A Escolha de Uma Máfia

Capítulo 18 — A Dança dos Predadores

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 18 — A Dança dos Predadores

A noite na varanda havia sido um divisor de águas. Helena sentia a mudança dentro de si, uma metamorfose lenta, mas implacável. A incerteza e o medo davam lugar a uma determinação fria e calculista. Ela não era mais a herdeira ingênua e assustada; ela era a nova rainha em ascensão, herdeira de um legado complexo e perigoso.

No dia seguinte, Marco a encontrou em seu escritório, não mais com o olhar perdido de quem busca refúgio, mas com a postura de quem comanda. Ele sorriu ao vê-la, um sorriso genuíno de aprovação.

“Bom dia, Helena”, ele disse, a voz carregada de um tom de posse velada.

“Bom dia, Marco”, ela respondeu, um leve sorriso brincando em seus lábios. Ela se levantou de sua cadeira e caminhou até a janela, observando a cidade que agora parecia um campo de batalha em potencial. “Precisamos conversar sobre o futuro.”

Marco assentiu, caminhando até ela. “Eu pensei que você nunca mais diria isso. O que você tem em mente?”

“Em mente, eu tenho a expansão. A consolidação. E a eliminação de ameaças.” A frieza em sua voz surpreendeu até mesmo Marco. Era a voz de alguém que havia internalizado as lições de seu pai e de sua nova realidade.

“Interessante. Continue.”

“Meu pai construiu um império com a ajuda da Camorra. Agora, é hora de garantir que esse império seja inabalável. Os nossos rivais estão se agitando. Eles veem a minha… transição… como uma fraqueza.” Ela se virou para encará-lo, seus olhos faiscando com uma intensidade que ele não via há muito tempo. “Eles estão enganados.”

Marco a observou, a admiração crescendo em seu peito. Ela estava abraçando seu destino com uma força avassaladora. “E quais são seus planos para mostrar a eles o quão enganados estão?”

“Precisamos de alianças estratégicas. Precisamos de informações. E precisamos de… um recado claro para aqueles que ousam nos desafiar.”

“Você está falando de… negócios?”, Marco perguntou, um brilho nos olhos. Ele sabia que ela estava falando de muito mais do que isso.

“Estou falando de guerra, Marco. Uma guerra silenciosa, travada nos bastidores, mas com consequências muito reais.” Ela se aproximou dele, sua voz baixando para um sussurro conspiratório. “Meu pai era um mestre em prever os movimentos dos outros. E eu aprendi com ele. Aprendi a antecipar, a manipular, a controlar.”

Marco pegou sua mão, seus dedos entrelaçando-se aos dela. A energia entre eles era palpável, uma mistura de poder, desejo e um senso de propósito compartilhado. “E o que você precisa de mim, Helena? Para essa… guerra?”

“Eu preciso do seu conhecimento. Da sua rede de contatos. Da sua… brutalidade, quando necessário. Eu tenho o cérebro, Marco. Você tem os punhos. Juntos, podemos comandar este reino.”

Ele sorriu, apertando a mão dela. “Você fala como uma verdadeira líder, Helena. Como a mulher que eu sempre soube que você seria.” Ele a puxou para perto, seus corpos se tocando. “E a sua lealdade… ela é para a Camorra, ou para mim?”

Helena inclinou a cabeça, seus lábios quase tocando os dele. “Eu sou leal a quem me protege. E a quem me fortalece. No momento, Marco, essas duas pessoas parecem ser você.”

Um arrepio percorreu o corpo de Marco com a proximidade dela. A dança dos predadores havia começado, e eles estavam no centro dela, prontos para caçar. Ele sabia que o caminho à frente seria perigoso, repleto de traições e reviravoltas, mas com Helena ao seu lado, sentia que nada seria impossível.

Os próximos dias foram de intensa atividade. Helena e Marco se tornaram inseparáveis, suas agendas entrelaçadas em uma teia de negócios e intrigas. Eles se reuniram com advogados, com contadores, e também com figuras mais obscuras, homens com olhos frios e passados nebulosos. Helena, com sua inteligência aguçada, demonstrava uma capacidade impressionante de navegar nesse mundo perigoso, desarmando oponentes com palavras e estratégias, enquanto Marco era a força bruta que garantia que as ameaças fossem neutralizadas.

Um dos primeiros alvos de Helena foi uma família rival que vinha tentando desestabilizar seus negócios no ramo imobiliário. Ela descobriu, através de informações obtidas por Marco, que eles estavam envolvidos em lavagem de dinheiro através de uma rede de restaurantes.

