Noite de Vinho e Veneno

Capítulo 10 — A Teia de Aranha

por Mateus Cardoso

Capítulo 10 — A Teia de Aranha

O amanhecer envolvia o Rio de Janeiro em uma aura dourada, mas para Elias Santoro, a luz parecia apenas realçar as sombras que se adensavam ao seu redor. A conversa com Sofia o deixara inquieto, a revelação de seu jogo maior, de sua ligação com forças antigas, o perturbara mais do que ele admitiria. Ele estava acostumado a ser o caçador, o controlador, mas agora, ele se sentia como um inseto preso na teia de uma aranha astuta.

Marco o aguardava em seu escritório, o semblante preocupado. “Chefe, recebemos informações. Vittorio Leone foi visto em um encontro com um homem conhecido como ‘Il Professore’. Ele é um intermediário, um negociador para famílias antigas que operam nas sombras. Ele não tem poder militar, mas sua influência é imensa.”

Elias assentiu, a peça do quebra-cabeça se encaixando. “Il Professore. Sofia está trabalhando com ele. Ele é quem a conecta com essas famílias antigas. E Leone é apenas um peão deles, usado para nos desestabilizar.”

“Precisamos agir, chefe. Se essas famílias se unirem com Sofia e Leone, eles terão um poder considerável.”

“Não vamos atacar de frente, Marco”, Elias disse, sua mente trabalhando em alta velocidade. “Sofia quer que eu me sinta acuado, que eu faça um movimento precipitado. Precisamos ser mais inteligentes. Precisamos cortar a teia de aranha pela raiz.”

Ele decidiu que a melhor maneira de lidar com Sofia era enfrentá-la diretamente, mas de uma forma que ele pudesse controlar a narrativa. Ele a convidou para um jantar em seu restaurante favorito, um local discreto e elegante, onde a segurança seria discreta, mas eficaz.

Enquanto isso, Sofia recebia a visita de Il Professore em seu apartamento. O homem, magro e com óculos de aro fino, falava com a calma de um acadêmico, mas seus olhos transmitiam uma crueldade calculista.

“Santoro está caindo na sua armadilha, Sofia. Ele está agitado, inseguro. Acreditamos que ele virá até você.”

Sofia sorriu, um sorriso frio e triunfante. “Ele virá. Ele não suporta a ideia de perder o controle. E eu, com a ajuda de vocês, irei garantir que ele o perca completamente.”

“Excelente. Lembre-se do nosso acordo. Uma vez que Santoro seja eliminado, o controle do Rio de Janeiro será dividido. Nós cuidaremos das operações de logística e você, Sofia, terá o poder que sempre desejou. O poder que pertence à sua família.”

Sofia assentiu, seus olhos fixos na vista da cidade. “A vingança é um prato que se come frio, Il Professore. E eu tenho esperado por isso por muito tempo.”

Naquela noite, Elias e Sofia se encontraram no restaurante. A atmosfera era tensa, apesar da música suave e da iluminação ambiente. Elias a observava atentamente, buscando qualquer sinal de hesitação, qualquer rachadura em sua fachada de controle.

“Você me convidou para jantar, Elias?”, Sofia perguntou, pegando uma taça de vinho. “Veio me pedir perdão?”

“Vim para entender, Sofia”, ele respondeu, sua voz calma. “Para entender por que você está jogando este jogo. Por que você está se aliando a homens como Leone e Il Professore.”

Ela riu, um som que soou falso em seus ouvidos. “Eu não me alio, Elias. Eu uso. Assim como você usou meu marido, assim como você usou a todos que cruzaram seu caminho.”

“Eu não sou como você, Sofia. Eu não busco vingança. Eu busco ordem.”

“Sua ordem é tirania, Elias. E eu estou aqui para derrubá-la.” Ela o encarou. “Você acha que tem o controle? Você está mais cego do que nunca. Você está cercado, Elias. Por todos os lados.”

Elias a estudou. Ela estava jogando um jogo, e ele precisava entender as regras. “E quem são esses ‘todos os lados’, Sofia? Quem são as famílias que você representa?”

Ela hesitou por um momento, um breve lampejo de algo que ele não conseguiu decifrar em seus olhos. “Famílias que você destruiu, Elias. Famílias que buscam seu lugar de volta. Eu sou a herdeira de um legado que você tentou apagar da história.”

Elias sentiu um arrepio. Ele sabia que havia inimigos antigos, mas ele os considerava inofensivos. Ele subestimara a persistência do passado, a força de um legado.

“Você está cometendo um erro, Sofia. Aliar-se a Leone e Il Professore é se aliar ao veneno. E o veneno sempre retorna para quem o carrega.”

“O veneno, Elias, é a única coisa que me mantém viva. É a força que me impulsiona. E logo, você sentirá seu efeito.”

Ela se levantou, deixando a taça de vinho intocada na mesa. “O jogo está em andamento, Elias. E esta noite, você apenas testemunhou o início do fim.”

Elias a observou partir, o silêncio na mesa pesando mais do que nunca. Ele sabia que ela estava dizendo a verdade. Ele estava cercado, preso em uma teia complexa de vingança e ambição. Ele havia subestimado a viúva negra, e agora, ele teria que lutar não apenas por seu império, mas por sua própria vida. A noite de vinho e veneno havia se tornado uma batalha épica, e Elias Santoro, o rei incontestável, estava prestes a enfrentar sua maior ameaça. Ele precisava agir, e agir rápido, antes que a teia se fechasse completamente sobre ele.

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