O Último Segredo de São Paulo

Capítulo 14 — A Queda e a Ascensão

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 14 — A Queda e a Ascensão

O ar no café ficou pesado, carregado de tensão e do cheiro de café recém-passado que agora parecia nauseante. Os dois homens de Ricardo avançaram, seus movimentos coordenados, calculados. Elias sentiu a mão de Isabella firmemente entrelaçada à sua, e um instinto de proteção, feroz e avassalador, tomou conta dele. Ele sabia que não podia lutar ali, naquele espaço confinado, com inocentes presentes. Mas também sabia que não podia ceder.

“Você não quer fazer isso aqui”, Elias disse, sua voz calma, mas com um tom de ameaça subjacente. “Vocês sabem quem eu sou. Sabem o que eu sou capaz de fazer.”

O homem com a cicatriz deu um passo à frente. “O patrão não se importa. Ele quer você. E ele quer a moça. Sem alarde, se possível. Mas sem alarde é opcional.”

Elias sentiu um nó na garganta. Ricardo o estava empurrando para o limite. Ele sabia que esse confronto era inevitável, mas preferia que fosse em seus termos. De repente, ele teve uma ideia.

“Vocês querem que eu vá com vocês?”, Elias perguntou, levantando as mãos em um gesto de rendição aparente. “Tudo bem. Mas a moça fica. Ela não tem nada a ver com isso.”

O homem com a cicatriz hesitou por um instante. A ordem era clara: trazer os dois. Mas a sugestão de Elias, a ideia de evitar um confronto barulhento no café, pareceu atraí-lo.

“O patrão disse os dois”, ele rosnou.

“E o patrão se importa se um deles não sair vivo daqui?”, Elias retrucou, a voz baixa e cortante. “Vocês querem que isso seja um massacre? Ou querem resolver isso de forma… discreta?”

Ele viu a hesitação nos olhos do homem. Ricardo era um homem pragmático, e a ideia de um conflito em público, com possíveis testemunhas e a polícia envolvida, não lhe agradava.

“Tudo bem”, o homem com a cicatriz disse, após um momento de deliberação com seu parceiro. “Você vem. E ela fica. Mas não pense que você pode fugir.”

Elias sentiu um alívio momentâneo, mas sabia que era apenas um adiamento. Ele se virou para Isabella, seus olhos fixos nos dela. “Fique aqui. Não saia. E se algo acontecer, se eles tentarem algo, corra. Entendeu?”

Isabella assentiu, o rosto pálido, mas os olhos firmes. “Eu não vou para lugar nenhum, Elias. E eu não vou deixá-lo ir sozinho.”

“Isabella, não discuta comigo”, Elias disse, a voz firme. “Sua segurança é a prioridade. Fique aqui. Espere por mim. Se eu não voltar… procure Marco. Ele vai saber o que fazer.”

Ele viu a relutância nos olhos dela, mas também a compreensão. Ela sabia que ele estava fazendo o que precisava ser feito. Com um último olhar para ela, Elias se virou para os homens de Ricardo.

“Vamos”, ele disse, sua voz carregada de uma frieza que fez os homens se encolherem levemente.

Elias foi conduzido para fora do café, deixando Isabella para trás, a solidão e o medo como únicos companheiros. Ele entrou no carro preto que o esperava, sentando-se no banco de trás. O homem com a cicatriz sentou-se ao seu lado, enquanto o outro assumiu o volante.

A viagem foi tensa e silenciosa. Elias observava a paisagem urbana passar, sua mente trabalhando freneticamente. Ele precisava pensar em uma saída. Precisava encontrar uma maneira de se libertar e de voltar para Isabella. O nome “Esmeralda” ressoava em sua mente, um enigma que ele estava desesperado para desvendar. Ele sentia que a chave para tudo estava ligada a esse segredo, e que Ricardo a possuía.

O carro parou em frente a um armazém abandonado na zona portuária, um lugar sombrio e desolado que parecia ter saído de um pesadelo. Elias foi forçado a descer, seus olhos percorrendo o local. Ali, no centro de um grande salão, estava Ricardo. Ele era um homem imponente, com um olhar penetrante e um sorriso que não alcançava seus olhos.

“Elias. Que bom que você veio”, Ricardo disse, sua voz calma e controlada, como se estivessem se encontrando para um café. “Eu não queria ter que incomodar sua… amiga. Mas você me deu poucas opções.”

“Você está brincando com fogo, Ricardo”, Elias respondeu, sua voz firme, apesar da situação. “Você sabe que não pode me deter.”

Ricardo riu, um som rouco e desagradável. “Você se subestima, Elias. Ou talvez você subestime o quanto eu quero o que você tem. Ou o que você sabe.” Ele se aproximou de Elias, seus olhos fixos nos dele. “Seu pai era um tolo. Ele pensou que poderia esconder para sempre o que era meu.”

“O que é seu, Ricardo?”, Elias perguntou, sentindo a verdade se aproximar. “O que você acha que é seu?”

Ricardo sorriu, um sorriso cruel. “A Esmeralda. A herança que foi roubada da minha família há gerações. E que o seu pai, com sua arrogância, manteve escondida. Mas agora, eu tenho os meios para recuperá-la. E você, Elias, vai me ajudar a encontrá-la.”