“Eles acham que são espertos”, Helena disse a Marco em seu escritório, um sorriso vitorioso nos lábios. “Mas a ganância cega. Eles deixaram rastros em todos os lugares.”

Marco estava ao seu lado, observando-a com orgulho. “E como vamos puni-los?”

“Vamos expô-los. Vamos usar a mídia, a imprensa. Vamos manchar a reputação deles. E enquanto eles estiverem ocupados com o escândalo, nós faremos a aquisição silenciosa dos seus ativos.”

“Audacioso”, Marco comentou, balançando a cabeça. “Seu pai teria orgulho.”

“Eu sei que teria”, Helena respondeu, a voz embargada por um breve momento de emoção. “E eu farei tudo para honrar o seu legado. E para garantir que ninguém mais se atreva a me subestimar.”

A operação contra a família rival foi um sucesso retumbante. A notícia do escândalo de lavagem de dinheiro explodiu nos jornais, abalando os alicerces do império rival. Em poucas semanas, seus negócios estavam em ruínas, e Helena, com a ajuda de Marco, adquiriu silenciosamente grande parte de seus ativos, fortalecendo ainda mais sua posição.

O sucesso, no entanto, atraiu atenção indesejada. Um chefe de uma facção rival, um homem cruel e ambicioso chamado Vincenzo, começou a olhar para Helena com interesse. Ele via nela uma oportunidade de enfraquecer a Camorra e de expandir seu próprio poder.

Um dia, Helena recebeu um convite para um jantar exclusivo, organizado por Vincenzo. Ela sabia que era uma armadilha, uma tentativa de pressão ou talvez algo mais sinistro.

“Você não vai”, Marco disse, sua voz firme, seus olhos fixos nos dela.

“Eu não posso simplesmente ignorá-lo, Marco. Ele é uma ameaça crescente. E eu preciso entender suas intenções.”

“Eu vou com você”, ele declarou, sua mandíbula cerrada.

Helena negou com a cabeça. “Não. Isso seria exatamente o que ele quer. Uma demonstração de que estamos sob ataque. Eu vou sozinha. E eu vou mostrar a ele que subestimar uma mulher é o erro mais caro que ele pode cometer.”

Marco a olhou com apreensão, mas também com confiança. Ele sabia que Helena era mais forte do que parecia, e que ela era capaz de se defender. “Se houver qualquer sinal de perigo, você me liga. E eu estarei lá. Juro por tudo o que é sagrado.”

“Eu sei que sim”, Helena sussurrou, apertando sua mão.

O jantar com Vincenzo foi tenso. O homem era charmoso, mas seus olhos revelavam uma crueldade fria. Ele elogiou Helena, elogiou a forma como ela assumiu os negócios de seu pai, mas suas palavras eram carregadas de segundas intenções.

“É uma pena que seu pai tenha partido tão cedo”, Vincenzo disse, tomando um gole de seu vinho. “Ele entendia o jogo. Ele sabia como manter o equilíbrio. Agora… tudo parece tão instável.”

“A instabilidade é apenas uma oportunidade para os mais fortes se destacarem”, Helena respondeu, com um sorriso confiante.

Vincenzo riu, um som seco e sem humor. “E você se considera uma das mais fortes?”

“Eu me considero capaz de proteger o que é meu. E de eliminar quem ousa me ameaçar.”

A conversa continuou nessa linha, uma dança perigosa de ameaças veladas e demonstrações de poder. Helena manteve a calma, sua mente trabalhando em alta velocidade, analisando cada palavra, cada gesto de Vincenzo. Ela percebeu que ele tentava testá-la, ver até onde ela estava disposta a ir.

No final da noite, Vincenzo a acompanhou até a porta. “Foi uma noite agradável, Helena. Espero que possamos repetir. Talvez em circunstâncias mais… cooperativas.”

Helena apenas sorriu. “O tempo dirá, Vincenzo.”

Ao sair da mansão, ela respirou fundo o ar da noite. Ela havia enfrentado o predador e saído ilesa. Mas sabia que a dança estava apenas começando. A teia de aranha estava se expandindo, e ela estava no centro, pronta para enfrentar qualquer um que ousasse cruzar seu caminho. E ao seu lado, Marco, o guardião feroz, o parceiro implacável, pronto para defender seu território e sua rainha.

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