A Escolha de Uma Máfia

Capítulo 17 — A Teia de Aranha

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 17 — A Teia de Aranha

Os dias que se seguiram à conversa com Marco foram um turbilhão de pensamentos e emoções para Helena. Ela se sentia como um peão em um jogo de xadrez cujas regras ela acabara de descobrir, mas cujas peças se moviam com uma velocidade vertiginosa. A revelação sobre a Camorra, sobre o envolvimento de seu pai, abriu uma caixa de Pandora em sua mente, liberando medos, dúvidas e uma raiva contida.

Ela tentou se concentrar em seu trabalho, nas reuniões de negócios, mas as palavras de Marco ecoavam em sua cabeça. Cada contrato, cada transação, cada acordo parecia agora impregnado de um significado oculto, de uma história sombria. A imagem de seu pai, outrora serena e admirável, agora se fragmentava, revelando as camadas de manipulação e poder que ele havia habilmente ocultado.

Uma tarde, enquanto revisava antigos documentos em seu escritório, ela se deparou com uma pasta esquecida, um dossiê antigo que parecia pertencer a seu pai. Curiosa, ela o abriu. Dentro, encontrou cartas, fotografias e relatórios financeiros que pintavam um quadro perturbador. As cartas, trocadas entre seu pai e figuras sombrias, falavam de favores, de dívidas, de acordos velados. As fotografias mostravam seu pai em situações que beiravam o ilegal, rodeado de homens de semblante duro.

Helena sentiu um nó na garganta. Aquele não era o pai que ela conheceu. Ou talvez fosse, e ela apenas se recusava a ver. Ela leu sobre operações financeiras complexas, sobre empréstimos questionáveis, sobre a influência de certas famílias em setores estratégicos da cidade. E em muitos desses documentos, um nome aparecia recorrentemente: "Capo Di Famiglia", um título que ela agora sabia pertencer à família de Marco.

A teia de aranha se tornava cada vez mais visível, cada fio ligando seu pai à Camorra, e a Camorra a ela. Ela percebeu que a fortuna que herdara não era apenas um presente, mas um fardo, um compromisso tácito com um mundo que ela desconhecia e temia.

Marco, por sua vez, observava Helena à distância. Ele sabia que a verdade a atingiria como um raio, mas não imaginava o quão profundamente. Ele a via em suas reuniões, seu semblante cada vez mais sério, seus olhos perdidos em algum lugar além das paredes do escritório. Ele sentiu um misto de culpa e admiração. Culpa por ter sido o portador de notícias tão devastadoras, e admiração pela forma como ela, mesmo abalada, continuava a se manter firme.

Ele sabia que a Camorra estava impaciente. As recentes movimentações de seus rivais no submundo indicavam uma oportunidade de enfraquecê-los, e a estabilidade de Helena era crucial para manter o equilíbrio. Ele precisava que ela fizesse uma escolha, e rápido.

Naquela noite, ele decidiu ir até ela. Ao chegar ao apartamento, encontrou Helena sentada na varanda, olhando para as luzes da cidade como se buscasse respostas nas estrelas. O vento frio da noite acariciava seus cabelos, e ela parecia um fantasma, uma figura etérea consumida pela angústia.

Marco se aproximou em silêncio, sentando-se ao lado dela, mantendo uma distância respeitosa. Ele não disse nada por alguns minutos, apenas observou a paisagem urbana, o silêncio preenchido pelos sons distantes da metrópole.

“Você está bem?”, ele perguntou, finalmente, sua voz baixa e rouca.

Helena suspirou, um som que parecia vir do fundo de sua alma. “Bem? Não sei, Marco. Eu me sinto… perdida. Como se tudo o que eu acreditava fosse uma mentira.”

“A verdade, Helena, nem sempre é gentil. Mas é a única coisa que pode nos libertar.”

“Liberdade… eu não me sinto livre. Sinto-me presa a uma rede que não teci, a um legado que não escolhi.” Ela se virou para ele, seus olhos encontrando os dele na escuridão. “Eu li aqueles documentos. Eu vi as cartas. Eu entendi… entendi o que você quis dizer.”

Marco assentiu. “Seu pai era um homem complexo. Ele navegou em águas perigosas para garantir que você tivesse o melhor. E ele fez acordos. Acordos que nos ligam.”

“E agora eu sou a herdeira desses acordos?”, ela perguntou, a voz carregada de amargura.

“Você é a herdeira de tudo, Helena. Do império, da riqueza, e sim, das responsabilidades. A Camorra não esquece. E nós não deixamos nada cair no esquecimento.”

Ela fechou os olhos, tentando afastar a imagem de seu pai, substituindo-a pela figura forte e decidida de Marco. Ele era o perigo, mas também a única pessoa que parecia entender o peso que ela carregava.

“E se eu não quiser essa herança, Marco? Se eu quiser apenas… desaparecer?”

Marco se aproximou um pouco mais, sua voz se tornando mais intensa. “Desaparecer é impossível, Helena. Você é uma força. Você tem a nossa marca em você. Tentar fugir seria como tentar fugir de si mesma. E a Camorra… nós não permitimos que nossos bens saiam do nosso controle.”

Ele a pegou gentilmente pelo queixo, forçando-a a olhá-lo. Seus olhos brilhavam na penumbra, uma mistura de desejo e poder. “Você não está sozinha nisso, Helena. Seu pai fez um acordo conosco. E esse acordo inclui você. Você pode lutar contra isso, ou pode usar isso a seu favor.”

“Usar a meu favor como?”, ela sussurrou, sentindo a eletricidade percorrer seu corpo com o toque dele.

“Você tem a inteligência de um estrategista e a garra de um guerreiro. Você pode ser a ponte entre o nosso mundo e o mundo dos negócios. Você pode nos ajudar a expandir, a consolidar. Você pode ser a joia da coroa, Helena. A rainha que todos temem e admiram.”

A proposta dele era sedutora e aterrorizante. Ele estava a convidando para mergulhar de cabeça no abismo que seu pai havia construído. Mas em seus olhos, ela viu algo além do interesse financeiro. Viu um desejo genuíno, uma admiração que a fazia sentir um calor no peito, apesar do medo.

“Você quer que eu seja… como você?”, ela perguntou.

“Eu quero que você seja você mesma, Helena. A melhor versão de si mesma. E se essa versão for uma mulher poderosa, implacável e respeitada… então sim. Eu quero isso.”

Ele deslizou o polegar suavemente sobre o lábio inferior dela, um gesto íntimo que a fez prender a respiração. “Você tem a escolha, Helena. Pode tentar construir uma vida longe de nós, e nós a perseguiremos. Ou pode abraçar o seu destino. E nós a apoiaremos. E juntos… podemos ser invencíveis.”

Helena sentiu a vertigem tomar conta dela. A teia de aranha estava completa, e ela estava no centro dela. A decisão não era mais sobre fugir, mas sobre como lutar. E pela primeira vez desde que a verdade a atingiu, uma fagulha de determinação acendeu em seus olhos. Ela olhou para Marco, não mais com medo, mas com um novo tipo de respeito, um respeito que misturava a admiração pela força dele com a percepção de sua própria força latente. A teia de aranha havia se fechado, mas dentro dela, Helena estava pronta para se tornar a aranha.

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