Corações em Guerra Civil

Coraços em Guerra Civil

por Rodrigo Azevedo

Coraços em Guerra Civil

Autor: Rodrigo Azevedo

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Capítulo 11 — A Sombra do Passado e a Promessa do Futuro

O ar na mansão dos Moretti estava carregado, denso como a fumaça acre que emana das chaminés em noite fria. Cada passo de Isabella no mármore polido do corredor ecoava como um tambor, anunciando sua presença imponente. A notícia da traição de Marco, seu irmão, e a subsequente retaliação dos Rossi haviam abalado as fundações da família, mas Isabella, com a frieza de quem carrega o peso de um império nos ombros, recusava-se a desmoronar.

Ela encontrou seu pai, Don Vito, em seu escritório, um santuário de madeira escura e couro envelhecido. Ele estava sentado à imensa mesa de mogno, o olhar perdido nas chamas dançantes da lareira, como se buscasse respostas nas brasas ardentes. A garrafa de vinho tinto, quase vazia, repousava ao lado de um copo. A fragilidade que Isabella via ali, um contraste gritante com a figura imponente que sempre conhecera, apertou seu peito.

“Pai,” ela disse, a voz firme, mas tingida de uma preocupação que tentava disfarçar.

Don Vito ergueu a cabeça lentamente, os olhos cansados a encontrando. Um leve sorriso, carregado de dor, surgiu em seus lábios. “Isabella. Minha filha.”

Ela se aproximou e pousou uma mão sobre o ombro dele, sentindo a rigidez dos músculos sob o tecido fino da camisa. “Precisamos conversar sobre o que aconteceu.”

Ele suspirou, um som que parecia arrancar-lhe a alma. “Marco… ele sempre foi um tolo impulsivo. Nunca soube quando parar de cavar mais fundo.”

“Ele colocou todos nós em perigo, pai. A guerra com os Rossi não é algo que possamos enfrentar de ânimo leve. Eles são implacáveis.”

Don Vito riu, um som rouco e sem alegria. “Implacáveis? Nós somos os Moretti, Isabella. A implacabilidade é nosso sobrenome.” Ele pegou a garrafa de vinho, servindo-se um último gole. “Mas você está certa. Marco errou. E agora, precisamos limpar a bagunça que ele fez.”

“E como faremos isso? Os Rossi não vão esquecer o que ele fez. Eles vão querer vingança. Sangue.”

O olhar de Don Vito tornou-se afiado, o cansaço dando lugar a uma determinação gélida. “Vingança virá. Mas não da forma que eles esperam. Precisamos ser mais inteligentes, mais calculistas.” Ele olhou para Isabella, um brilho de orgulho nos olhos. “Você, minha filha, sempre foi a mais perspicaz. A que via além do óbvio.”

Isabella sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela sabia o que ele queria dizer. A sucessão. A responsabilidade que ela vinha adiando, temendo o peso e a escuridão que ela trazia.

“Pai, eu…”

“Não diga nada ainda,” ele a interrompeu, levantando uma mão. “Sei que a ideia a assusta. Mas a vida nos força a tomar decisões, Isabella. E a máfia exige sacrifícios. Marco se auto-exilou. Não há mais um homem Moretti para liderar. Resta apenas você.”

O silêncio na sala tornou-se pesado, preenchido apenas pelo crepitar do fogo. Isabella pensou em tudo o que a separava daquele futuro. Pensou em Lorenzo Rossi, em seus olhos intensos, em seu toque que a incendiava e a aterrorizava ao mesmo tempo. O amor que começava a florescer entre eles era um segredo perigoso, uma flor delicada plantada em solo vulcânico.

“Lorenzo…” ela sussurrou, o nome escapando de seus lábios como um segredo.

Don Vito a observou atentamente. “O rapaz dos Rossi. Eu sei. E é justamente por isso que essa situação se tornou ainda mais complexa.”

“Ele não tem nada a ver com isso, pai. Ele é diferente.” A defesa de Lorenzo soou quase desesperada, mesmo para seus próprios ouvidos.

“Diferente de quem, Isabella? Diferente de seu pai? Diferente de seu irmão? Todos eles têm o sangue Rossi correndo nas veias. E esse sangue é ensinado a odiar o nosso.”

“Mas nós podemos mudar isso! Podemos criar um futuro diferente. Um futuro onde não haja mais guerra.”

Um sorriso melancólico tingiu os lábios de Don Vito. “Você é uma sonhadora, minha filha. Uma sonhadora com a força de uma leoa. Mas a realidade da máfia raramente permite que os sonhos se concretizem sem cicatrizes.” Ele se levantou, apoiando-se na mesa. “O que Marco fez foi um ataque direto à honra dos Rossi. Eles não descansarão até que a dívida seja paga. E a única moeda que eles aceitam é o sangue.”

“Então, o que vamos fazer?” Isabella perguntou, a voz firme, a decisão começando a se formar em sua mente.

Don Vito caminhou até a janela, olhando para a escuridão lá fora. “Vamos jogar o jogo deles. Mas com nossas próprias regras. Vamos fazê-los sentir o verdadeiro preço da guerra. E você, Isabella… você será a peça principal no nosso tabuleiro.”

Ele se virou, o olhar penetrante encontrando o dela. “O passado nos assombra, Isabella. Mas é no futuro que reside nossa esperança. E o seu futuro, minha filha, é ser a Rainha. A Rainha Moretti. Uma rainha que não teme o amor, mas que sabe usá-lo como arma.”

Isabella sentiu um peso imenso se instalar em seus ombros, mas também uma faísca de poder. A guerra estava longe de terminar. E, com ela, viriam escolhas difíceis, sacrifícios inimagináveis e, talvez, um amor que desafiaria todas as probabilidades. Ela olhou para seu pai, um homem que carregava o peso de gerações, e viu neles não apenas a fragilidade, mas também a força resiliente que sempre foi um traço dos Moretti. Ela seria a continuação dessa força, mas com um toque de humanidade que talvez pudesse, um dia, trazer a paz. A promessa de um futuro diferente pairava no ar, tão incerta quanto a chama dançante na lareira, mas com um brilho de esperança que Isabella se recusava a apagar.

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