Corações em Guerra Civil

Capítulo 9 — O Despertar da Serpente

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 9 — O Despertar da Serpente

A proposta de Lorenzo Bianchi pairava no ar como uma névoa fria, envolvendo a mansão Rossi e os corações de seus habitantes. Isabella, com a mão ainda sentindo o calor do aperto de Lorenzo, sentia-se em um limbo, entre a lealdade à sua família e a força avassaladora da paixão que a ligava ao seu rival. Marco, por outro lado, se movia pela casa com uma agitação nervosa, a desconfiança pintada em cada linha de seu rosto.

"Você não pode ter apertado a mão dele, Isabella! Você enlouqueceu?", Marco explodiu, irrompendo no escritório dela, onde ela tentava inutilmente se concentrar em relatórios financeiros.

"Eu fiz o que achei que era certo, Marco", Isabella respondeu, a voz calma, mas firme. Ela se levantou e encarou o irmão, a irritação dele refletindo a sua própria angústia. "Precisamos tentar algo diferente. Não podemos continuar nessa guerra sem fim. E Lorenzo… ele ofereceu uma saída."

"Uma saída? Ou uma armadilha?", Marco retrucou, aproximando-se dela com passos largos. "Ele quer você, Isabella. Ele te vê como uma conquista, um troféu. Ele não te ama. Ele te quer para nos destruir por dentro."

"Você não sabe disso!", Isabella exclamou, a voz embargada pela frustração e pela dor. "Você não o conhece. Você não o vê como eu o vejo. Ele é mais do que você pensa."

"Eu vejo o que ele é, Isabella! Eu vejo o legado de sangue e traição que ele carrega! Eu vejo o perigo que ele representa para você, para todos nós!", Marco disse, a voz embargada pela emoção. Ele agarrou os braços dela, seus olhos suplicantes. "Por favor, escute a mim. Escute o seu irmão. Ele vai te machucar. Ele vai destruir você."

Isabella se afastou dele, a dor em seus olhos espelhando a dele. "E você acha que me manter presa aqui, me protegendo de tudo, é a solução? Eu me sinto sufocada, Marco! Eu preciso respirar. Eu preciso sentir que estou viva." Ela deu um passo para trás, a decisão tomada se solidificando em seu coração. "Eu vou aceitar a proposta dele. Eu vou ser a mediadora. Pelo menos, vou tentar."

Marco a encarou, a derrota estampada em seu rosto. Ele sabia que não poderia mais mudar a decisão dela. O que ele podia fazer era protegê-la, mesmo que ela se recusasse a ver o perigo. "Tudo bem, Isabella. Mas você não vai fazer isso sozinha. Eu vou com você. Eu estarei ao seu lado, quer você queira ou não."

Enquanto isso, nos domínios dos Bianchi, a notícia do aperto de mãos entre Isabella e Lorenzo causou alvoroço. Sofia, em particular, reagiu com fúria contida. Ela invadiu o escritório de Lorenzo, o rosto uma máscara de raiva.

"Você enlouqueceu, Lorenzo?", ela sibilou, sua voz baixa e perigosa. "Você apertou a mão de uma Rossi? Você vai se aliar a eles?"

Lorenzo, sentado à sua mesa imponente, encarou a irmã com um olhar calmo, mas firme. "Eu ofereci uma trégua, Sofia. Uma oportunidade de paz."

"Paz? Você está brincando comigo? Essa é a sua maneira de nos enfraquecer? De nos expor? Isabella Rossi é uma ameaça, Lorenzo. Ela é a mente por trás de muitas de nossas perdas."

"Isabella é mais do que você pensa, Sofia. Ela tem uma força e uma inteligência que podem nos beneficiar", Lorenzo disse, sua voz soando quase como uma defesa. "E eu a amo. Algo que você parece não entender."

Sofia soltou uma risada amarga. "Amor? Você não sabe o que é amor, Lorenzo. Você só conhece posse e controle. Isabella é apenas mais uma peça no seu jogo de poder." Ela bateu com o punho na mesa. "Eu não vou permitir isso. Eu não vou deixar que uma Rossi se aproxime de você. Ela vai te destruir."

