A Escolha de Uma Máfia

Capítulo 10 — O Jogo dos Dois Lados

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 10 — O Jogo dos Dois Lados

As ruas de Nápoles, antes um labirinto de perigo e oportunidade, agora pareciam um palco. Isabella, sob o disfarce de Elena Rossi, movia-se com uma nova confiança, uma audácia que a surpreendia. Ela estava no centro do furacão, entre duas forças poderosas: a família Russo, que a via como uma peça valiosa, e Vincenzo Esposito, que a considerava uma aliada em ascensão.

Vincenzo a recebeu em sua mansão com um sorriso de quem acabara de vencer uma batalha. Ele a tratava com uma mistura de admiração e possessividade, elogiando sua inteligência e sua capacidade de adaptação. Isabella, por sua vez, jogava o papel com perfeição, alimentando o ego dele com elogios calculados e perguntas astutas sobre suas operações.

“Você é uma joia rara, Elena”, Vincenzo disse uma noite, enquanto eles jantavam em um restaurante exclusivo. “Uma mulher com a sua inteligência e beleza… o mundo aos seus pés. E eu serei aquele que te dará as chaves.”

Ele segurou sua mão sobre a mesa, seus olhos escuros fixos nos dela. Isabella sentiu um arrepio, mas não de medo. Era a excitação do perigo, a sensação de estar no controle, mesmo que ilusório.

“Eu estou aprendendo muito com o senhor, Vincenzo”, ela respondeu, o olhar firme. “O senhor é um mestre em seu ofício.”

Ele riu, satisfeito. “E você, minha querida Elena, está se tornando uma excelente aluna.”

Enquanto isso, Marco Russo mantinha contato, suas mensagens discretas e urgentes. Ele a pressionava por informações sobre Vincenzo, sobre seus planos, sobre seus aliados. Isabella se sentia dividida, navegando entre duas correntezas perigosas. Ela entregava a Marco informações sobre as operações de Vincenzo, mas de forma seletiva, sem comprometer a sua posição com ele.

“Vincenzo está planejando uma grande operação no porto nos próximos dias”, ela escreveu em uma mensagem codificada para Marco. “Ele acredita que o transporte de novas remessas de mercadorias da América do Sul estará desprotegido.”

Marco respondeu prontamente: “Excelente. Precisamos interceptar. Certifique-se de obter os detalhes exatos. Local e horário.”

Isabella sentia o peso da mentira, mas também a satisfação de estar manipulando ambos os lados. Ela estava usando as informações de Vincenzo para se fortalecer com Marco, e as informações de Marco para se tornar indispensável para Vincenzo. Era um jogo perigoso, de alto risco e alta recompensa.

Uma noite, enquanto estava na mansão de Vincenzo, ela se deparou com um dos seus homens de confiança, um sujeito chamado Salvatore, um homem de poucas palavras e olhar desconfiado. Ele a observava com uma intensidade perturbadora.

“O senhor Esposito está se afeiçoando muito a você, senhorita Rossi”, Salvatore disse, sua voz um rosnado baixo. “Isso não me agrada.”

Isabella sentiu um calafrio. Ela sabia que Salvatore era leal a Vincenzo, mas também era um homem ambicioso, que poderia ver nela uma ameaça.

“Eu sou apenas uma amiga, Salvatore”, ela respondeu com um sorriso forçado. “Alguém que o senhor Esposito confia.”

“Confiança… é uma moeda cara em nosso mundo”, ele retrucou, seus olhos fixos nos dela. “E nem sempre é bem empregada.”

Isabella sentiu que estava sendo observada, avaliada. Ela sabia que precisava agir com cautela. Um passo em falso e tudo poderia ruir.

Marco, por outro lado, estava cada vez mais impaciente. A operação no porto era crucial para os planos de Don Corrado, e ele precisava de informações concretas.

“Isabella, preciso dos detalhes exatos. A hora, o local. Vincenzo está nos enrolando. Você tem certeza que ele está sendo sincero com você?”, Marco perguntou em um encontro secreto em um beco escuro, o cheiro de lixo e mofo impregnando o ar.

“Ele está sendo cauteloso, Marco”, Isabella respondeu, a voz tensa. “Ele não confia em ninguém completamente. Mas ele vai se abrir. Eu sinto isso.”

“Eu não tenho tempo para ‘sentir’, Isabella. Meu pai quer resultados. E se você não me der o que eu preciso, talvez tenhamos que reconsiderar a sua… posição.”

A ameaça pairou no ar, fria e implacável. Isabella sentiu o medo novamente, mas também uma raiva crescente. Ela estava no centro de um jogo de xadrez mortal, jogada por homens que a viam apenas como uma peça.

Decidida a obter as informações que Marco precisava, Isabella decidiu correr um risco. Ela sabia que Vincenzo guardava informações cruciais em seu escritório particular, protegido por um cofre de alta tecnologia. Era uma missão suicida, mas ela precisava provar seu valor, tanto para Marco quanto para si mesma.

Sob o pretexto de um encontro romântico, Isabella foi até a mansão de Vincenzo em uma noite chuvosa. Ele estava distraído, celebrando um novo acordo comercial. Isabella aproveitou a oportunidade para se afastar, encontrando o escritório dele trancado.

Seus dedos tremeram enquanto ela trabalhava no cofre, o som da chuva abafando qualquer ruído. Ela se lembrou de um treinamento rápido que Marco lhe dera anos atrás, em uma época em que ela ainda era inocente. A combinação surgiu em sua mente, quase como um fantasma do passado.

Com um clique suave, o cofre se abriu. Lá dentro, documentos detalhados sobre a operação no porto, datas, horários, rotas. E algo mais. Um dossiê completo sobre a família Russo, com informações sobre as fraquezas de Don Corrado e os planos de Marco.

Ela tirou fotos de tudo com seu telefone, o coração batendo descompassado. De repente, a porta do escritório se abriu. Salvatore estava ali, seus olhos fixos nos dela.

“O que você está fazendo aqui, senhorita Rossi?”, ele perguntou, a voz gelada.

Isabella congelou, o pânico a dominando. Ela havia sido descoberta. O jogo dos dois lados estava prestes a acabar de forma brutal.

“Salvatore, eu… eu estava apenas procurando por Vincenzo”, ela gaguejou, tentando manter a calma.

Ele deu um passo à frente, seu olhar desconfiado. “Você não estava procurando por Vincenzo. Você estava roubando Vincenzo.”

O confronto era inevitável. Isabella sabia que não havia como sair dali sem lutar. Ela era Elena Rossi, a aluna de Vincenzo, a informante de Marco. Mas, no fundo, ela ainda era Isabella, a mulher que escolheu o seu próprio caminho. E ela não estava disposta a ser derrotada. O jogo dos dois lados havia chegado ao seu clímax, e ela estava no centro da tempestade, pronta para lutar pela sua própria sobrevivência.

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