Entre Armas e Abraços
Capítulo 19 — O Labirinto Subterrâneo e o Encontro Fatídico
por Mateus Cardoso
Capítulo 19 — O Labirinto Subterrâneo e o Encontro Fatídico
O galpão abandonado na Zona Portuária exalava um ar de decadência e perigo. A luz fraca das lâmpadas penduradas nos tetos altos criava um jogo de sombras sinistro, e o cheiro de mofo e maresia se misturava ao de óleo e metal. Isabella, escondida atrás de uma pilha de caixas enferrujadas, observava atentamente a cena. A visão de sua sósia, amordaçada e aterrorizada, a fez sentir um nó na garganta.
Falcone, com seus cabelos grisalhos e um sorriso cínico nos lábios, parecia satisfeito com o desenrolar dos acontecimentos. Seus homens, brutais e eficientes, a conduziam para uma sala nos fundos, onde os túneis começavam.
"Leve-a para a sala de interrogatório. Quero que ela esteja pronta quando meu neto chegar," Falcone ordenou em italiano, a voz rouca e cruel.
Isabella sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Sala de interrogatório? Ela sabia que precisava agir rápido. Ela abriu o caderno de Dante novamente, o mapa dos túneis familiares agora em sua mente. A entrada secreta, escondida atrás da estante de livros antiga.
Movendo-se com a agilidade de um felino, Isabella contornou a sala principal, evitando os guardas mais atentos. Chegou à estante de livros empoeirada, suas prateleiras repletas de volumes antigos e mofados. Com esforço, ela empurrou a estante para o lado, revelando uma abertura escura e úmida. Era a entrada para os túneis.
Ela acendeu a lanterna de seu celular, o feixe de luz iluminando um corredor estreito e sinuoso. O ar ali era pesado, carregado de umidade e do cheiro de terra molhada. Ela sabia que estava entrando em um labirinto, mas era sua única chance de chegar até sua sósia e, talvez, de interceptar Dante antes que ele caísse na armadilha de seu avô.
Enquanto isso, Dante e seu grupo se aproximavam do galpão. A notícia sobre a outra Isabella e a reviravolta da parentesco com Falcone os atingiu como um raio. A fúria de Dante se misturava a um desespero crescente. Ele sabia que Falcone era perigoso, mas agora, com Isabella em suas mãos, o jogo havia mudado drasticamente.
"Marco, Luca, fiquem com a entrada principal," Dante ordenou, a voz firme, mas com um tremor contido. "Eu vou entrar sozinho. Se eu não sair em quinze minutos, vocês invadem. Mas antes disso, quero que localizem qualquer sinal da Isabella que está com Falcone. A outra Isabella."
Marco assentiu, a preocupação estampada em seu rosto. "Chefe, é muito arriscado."
"Eu sei," Dante respondeu, um brilho sombrio em seus olhos. "Mas é a única maneira."
Ele se moveu pelas sombras, contornando o perímetro do galpão, procurando uma entrada secundária. Encontrou uma porta de metal enferrujada, parcialmente aberta. A adrenalina pulsava em suas veias. Ele entrou com cautela, a pistola em punho.
O interior do galpão era vasto e escuro. Ele podia ouvir as vozes dos homens de Falcone, falando em italiano, e o choro abafado de uma mulher. Ele se esgueirou pelas sombras, tentando localizar a origem dos sons.
Isabella, no labirinto subterrâneo, avançava com dificuldade. Os túneis eram claustrofóbicos, o chão irregular e escorregadio. Ela ouvia os passos dos guardas, as vozes de Falcone ecoando de vez em quando, mas não conseguia determinar sua localização exata.
De repente, ela ouviu um barulho à sua frente. Uma figura emergindo da escuridão. Seu coração disparou. Era Dante? Ou um dos homens de Falcone?
Ela se encolheu, preparada para o pior. Mas a figura se aproximou, e a luz fraca de seu celular iluminou um rosto familiar. Era Dante.
"Isabella!" ele exclamou, aliviado. "O que você está fazendo aqui? Você não deveria estar aqui!"
Ela correu para ele, abraçando-o com força. "Eu tinha que vir, Dante. Eu não podia deixá-lo sozinho."
"Você está bem?" ele perguntou, verificando se ela estava ferida.
"Sim. Mas Falcone pegou a outra Isabella. Ele está usando ela para te atrair. Eu vi."
A informação atingiu Dante como um golpe. A astúcia de Falcone era terrível. "Onde ela está?"
"Eu acho que em uma sala de interrogatório, nos fundos do galpão. Eu... eu acho que sei como chegar lá." Isabella mostrou o caderno de Dante. "Há túneis. Uma entrada secreta."
Dante olhou para o caderno, para o mapa. Ele compreendeu o plano de Falcone, a jogada de mestre. Ele estava sendo levado para uma armadilha, e Isabella, sem saber, estava em perigo.
"Precisamos ir," Dante disse, determinado. "Rápido."
Eles voltaram pelo túnel, seguindo as indicações do mapa. O tempo estava se esgotando. A fúria de Dante contra Falcone crescia a cada passo, mas agora misturada a um medo profundo pela segurança de Isabella e de sua sósia.
Enquanto isso, na sala de interrogatório, a outra Isabella estava encurralada. Falcone a observava com um olhar frio e calculista. Ele a havia trazido ali para ser a isca perfeita.
"Você se parece muito com ela, não é?", Falcone disse, a voz insinuante. "Com a mulher que meu neto ama. Uma pena que seu destino será diferente do dela."
A Isabella capturada tentava se soltar das amarras, seus olhos cheios de desespero. Ela não entendia por que estava ali, por que aquele homem a odiava tanto.
De repente, um estrondo ecoou do lado de fora da sala. Tiros. Falcone sorriu.
"Parece que meu neto chegou mais cedo do que eu esperava. Vamos ver quem sai vivo desta vez."
Ele se virou para a Isabella capturada. "Não se preocupe, querida. Você terá um papel importante nesta noite."
Isabella e Dante emergiram do túnel, chegando a uma porta trancada. Dante forçou a fechadura com uma ferramenta que trazia consigo. A porta se abriu, revelando a sala de interrogatório.
Lá dentro, Falcone estava de costas, olhando para a Isabella capturada, que estava amarrada a uma cadeira. Ao ver Dante e Isabella, Falcone se virou lentamente, um sorriso sinistro no rosto.
"Ora, ora. O neto rebelde e a garota corajosa. Que encontro emocionante."
"Solte-a, Falcone!" Dante gritou, a voz carregada de raiva.
"Soltá-la? Por quê? Ela é apenas um peão neste jogo, Dante. Assim como você. Assim como o pai que você nunca conheceu."
Falcone fez um gesto com a cabeça para seus homens. Eles se aproximaram da Isabella capturada.
"Não se atrevam a tocá-la!" Isabella gritou, dando um passo à frente.
Falcone riu. "Você é tão tola quanto ela. Acha que pode me deter?"
E então, o confronto fatídico começou. A fúria de Dante, a coragem de Isabella, a crueldade de Falcone, tudo convergindo naquele momento decisivo no labirinto subterrâneo do galpão abandonado. O destino de duas mulheres, e a verdade sobre um passado sombrio, seriam revelados nas próximas horas.