"Você não tem escolha, Sofia", Lorenzo disse, levantando-se e encarando a irmã de perto. A intensidade em seus olhos era assustadora. "Você vai seguir as minhas ordens. E você vai manter distância de Isabella. A menos que eu diga o contrário."

A ameaça velada pairava no ar. Sofia encarou o irmão, seus olhos verdes brilhando com um ódio frio. Ela sabia que, por enquanto, estava derrotada. Mas ela não desistiria. A serpente dentro dela estava apenas adormecida, esperando o momento certo para atacar.

Nos dias seguintes, Isabella e Lorenzo começaram a se encontrar. A princípio, eram reuniões discretas, em locais neutros, sempre com a tensão de uma guerra iminente pairando sobre eles. Marco, relutante, acompanhava Isabella, seus olhos desconfiados sempre fixos em Lorenzo.

Durante esses encontros, Isabella começou a ver um lado de Lorenzo que ela nunca havia imaginado. Ele falava sobre a história de sua família, sobre as dificuldades que enfrentaram para construir seu império. Ele falava sobre a necessidade de manter a ordem, de proteger os seus. E, acima de tudo, ele falava sobre Isabella. Sobre como ela o fazia se sentir vivo, sobre como ela era uma luz em seu mundo sombrio.

"Eu não sou o monstro que eles pintam, Isabella", ele disse em uma noite, enquanto observavam as luzes da cidade de um terraço escondido. "Eu faço o que é preciso para sobreviver. Para proteger a minha família. Mas eu também tenho um coração. E esse coração, agora, pertence a você."

Isabella sentiu uma onda de emoção a percorrer. Ela se aproximou dele, tocando seu rosto. "Eu acredito em você, Lorenzo."

Os lábios dele encontraram os dela em um beijo apaixonado e desesperado. Um beijo que selou a aliança entre eles, mas que também acendeu um perigo ainda maior.

Sofia, observando tudo de longe, sentia o ódio crescer em seu peito. Ela não podia deixar que Lorenzo se perdesse para uma Rossi. Ela não podia permitir que seu plano de dominação fosse arruinado pelo amor. Ela precisava agir.

Uma noite, enquanto Isabella voltava para casa após um encontro com Lorenzo, seu carro foi emboscado. Tiros ecoaram na noite escura. Marco, que estava dirigindo, reagiu rapidamente, tentando desviar dos ataques. Isabella gritou, o medo tomando conta dela.

Mas antes que o pior acontecesse, outros carros surgiram do nada, bloqueando a estrada e abrindo fogo contra os agressores. Eram os homens de Lorenzo. Ele sabia que algo estava errado. Ele sentiu.

Lorenzo apareceu pessoalmente, correndo até o carro de Isabella, o rosto pálido de preocupação. Ele a puxou para fora do veículo, abraçando-a com força.

"Você está bem?", ele perguntou, a voz rouca.

Isabella assentiu, tremendo nos braços dele. "Obrigada. Você me salvou."

"Eu nunca deixaria que nada acontecesse com você", Lorenzo disse, seus olhos fixos nos dela. O amor e a raiva se misturavam em seu olhar. Ele sabia quem estava por trás disso. A serpente havia despertado.

"Foi Sofia, não foi?", Isabella sussurrou, o medo dando lugar a uma nova determinação.

Lorenzo apertou os braços dela. "Sim. Foi ela. E ela vai pagar por isso." Ele a olhou intensamente. "A partir de agora, Isabella, você não é mais apenas uma mediadora. Você está em guerra comigo. E eu vou te proteger com a minha vida."

A guerra, que antes era entre duas famílias, agora se tornava pessoal. A serpente de Sofia havia despertado, e o campo de batalha seria o coração de Isabella, dividida entre o amor e a lealdade, entre a esperança de paz e a dura realidade da guerra.

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