O Último Segredo de São Paulo

Capítulo 5 — O Preço da Verdade

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 5 — O Preço da Verdade

O choque paralisou Aurora. A figura de Bruno, seu amigo, ali, naquele lugar sombrio, com o broche da "Ordem da Serpente" em suas mãos, era uma imagem que ela jamais esqueceria. O peso da traição a atingiu com força brutal, ofuscando o medo que ela sentira momentos antes.

"Proteger ele?", Aurora repetiu, a voz embargada pela incredulidade. "Você o traiu, Bruno! Meu pai confiou em você!" Lágrimas quentes começaram a rolar por seu rosto, misturando-se à poeira e à melancolia do casarão abandonado.

Bruno deu um passo hesitante em sua direção. "Aurora, por favor, me escute. Eu nunca quis machucar seu pai. Eu comecei a investigar a Ordem da Serpente há anos, antes mesmo de Ademir se envolver. Eles descobriram sobre mim, me chantagearam. Eles queriam informações sobre as investigações dele. Eu era o único que podia falar com ele sem levantar suspeitas."

Ele segurou o broche com mais firmeza. "No dia da morte dele, eu sabia que eles o esperavam aqui. Eu tentei avisá-lo, mas eles me pegaram. Me obrigaram a vir aqui, a deixar esse gravador. Para que eles tivessem certeza de que ele viria sozinho." A voz de Bruno falhou. "Eu estava lá, Aurora. Eu ouvi tudo. Ouvi quando eles o... quando eles o silenciaram. E eu não pude fazer nada."

A confissão de Bruno era um golpe devastador. A dor da perda de seu pai, agora misturada com a dor da traição, ameaçava submergi-la. Ela olhou para o gravador em cima da mesa, para o broche nas mãos de Bruno. Era a prova final. A prova de que seu pai havia sido assassinado por aquela organização sinistra.

"Quem são eles, Bruno?", Aurora exigiu, a voz tingida de raiva e desespero. "Quem está por trás da 'Ordem da Serpente'?"

Bruno hesitou, o medo voltando a dominar seus olhos. "É alguém poderoso, Aurora. Alguém que está acima de tudo. O líder é conhecido apenas como 'O Mestre'. Ele controla tudo. Eu nunca vi seu rosto. Mas eu sei que ele está ligado aos negócios de Ricardo Almeida."

A menção de Ricardo Almeida fez Aurora congelar. Ricardo. O homem que oferecera ajuda. O homem que operava nas sombras da cidade. Poderia ele estar envolvido? A ligação que Bruno mencionara era uma coincidência ou algo mais sinistro?

"Ricardo Almeida?", Aurora repetiu, surpresa. "Ele disse que ia me ajudar. Ele disse que respeitava meu pai."

"Ele disse?", Bruno riu, um riso amargo. "Aurora, Ricardo Almeida é o demônio que controla esta cidade. Ele é O Mestre. Ele construiu seu império sobre o sangue e a corrupção. A 'Ordem da Serpente' é apenas mais uma de suas ferramentas."

A revelação atingiu Aurora com a força de um furacão. Ricardo Almeida. O homem que a havia seduzido com a promessa de justiça, era o próprio monstro que ela buscava. A sensação de engano era avassaladora. Ela se sentiu usada, manipulada.

Enquanto a raiva e a descrença a consumiam, um novo som ecoou pelo casarão. O som de sirenes se aproximando. Luzes piscantes começaram a invadir o local pelas janelas quebradas.

"A polícia!", Bruno exclamou, o pânico tomando conta de seu rosto. "Eles devem ter nos rastreado!"

Aurora olhou em volta, a mente girando. Ela sabia que não podia ser presa ali, com Bruno e com o gravador. Ela precisava sair, precisava contar a verdade para alguém. Mas para quem?

Em meio ao caos, ela pegou o broche do chão e o guardou em seu bolso. Ela não podia deixar aquela prova para trás. Em seguida, olhando para Bruno, que parecia à beira do colapso, ela tomou uma decisão rápida.

"Eu não vou ficar aqui, Bruno", ela disse, a voz firme apesar do turbilhão de emoções. "Eu vou contar tudo. E se você for um homem, vai falar a verdade."

Ela se virou e correu, saindo do casarão abandonado no momento em que os primeiros policiais invadiam o local. Ela se embrenhou na escuridão da noite, correndo pelas ruas desertas, com o coração martelando no peito e a imagem de Ricardo Almeida, o homem que ela pensara ser um aliado, agora gravada em sua mente como o vilão de sua história.

Enquanto isso, na mansão de Ricardo Almeida, o clima era de serenidade. Leo dormia tranquilamente em seu berço, e Ricardo o observava com um amor que o transformava. Marcos Silva entrou no quarto, a expressão séria.

"Senhor, temos novidades sobre Isabela."

Ricardo se virou, seus olhos azuis fixos em Marcos. "Diga."

"A encontramos. Ela está em um local seguro, sob nossa proteção. Ela está disposta a falar. E ela confirmou tudo o que suspeitávamos. Ricardo Almeida é o líder da 'Ordem da Serpente'. Ela entregou o bebê a você porque sabia que era a única maneira de protegê-lo das garras dele."

Ricardo ouviu em silêncio, o rosto impassível. Ele sabia que Aurora havia descoberto a verdade. Ele a havia guiado até ela, de certa forma. Ele a deixara se aproximar, para que a verdade a atingisse de forma mais devastadora. Ele precisava dela exposta, precisava que ela se tornasse um problema para as autoridades, para que ele pudesse eliminá-la de vez.

"E o encontro dela com a Srta. Santos?", Ricardo perguntou.

"Foi vigiado, senhor. A Srta. Santos apareceu no casarão, mas saiu antes da polícia chegar. Bruno, o jornalista, foi preso. Ele confessou tudo."

Um sorriso lento e cruel se espalhou pelos lábios de Ricardo. "Excelente. Aurora agora sabe a verdade. E como todos que sabem demais, ela se tornou um problema." Ele olhou para Leo, adormecido. "Isso é necessário para a proteção dele. Para o futuro dele."

Na manhã seguinte, São Paulo acordou sob uma chuva fina e persistente. Aurora, exausta e desorientada, estava escondida em um pequeno apartamento alugado, longe de tudo que conhecia. A traição de Ricardo Almeida a havia deixado em ruínas, mas também a impulsionou com uma nova determinação. Ela não era mais a artista frágil em busca de respostas. Ela era a filha de Ademir Santos, e ela não descansaria até que o homem que destruiu sua família pagasse por seus crimes.

Ela pegou o broche do bolso, a águia com a serpente em suas garras, um símbolo de seu tormento e de sua futura vingança. Ela sabia que estava sozinha agora. Bruno estava preso, Ricardo era seu inimigo, e ela não podia confiar em mais ninguém. Mas ela tinha uma arma: a verdade. E ela estava disposta a usá-la, mesmo que o preço fosse sua própria vida. O último segredo de São Paulo estava prestes a ser revelado, e Aurora Santos estava pronta para ser a mensageira, custe o que custar. O jogo de sombras estava apenas começando, e ela estava prestes a entrar em campo, determinada a trazer a luz para a escuridão que consumia a cidade.

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