra, incalculável.

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