Noite de Vinho e Veneno

Noite de Vinho e Veneno

por Mateus Cardoso

Noite de Vinho e Veneno

Autor: Mateus Cardoso

Capítulo 6 — O Beijo da Viúva Negra

O aroma da noite carioca, uma mistura inebriante de maresia, jasmim e o cheiro adocicado da poluição urbana, pairava sobre a cobertura de Elias Santoro. A cidade, lá embaixo, cintilava como um mar de diamantes sob o manto negro do céu. Elias, com a taça de um tinto encorpado dançando em sua mão, observava Sofia se aproximar. Seus passos, deliberados e graciosos, ecoavam suavemente no piso de mármore polido, um prelúdio para a tempestade que ele sentia se formar em seu peito.

Sofia, deslumbrante em um vestido de seda cor de ônix que abraçava suas curvas com a ousadia de uma promessa, era um enigma. Seus olhos escuros, profundos como a própria noite, guardavam segredos que Elias ansiava desvendar. Ele a conhecera há poucas semanas, em um evento da alta sociedade que mais parecia um campo de batalha disfarçado. Ela, a viúva do falecido chefe da máfia rival, a quem ele eliminara com a frieza que o tornara lendário. E agora, ela estava ali, em seu refúgio, um convite tácito para um jogo perigoso.

“Elias”, sua voz era um sussurro melodioso, tingido por um sotaque italiano que adicionava uma camada extra de sedução. Ela parou a poucos passos dele, o ar crepitando com uma tensão palpável. “Você me convidou para esta noite especial. O que você tem em mente?”

Ele sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. Elias Santoro era um homem acostumado a ter o que queria, a moldar o destino à sua vontade implacável. Mas Sofia era diferente. Ela era um desafio, uma tentação que o atraía como a mariposa à chama.

“Sofia, minha querida”, ele disse, estendendo a mão para ela. “Estou apenas apreciando a vista. E a companhia.” Ele a conduziu para a varanda, onde o vento soprava suavemente, agitando os cabelos negros dela. “Vejo que veio preparada para a ocasião. Esse vestido é… impressionante.”

Ela riu, um som grave e melódico. “Você sabe que eu gosto de causar uma boa impressão, Elias. Especialmente quando tenho um… objetivo.” Seus olhos encontraram os dele, e uma faísca de intensidade cruzou o abismo entre eles.

“Objetivo?”, ele repetiu, arqueando uma sobrancelha. “E qual seria o objetivo da bela viúva de Dante Bellucci?”

Sofia se aproximou, o perfume dela, uma mistura exótica e inebriante, envolvendo-o. Ela tocou seu braço, seus dedos finos e frios deslizando pela pele quente. Elias sentiu um arrepio percorrer sua espinha, uma sensação que ele não experimentava há muito tempo.

“Meu objetivo, Elias”, ela sussurrou, sua voz um sopro em seu ouvido, “é sobreviver. E talvez, apenas talvez, prosperar.” Ela se afastou, seus olhos fixos nele. “Você tirou tudo de mim. A minha casa, a minha reputação, o meu marido. Você acha que eu vou me curvar e chorar?”

Elias a encarou, admirado pela audácia dela. A maioria tentaria fugir, se esconder. Sofia, por outro lado, parecia abraçar o perigo, a ameaça. Era como se ela se alimentasse dele.

“Você é surpreendente, Sofia”, ele admitiu, dando um gole em seu vinho. “A maioria das pessoas que cruzaram o meu caminho acabaram… em um lugar mais frio.”

“Mas eu não sou a maioria, Elias”, ela retrucou, um brilho desafiador em seus olhos. “Eu sou a viúva do homem que você achou que tinha destruído. E essa viúva tem planos.”

Ele a observou atentamente, tentando decifrar a complexidade por trás daquela fachada de frieza e sedução. Ele sabia que ela guardava um segredo, algo que a impulsionava.

“Que planos seriam esses?”, ele perguntou, a curiosidade aguçada.

Sofia sorriu, um sorriso de predadora. “Isso, Elias, é uma pergunta para outra noite. Por agora, quero apenas apreciar a paisagem com você. E talvez… um bom vinho.”

Ele ofereceu a taça a ela. Seus dedos se tocaram ao pegá-la, e uma corrente elétrica passou entre eles. A noite se estendia, carregada de promessas não ditas, de perigos iminentes e de uma atração fatal. Elias sabia que estava brincando com fogo, mas a sedução de Sofia era um veneno que ele desejava provar, mesmo que isso significasse sua ruína.

“Um bom vinho para uma ocasião especial”, Elias concordou, seus olhos fixos nos dela. “Mas lembre-se, Sofia, em meu mundo, cada bebida tem um preço. E cada beijo pode ser o último.”

Sofia riu novamente, o som ecoando na vastidão da cobertura. “Eu sei, Elias. E estou pronta para pagar o preço.”

Eles ficaram ali, sob a luz pálida da lua, a cidade aos seus pés, cercados por um silêncio carregado de significados. Elias sentiu uma atração perigosa por aquela mulher, uma mulher que representava tudo o que ele havia conquistado e tudo o que ele poderia perder. A noite de vinho e veneno estava apenas começando. E ele sabia, com uma certeza gélida, que essa noite seria diferente de todas as outras. O jogo estava armado, e os jogadores, mais perigosos do que nunca. O beijo da viúva negra pairava no ar, um convite irrecusável para a perdição.

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