A Escolha de Uma Máfia

Capítulo 14 — O Preço da Confiança

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 14 — O Preço da Confiança

O amanhecer irrompeu, pintando o céu com tons de laranja e rosa, mas dentro do apartamento luxuoso, a escuridão persistia. Helena acordou com uma sensação de torpor, o corpo dolorido e a mente confusa. Os lençóis de seda em que se encontrava estavam amassados, testemunhas silenciosas da noite que passou. A lembrança de Lorenzo, de seus beijos, de suas palavras, era vívida e avassaladora.

Ela se sentou na cama, o coração apertado. O que ela havia feito? Havia se entregado ao homem que representava tudo o que ela temia. O homem que ameaçava sua família, sua vida. Mas, ao mesmo tempo, havia uma sensação estranha de alívio. Uma liberação da tensão que a consumia há dias. Lorenzo, em sua complexidade, a havia feito sentir algo que ela acreditava ter perdido para sempre: a esperança.

Ou seria apenas mais uma ilusão?

Ela se levantou e foi até a janela. A cidade, agora vibrante sob a luz do dia, parecia oferecer um novo começo. Mas Helena sabia que as coisas não seriam tão simples. Lorenzo não era um homem de promessas vazias. Ele era um homem de ação, de poder. E ela era, agora, parte de seu mundo.

Um criado bateu suavemente à porta. "Srta. Helena? O Sr. Lorenzo pediu para que a trouxessem café da manhã."

Helena suspirou. A rotina que ele impunha era sufocante, mas também necessária. Era o preço da segurança que ele prometia. Ela vestiu um roupão e abriu a porta para o homem que trazia uma bandeja repleta de iguarias. Enquanto ele arrumava a comida em uma mesa, Helena o observou. Ele era eficiente, silencioso, um servo leal. Como ela, em breve, seria?

Enquanto comia, pensava em seu pai. Ela precisava falar com ele, tranquilizá-lo. Mas como explicar a ele a complexidade da situação? Como dizer que ela estava se aproximando de Lorenzo, não por escolha, mas por necessidade?

Seu celular tocou. Era Lorenzo.

"Bom dia, meu anjo", disse ele, a voz rouca e profunda. "Espero que tenha dormido bem."

Helena sentiu um calor subir pelo pescoço. "Eu dormi."

"Bom. Precisamos conversar sobre o seu pai. A proposta que apresentei a ele expira em algumas horas. E eu não gosto de ser forçado a tomar decisões drásticas."

A preocupação voltou a assombrá-la. "O que você vai fazer, Lorenzo?"

"Eu vou garantir que ele entenda os termos. E que aceite. E você, Helena, vai estar ao meu lado para garantir que ele coopere."

A frieza em sua voz a atingiu como um golpe. A gentileza da noite anterior parecia ter desaparecido, substituída pela brutalidade calculista que ela conhecia bem.

"Você não pode fazer isso", ela disse, a voz firme, mas trêmula.

"Eu posso. E vou. A menos que você me convença do contrário." Ele fez uma pausa. "Ou você vai se juntar a mim, Helena? De verdade? Ou vai continuar lutando contra o inevitável?"

A escolha era clara. Lutar e arriscar a ruína de sua família, ou se render e se tornar parte do mundo sombrio de Lorenzo. A confiança que ela havia depositado nele, mesmo que com relutância, estava sendo testada.

"Eu vou falar com meu pai", ela disse, a voz baixa. "Mas você vai ter que me dar tempo. Tempo para que ele entenda."

"Tempo é um luxo que não temos", respondeu Lorenzo. "Mas você é a minha prioridade, Helena. Então, darei a você algumas horas. Mas não mais que isso. E saiba que, se ele não aceitar, as consequências serão… severas. Para ele. E para você."

A ligação terminou, deixando Helena em um silêncio ensurdecedor. Ela estava no centro do furacão, presa entre o amor por seu pai e a dependência de Lorenzo. A confiança que ela depositara nele era um fio tênue, e ela temia que, a qualquer momento, pudesse se romper.

Ela ligou para o pai. Sua voz estava tensa, mas ela tentou transmitir calma. "Pai, preciso falar com você. Com urgência."

O Sr. Almeida, sentindo a urgência em sua voz, concordou em encontrá-la em um café discreto no centro da cidade. Helena sentiu o peso da responsabilidade sobre seus ombros. Ela precisava ser forte, precisa ser persuasiva.

Ao chegar ao café, viu seu pai sentado a uma mesa no canto, a expressão preocupada. Ela se aproximou e sentou-se à sua frente.

"Pai", ela começou, pegando a mão dele. "Eu sei que você está preocupado. E eu também."

O Sr. Almeida apertou a mão dela. "Helena, o que está acontecendo? Lorenzo… ele é um homem perigoso."

"Eu sei, pai. E é por isso que eu preciso da sua ajuda. Precisamos fazer o que ele quer. Pelo menos por enquanto."

O Sr. Almeida olhou para ela, confuso. "Você está falando sério? Você quer se aliar a esse homem?"

"Não é uma aliança, pai. É uma estratégia. Precisamos jogar o jogo dele para nos protegermos. Para proteger a empresa." Ela explicou a proposta de Lorenzo em detalhes, omitindo a parte mais pessoal de sua relação com ele. "Ele é implacável, pai. Se não aceitarmos, ele vai nos destruir. E eu não posso deixar isso acontecer."

O Sr. Almeida ouviu atentamente, a expressão sombria. Ele sabia que sua filha estava certa. Lorenzo era um homem que não brincava em serviço. E ele estava em uma posição vulnerável.

"E você, Helena?", ele perguntou, a voz embargada. "Você está segura com ele?"

Helena hesitou. A verdade era complexa demais. "Eu estou… aprendendo a lidar com ele, pai. Ele tem um lado… diferente. Um lado que eu não esperava." Ela não podia dizer que se sentia atraída por ele, que havia uma conexão que a assustava e a intrigava.

"Eu confio em você, minha filha", disse o Sr. Almeida, apertando a mão dela. "Se você acha que este é o caminho, então faremos o que for preciso. Mas prometa-me que você será cuidadosa. E que você não vai se perder nesse mundo dele."

Helena sentiu as lágrimas brotarem em seus olhos. O amor e a confiança de seu pai eram seu maior tesouro. "Eu prometo, pai. Eu serei cuidadosa. E eu não vou me perder."

Naquele momento, ela soube que havia cruzado um ponto sem retorno. A confiança que ela depositara em Lorenzo, mesmo que com ressalvas, agora era o único caminho a seguir. O preço da confiança era alto, e ela estava disposta a pagá-lo. Mas ela não sabia se seria capaz de arcar com as consequências.

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