O Último Segredo de São Paulo

Capítulo 12 — A Teia de Aranha de Ricardo

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 12 — A Teia de Aranha de Ricardo

A manhã seguinte amanheceu sob um céu cinzento e opressivo, um reflexo do estado de espírito de Elias. A noite anterior, o beijo roubado na chuva com Isabella, havia sido um momento de rara vulnerabilidade, uma fagulha de luz em meio à escuridão que o cercava. Mas essa luz agora estava ofuscada pela sombra crescente da ameaça que pairava sobre ela. Ricardo não era um homem de sutilezas, e a implicação de que ele sabia sobre o encontro deles era um sinal claro de que a teia de aranha que ele tecia estava se fechando.

Elias estava em seu escritório, um espaço austero e funcional que servia mais como centro de operações do que como local de trabalho. O cheiro de café forte e metal pairava no ar. Ele observava o mapa de São Paulo estendido sobre a mesa, os dedos traçando rotas, marcando pontos de interesse, buscando um padrão no caos. Isabella estava segura, ele a havia deixado em um local discreto, mas a sensação de que ele a havia colocado em perigo apenas aumentava seu desespero.

“Ele sabe, não é?”, a voz de Marco, seu braço direito, soou pela porta entreaberta. Marco era um homem leal, com um olhar perspicaz e uma discrição inabalável. Ele observava Elias, a testa franzida em preocupação. “A cara que você está fazendo diz tudo.”

Elias suspirou, passando a mão pelo cabelo desalinhado. “Ricardo sabe que algo está acontecendo. Ele é astuto. E ele tem olhos em todos os lugares.” Ele apontou para o mapa. “Aquele carro que vimos ontem à noite… era dele. Ele está nos observando, Marco. E ele sabe que Isabella é a minha fraqueza.”

Marco aproximou-se da mesa, seus olhos percorrendo o mapa com a mesma intensidade de Elias. “Se ele sabe sobre ela, tudo muda. As apostas aumentam exponencialmente.”

“É por isso que precisamos agir rápido”, Elias disse, a voz firme, mas com uma urgência latente. “Precisamos descobrir o que Ricardo está tramando, quais são seus verdadeiros interesses. A informação que Isabella me deu sobre o embarque no porto… é apenas a ponta do iceberg.”

Ele se virou para Marco, seus olhos escuros faiscando com determinação. “Ricardo não está interessado apenas em dinheiro. Há algo mais. Algo pessoal. E essa coisa está ligada ao passado. Ao meu passado. Ao segredo que ele carrega.”

Marco concordou com a cabeça. “Nós estamos cavando fundo, Elias. O informante no cais confirmou que houve um movimento incomum na noite passada, mas os detalhes são escassos. Eles foram rápidos, eficientes. Parece que estavam transportando algo de grande valor, ou de grande perigo.”

“Valor ou perigo… no mundo de Ricardo, muitas vezes são a mesma coisa”, Elias murmurou, voltando-se para o mapa. Ele se lembrava das palavras de Isabella sobre a pressão sobre sua família, sobre os Ferraris estarem em uma situação desesperadora. O que Ricardo queria deles? Dinheiro? Favores? Ou ele estava tentando usar os Ferraris para atingir outro objetivo?

“E Isabella?”, Marco perguntou, sua voz baixa, carregada de cautela. “Ela está segura?”

“Por enquanto”, Elias respondeu, a preocupação voltando a assombrá-lo. “Mas ele vai tentar usá-la contra mim. Eu preciso protegê-la, mas também preciso que ela me diga tudo o que sabe. O problema é que ela ainda tem medo de mim, de quem eu sou.”

“O beijo de ontem… isso mudou alguma coisa?”, Marco questionou, um leve sorriso surgindo em seus lábios.

Elias deu um sorriso irônico. “Acho que complicou as coisas. Colocou mais lenha na fogueira.” Ele encarou Marco. “Mas isso me deu mais motivos para protegê-la. Se ela é a minha fraqueza, então eu preciso torná-la minha força. E para isso, preciso que ela confie em mim.”

“Confiança se conquista, Elias. E você sabe que o seu mundo não é feito de doces e flores. Como você pretende conquistar a confiança dela?”

“Eu vou mostrar a ela que eu sou diferente. Que eu a protejo não por um acordo, mas porque… porque ela me importa.” A intensidade em sua voz era inegável. A conexão que ele sentiu com Isabella era algo que ele não experimentava há muito tempo, talvez nunca. Era um sentimento perigoso, mas ao mesmo tempo, o único que o fazia sentir-se vivo em meio a tanta morte e destruição.

“Precisamos de informações concretas sobre o que Ricardo está planejando no porto”, Elias continuou, sua mente voltando ao trabalho. “Quem está envolvido? Qual a carga? E mais importante, qual a ligação com os Ferraris e com o meu passado?”

Marco assentiu. “Estou trabalhando nisso. Um dos meus contatos na alfândega me deve um favor. Ele pode conseguir acesso aos registros de carga, se eu pressionar um pouco.”

“Faça isso. E preciso de informações sobre os negócios de Ricardo nos últimos meses. Onde ele tem investido? Onde ele tem movimentado dinheiro? Se ele está escondendo algo, há sempre rastros.” Elias deu um passo atrás, andando pela sala como um predador em sua jaula. “Ele construiu seu império sobre segredos e mentiras. É hora de desvendarmos os dele.”

De repente, o telefone na mesa de Elias tocou. Ele atendeu, a voz fria e controlada. “Elias.”

Era a voz de Isabella, tensa, apressada. “Elias, eu acho que ele me encontrou. Eu vi o mesmo carro de ontem perto da minha casa. Eu não sei se ele sabe onde eu estou hospedada, mas…”

O sangue de Elias gelou. A cautela se transformou em alerta máximo. “Onde você está, Isabella?”

“Em um café perto de onde eu morava. Estou tentando não chamar atenção.”

“Fique onde está. Não se mexa. Não fale com ninguém. Eu estou a caminho.” Elias desligou o telefone, o coração batendo descompassado. Ricardo estava pressionando. Ele estava usando Isabella como isca, ou como um meio para chegar a Elias. A teia de aranha estava se fechando, e Elias estava no centro, com Isabella em seu rastro.

Ele olhou para Marco. “Isabella está em perigo. Ricardo a encontrou. Preciso ir buscá-la.”

Marco, sem hesitar, pegou sua jaqueta. “Eu vou com você.”

“Não”, Elias disse, a voz firme. “Você cuida das informações. Preciso que você descubra o que Ricardo está transportando. É a nossa chance de virar o jogo.”

Marco assentiu, entendendo a gravidade da situação. Elias saiu do escritório, a mente correndo em mil direções. Ele sabia que aquele encontro com Isabella na chuva havia sido mais do que um momento de paixão. Havia sido um compromisso. E ele estava determinado a cumprir essa promessa, mesmo que isso significasse entrar de cabeça no labirinto perigoso de Ricardo. A teia de aranha de Ricardo estava se fechando, mas Elias não era um inseto a ser pego. Ele era o predador, e estava prestes a caçar. O Último Segredo de São Paulo estava prestes a ser exposto, e a vida de Isabella estava em jogo. Ele não podia falhar.

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