Corações em Guerra Civil
Capítulo 16
por Rodrigo Azevedo
Absolutamente! Prepare-se para mergulhar de cabeça em mais reviravoltas, paixões ardentes e a escuridão crescente em "Corações em Guerra Civil". Aqui estão os próximos cinco capítulos, escritos com a alma e o coração que você espera de um autor brasileiro!
Corações em Guerra Civil por Rodrigo Azevedo
Capítulo 16 — O Fogo Cruzado da Traição e o Segredo Sob as Sombras
A noite em São Paulo, geralmente um manto de promessas cintilantes, naquela madrugada pesava como chumbo. O ar, denso e úmido, parecia anunciar a tempestade que se formava não apenas no céu, mas nas entranhas da cidade, nos corações de quem lutava em silêncio e em voz alta. Bianca se sentia encurralada, a cada passo que dava em direção ao seu refúgio, a mansão dos Rossi, mais profundo era o abismo que a separava de tudo que um dia acreditou ser seguro. O beijo de Lorenzo ainda pulsava em seus lábios, um fantasma de desejo e perigo que a assombrava. Um beijo que, para ela, significava a traição final a tudo que defendia. E o pior, a traição a si mesma.
Ela se trancou no quarto, como se o medo pudesse ser barrado pelas portas maciças de madeira. A imagem do corpo sem vida de Davi, que ela vira com seus próprios olhos, ecoava em sua mente, uma cena que se recusava a apagar. O sangue, o silêncio abrupto que se seguiu ao último suspiro… Tinha sido real. E a culpa, aquela velha conhecida, espreitava nas sombras do quarto luxuoso, sussurrando acusações cruéis. Ela se jogou na cama, o tecido fino do vestido roçando em sua pele, mas o conforto não veio. A sensação de estar suja, contaminada pela proximidade de Lorenzo, pela informação que ele lhe revelou, era mais forte que qualquer carícia de seda.
A informação. Ah, aquela informação era um veneno doce. Lorenzo, com seus olhos escuros que pareciam devorar a alma, havia revelado o segredo que os irmãos Ferraz guardavam a sete chaves. A fundação. A tal fundação que, segundo ele, era a fachada para a verdadeira operação dos Ferraz, uma operação que desviava fundos, lavava dinheiro e alimentava o império que tanto combateu. E não era só isso. Ele jogara em seu colo a prova, ou pelo menos o que ele alegava ser a prova: um pen drive com dados que, se verdadeiros, desmantelariam a imagem de honradez que a família Ferraz ostentava há gerações.
"É uma mentira", ela murmurava para o vazio, tentando se convencer. Mas uma voz mais sombria dentro dela gritava que era a verdade. A verdade que ela, em sua inocência, se recusava a ver. A verdade que tornava a morte de Davi ainda mais brutal e calculada. Lorenzo não a havia matado. Ele a havia poupado. E, nesse ato de misericórdia sombria, a havia envolvido em um jogo muito mais perigoso do que ela jamais imaginara.
O som de passos no corredor a fez sobressaltar. Era Elena. A matriarca, com sua pose altiva e um olhar que podia derreter aço, entrou no quarto. Seus olhos percorreram Bianca, avaliando-a com uma intensidade que a fazia se sentir nua.
"Você parece perturbada, Bianca", Elena disse, a voz calma, mas com um tom subjacente de autoridade inquestionável. "O que aconteceu depois que saímos?"
Bianca hesitou. Contar a verdade significava expor Lorenzo, expor o pacto que ele propusera, o risco que ela correra. Não contar significava esconder a verdade de Elena, a mulher que a acolhera, que lhe dera um propósito. Era um dilema de ferro.
"Lorenzo… ele me contou algumas coisas, Elena", Bianca começou, a voz trêmula. "Sobre a fundação. Sobre… sobre o que os Ferraz realmente fazem."
O rosto de Elena permaneceu impassível, mas um brilho fugaz passou por seus olhos. Era curiosidade? Ceticismo? Ou talvez, uma compreensão que Bianca não conseguia alcançar.