Elias sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A Esmeralda. Não era apenas um nome. Era um objeto, um tesouro. E seu pai, em sua busca por proteger o que era certo, havia se tornado um obstáculo para Ricardo.

“Meu pai não roubou nada”, Elias disse, a voz tensa. “Ele protegeu. Ele fez o que era certo.”

“O certo para quem, Elias?”, Ricardo retrucou, sua voz ficando mais dura. “O certo para a sua família? Ou para a minha? Você acha que o seu pai era um herói? Ele era apenas um ladrão que se escondeu nas sombras. Mas eu sou diferente. Eu sou o futuro.”

Ricardo fez um sinal para um de seus homens, que trouxe uma maleta. Ele a abriu, revelando um brilho frio e intenso. Elias prendeu a respiração. Era um diamante. Um diamante enorme, de um verde profundo, que parecia capturar toda a luz do salão. A Esmeralda.

“Linda, não é?”, Ricardo disse, sua voz cheia de admiração. “Mas isso é apenas uma parte. A verdadeira Esmeralda é muito maior. E eu sei que o seu pai escondeu o resto. E você, Elias, vai me dizer onde está.”

Elias encarou o diamante, sentindo o peso do passado e do presente colidirem. Ele sabia que não podia entregar a Esmeralda a Ricardo. Não podia deixar que ele a usasse para seus propósitos sombrios.

“Você nunca vai conseguir”, Elias disse, um desafio em sua voz.

Ricardo suspirou, um gesto de impaciência. “Eu não gosto de ser contrariado, Elias. Especialmente quando estou tão perto do meu objetivo.” Ele se aproximou de Elias, seus olhos fixos nos dele. “Você tem uma escolha. Me ajude, e eu garanto que sua amiga Isabella ficará ilesa. Ou resista… e nós vamos ter que lidar com isso de outra forma.”

Elias sentiu a pressão aumentar. Ele estava encurralado, mas não derrotado. A menção de Isabella o atingiu em cheio. Ele não podia colocá-la em perigo. Mas também não podia trair o legado de seu pai.

De repente, um barulho veio de fora do armazém. Sirenes de polícia. Elias sentiu uma pontada de esperança. Seria Marco? Teria ele conseguido?

Ricardo também ouviu as sirenes, e seu rosto se contraiu em irritação. “O que diabos é isso?”

Os homens de Ricardo saíram correndo para investigar. Elias viu sua chance. Ele sabia que não podia enfrentar Ricardo sozinho, mas talvez pudesse criar uma distração.

“Você está tão perto, Ricardo”, Elias disse, dando um passo para trás. “Mas você vai perder tudo. Assim como perdeu antes.”

Ricardo riu. “Você fala como se soubesse de algo.”

“Eu sei que você é um homem obcecado. E a obsessão cega.” Elias olhou para a Esmeralda brilhando na maleta. “Você acha que a Esmeralda é apenas uma joia. Mas é muito mais do que isso.”

Enquanto Ricardo estava distraído, Elias agiu. Ele se jogou para o lado, derrubando a maleta com a Esmeralda. O diamante rolou pelo chão, parando perto de uma entrada lateral. Os homens de Ricardo, ao ouvirem o barulho, voltaram correndo, mas já era tarde demais.

Elias correu em direção à saída lateral, sabendo que a polícia estava chegando. Ele podia ouvir tiros do lado de fora. O armazém estava se tornando um campo de batalha. Ele não podia deixar a Esmeralda nas mãos de Ricardo.

Ele agarrou o diamante do chão, sentindo seu peso frio e estranho em sua mão. Era um símbolo do passado, do conflito, e agora, de sua própria luta. Ele correu para fora do armazém, encontrando a confusão do lado de fora. Policiais se movendo, homens de Ricardo reagindo.

Ele viu Isabella, de longe, correndo em sua direção, o rosto marcado pelo medo, mas determinada. Ela o vira sair. Elias correu para ela, o diamante escondido na mão. Ele a agarrou, puxando-a para longe do caos.

“Você está bem?”, ele perguntou, ofegante.

“Sim, mas você… o que aconteceu?”, ela respondeu, olhando para trás, para o armazém em chamas.

“Uma longa história”, Elias disse, apertando o diamante em sua mão. Ele sentiu o peso dele, e soube que estava em posse de algo perigoso. Algo que Ricardo não desistiria facilmente. “Ricardo sabe o que é a Esmeralda. E agora ele sabe que eu sei.”

Elias sentiu um misto de triunfo e desespero. Ele havia escapado, ele tinha a Esmeralda, mas a batalha estava longe de acabar. Ricardo estava furioso, e agora ele teria mais motivos para caçá-lo. E Isabella, envolvida nessa trama, estava mais em perigo do que nunca. A queda no armazém havia sido a armadilha de Ricardo, mas para Elias, fora o início de uma ascensão inesperada. Ele agora tinha a arma que Ricardo tanto desejava, e a determinação de usá-la para desvendar o Último Segredo de São Paulo.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%