Noite de Vinho e Veneno

Capítulo 8 — O Eco da Vingança

por Mateus Cardoso

Capítulo 8 — O Eco da Vingança

A brisa salgada da manhã na varanda da cobertura de Elias Santoro carregava um peso diferente agora. A revelação de Sofia, a sugestão de um poder maior operando nas sombras, havia lançado uma sombra sobre sua usual confiança. Ele não era apenas o predador supremo no mundo do crime; ele era um possível alvo. A ideia era insidiosa, um veneno sutil que se infiltrava em sua determinação.

Marco, seu braço direito, o aguardava em seu escritório, o rosto tenso e as mãos enfiadas nos bolsos. A sala, geralmente um santuário de controle e estratégia, agora parecia impregnada pela incerteza.

“Chefe”, Marco começou, sua voz grave. “Conseguimos alguma coisa. Um informante nos deu uma pista. O carregamento foi desviado para um antigo galpão na Zona Portuária. E o nome que surgiu foi… Vittorio Leone.”

Elias cerrou os punhos. Vittorio Leone. Um velho rival, um cachorro raivoso que ele acreditava ter neutralizado anos atrás. Leone era conhecido por sua crueldade impiedosa e por sua capacidade de ressurgir das cinzas como uma fênix sombria.

“Leone? Achei que ele estivesse enterrado há muito tempo. Como ele conseguiu organizar algo assim sem que soubéssemos?”

“Ainda estamos investigando, chefe. Mas ele tem contatos. E parece que ele tem estado mais ativo ultimamente. E o que é mais preocupante, nosso informante disse que Leone não está agindo sozinho. Há sussurros de um novo jogador no tabuleiro. Alguém com recursos e influência que Leone nunca teve.”

Elias sentou-se em sua poltrona de couro, o silêncio pesado na sala. Sofia. Seria ela a nova jogadora? A viúva que ele pensou ter subestimado, que ele acreditava ser apenas uma peça em seu jogo, poderia ser a mente por trás da ressurreição de Leone e do roubo de seu carregamento? A vingança dela, ele percebeu, não era apenas contra ele, mas contra o sistema que ele representava, o sistema que havia matado seu marido.

“Precisamos recuperar o carregamento, Marco. E precisamos saber quem está ajudando Leone. E por quê.”

“Já estamos montando uma equipe, chefe. Mas Leone é astuto. Ele não deixará o galpão sem lutar.”

Elias se levantou, o olhar fixo em um ponto invisível na parede. “Lutar é o que ele sabe fazer. E é o que nós sabemos fazer melhor.”

Ele sabia que precisava agir com precisão. Uma invasão direta ao galpão poderia ser uma armadilha. Leone estaria esperando. Ele precisava de uma estratégia, de um plano que explorasse as fraquezas de seu inimigo e revelasse a identidade de seu misterioso aliado.

Ele decidiu procurar Sofia novamente. Não para pedir explicações, mas para observar, para sentir. Ela se tornara uma peça central em seu quebra-cabeça, e ele precisava entender suas motivações e seu poder.

Enquanto isso, em um canto escuro e esquecido da Zona Portuária, Vittorio Leone, com seu rosto marcado e seus olhos frios como gelo, supervisionava a descarga do carregamento roubado. Ao seu lado, uma figura envolta em sombras, a voz baixa e controlada, falava em italiano.

“Leone, você fez um bom trabalho. Elias Santoro está enfurecido. Ele vai morder a isca.”

Vittorio Leone riu, um som gutural e desagradável. “Ele é um tolo. Sempre foi. Achou que poderia controlar tudo, que poderia eliminar todos que se opusessem a ele. Mas o poder, minha cara, é como um rio. Ele sempre encontra um novo caminho.”

“E você é esse novo caminho, Vittorio. Por enquanto.” A voz nas sombras era fria, calculista. “Lembre-se do seu acordo. Uma vez que Elias Santoro seja derrubado, você terá sua parte. Mas não mais do que isso.”

Leone assentiu, um sorriso malicioso nos lábios. “Eu não preciso de mais do que minha parte, minha querida. A vingança é o meu doce final.”

Enquanto isso, Sofia estava em seu apartamento, observando a cidade pela janela. Ela sentia a teia se apertando, o jogo se intensificando. Elias era um oponente formidável, mas ele era previsível em sua brutalidade. Ela sabia que ele viria atrás de Leone. E era exatamente isso que ela queria.

Ela pegou seu celular e discou um número. “Está tudo indo como planejado”, ela disse, sua voz calma. “Elias Santoro está vindo. Ele vai cair na armadilha. E quando ele estiver fraco, nós agiremos.”

Do outro lado da linha, uma voz grave respondeu: “Excelente, Sofia. A vingança está próxima. E o império de Santoro será nosso.”

Elias, sem saber que estava sendo manipulado, preparava sua resposta. Ele enviou alguns de seus homens mais leais para vigiar o galpão, coletando informações sobre a segurança e o número de homens de Leone. Ele sabia que era arriscado, mas ele precisava agir.

Naquela noite, sob o manto da escuridão, uma batalha começou na Zona Portuária. O som de tiros ecoou pelas ruas desertas, um prelúdio sombrio para a vingança que estava por vir. Elias, com sua habitual frieza, liderava seus homens, determinado a recuperar o que era seu e a desmantelar a operação de Leone.

Mas ele não sabia que cada movimento seu estava sendo observado, que cada tiro disparado era parte de um plano maior, orquestrado por Sofia e seus misteriosos aliados. O eco da vingança estava se espalhando, e Elias Santoro, o homem que acreditava ser o predador supremo, estava se tornando a presa. O jogo de vinho e veneno havia se transformado em uma guerra, e o preço da derrota seria a própria vida.

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