"E o que exatamente esse homem lhe disse?", Elena perguntou, aproximando-se da cama, sentando-se na beirada, com uma elegância natural que desmentia a escuridão que emanava dela.
"Ele disse que a fundação… que é uma fachada. Que desvia dinheiro. Que os Ferraz não são quem parecem ser." As palavras saíam com dificuldade, cada sílaba pesada de dúvida e medo. "Ele me deu um pen drive. Disse que tem provas."
Elena a encarou por longos segundos, um silêncio carregado pairando entre elas. Então, um sorriso fino se formou em seus lábios. Não era um sorriso de alegria, mas de alguém que sabia algo que os outros não sabiam.
"Lorenzo Rossi é um homem perigoso, minha querida. E suas palavras, embora possam conter verdades, vêm de um lugar de manipulação. Ele quer que você acredite nele. Ele quer que você se volte contra nós."
"Mas e Davi, Elena? Lorenzo disse que ele foi morto por causa dessa informação. Que eles queriam silenciá-lo antes que ele… antes que ele expusesse tudo." Bianca sentiu as lágrimas brotarem nos cantos dos olhos. A imagem de Davi, seu último olhar, a assombrava.
"A morte de Davi é uma tragédia, Bianca. Uma tragédia que lamentamos profundamente. Mas as circunstâncias… são complexas. Lorenzo está tentando te usar. Ele sabe que você tem um coração nobre, e ele quer corrompê-lo com a vingança."
Bianca se encolheu. Vingança. Era exatamente o que ela sentia. Uma raiva fria e cortante que ardia em seu peito. Era por isso que ela estava lutando, não era? Por justiça. Por Davi. Por tudo que era certo.
"Ele me disse que os Ferraz não são inocentes. Que você, Elena, está envolvida até o pescoço." A acusação saiu em um sussurro, mas foi como um grito no silêncio do quarto.
Elena a olhou, e por um instante, Bianca viu algo em seus olhos que a fez vacilar. Não era culpa, mas uma dor profunda, uma resignação que beirava o desespero.
"O mundo, Bianca, é feito de tons de cinza. Ninguém é completamente bom ou mau. E as ações que tomamos, por mais difíceis que sejam, são muitas vezes para proteger aqueles que amamos. Se os Ferraz fazem o que você diz que Lorenzo alega, talvez haja um motivo. Um motivo que você ainda não entende."
"Um motivo para matar?", Bianca questionou, a voz embargada.
"Um motivo para sobreviver, Bianca. E essa é uma distinção crucial." Elena se levantou. "O pen drive. Mostre-me."
Com as mãos trêmulas, Bianca retirou o pequeno dispositivo de uma bolsa secreta em seu vestido. Entregou-o a Elena, sentindo como se estivesse entregando sua própria alma em troca. Elena o pegou, seus dedos longos e finos o examinando com uma familiaridade perturbadora.
"Vamos ver o que o pequeno Rossi andou plantando em sua mente", Elena disse, com um leve sorriso que não alcançou seus olhos. "Mas saiba disso, Bianca. Na guerra, a verdade é a primeira vítima. E Lorenzo está jogando um jogo muito sujo, usando você como sua arma."
Enquanto Elena saía do quarto, levando consigo o pen drive e os segredos que ele guardava, Bianca sentiu um frio que nada tinha a ver com a temperatura ambiente. Ela estava no meio de uma guerra civil, e a linha entre aliado e inimigo se tornara mais tênue do que nunca. Lorenzo a queria ao seu lado, mas Elena parecia estar lhe oferecendo uma versão distorcida da mesma realidade. E ela, no centro desse furacão, não sabia mais em quem confiar. A traição, que antes parecia um espectro distante, agora era uma sombra palpável que a envolvia, sufocando-a. O segredo sob as sombras era que ela estava sendo manipulada por ambos os lados, e a verdade era uma miragem em meio à névoa da guerra.